Vamos falar “ferpeitamente” de Monica Cervera,em dois momentos.Junto à dois excelentes diretores…





 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Crime Ferpeito”? Não seria “Crime Perfeito”?

 

Não, caro leitor.Não estamos sofrendo de dislexia. É ferpeito mesmo.
O trocadilho do diretor Alex de La Iglesia faz referência ao personagem Obelix, que costuma dizer “ferpeitamente” sempre que apronta alguma trapalhada.
Diga-se de passagem que o estranho título cai como uma luva para o longa, já que o crime cometido está longe de ser perfeito e as trapalhadas se sucedem a três por quatro. Mas o que esperar de um filme que faz piada com o próprio título?
Risos, muitos risos.
Rafael Gonzalez é um homem que tem o melhor de tudo ao seu alcance: vendedor de um sofisticado magazine, faz do mundo de ilusão onde trabalha seu universo. Seu charme e carisma lhe rendem tanto vendas fabulosas como incontáveis conquistas. Tudo sem sair da loja. Mas seu castelo desmorona quando perde o cargo de gerência com o qual sonhava para Don Antonio, que passa a infernizar sua vida. Durante uma discussão, Rafael acidentalmente mata o rival. O crime é presenciado por Lourdes, uma vendedora feia e desajeitada, que se prontifica a ajudá-lo a ocultar o crime. Mas o preço cobrado por Lourdes logo se revela caro demais: ela quer para si o desejo que Rafael sempre dirigiu às outras funcionárias e não vai medir meios para atingir seus objetivos.
Entre tapas e beijos, o embate entre Lourdes e Rafael rende momentos divertidíssimos. A seqüência em que ela o leva para conhecer sua família é responsável por alguns dos diálogos mais criativos do filme. Um pai catatônico, uma mãe histérica e uma irmãzinha desbocada dão a medida do buraco no qual o Don Juan do varejo está metido. Aliás, um dos pontos altos do filme é a dupla de protagonistas. A ainda desconhecida Mónica Cervera tem tudo para se tornar a nova diva da comédia. No último Festival do Rio, a atriz pôde ser vista em duas produções: Crime Ferpeito e “20 Centímetros”, onde interpreta um travesti com crise de identidade. Histriônica na medida certa, Mónica encontra seu contraponto no carismático Guillermo Toledo (de O Outro Lado da Cama). Outro grande trunfo reside na criação de tipos extremamente bizarros e, ainda assim, com uma boa dose de humanidade. Lourdes, guardadas as devidas proporções, tem uma postura muito em voga nos dias atuais: em sua fúria amorosa, quer conquistar a qualquer preço o que julga ser seu por direito. No caso, o afeto de Rafael.
Que, se não for dado de boa vontade, será arrancado a fórceps. Crime Ferpeito é menos nonsense do que parece à primeira vista. Mesclada ao grotesco e ao caricatural, há uma crítica feroz à competitividade do mundo moderno: a agressividade do mercado de trabalho, a caça desenfreada aos bens de consumo e até mesmo à espetacularização da vida promovida pelo mundo globalizado. Afinal de contas, a doentia relação de Rafael com a loja não é muito diferente da obsessão popular pelos reality shows. Crime Ferpeito recebeu seis indicações ao Goya: ator (Guillermo Toledo), ator coadjuvante (Luis Varela), atrizz-revelação (Mónica Cervera), som, direção e efeitos especiais. Seu único tropeço é que o roteiro acaba fazendo um curva descendente, já que o desfecho do longa não chega a ser o grand finale esperado. Após uma hora e quarenta de pura loucura, a história é arrematada por um final relativamente “normal”. Mas nada que anule o prazer de assistir a essa tresloucada comédia de humor negro.

Titulo Original: Crimen ferpecto
Gênero: Comédia
Duração: 105 min
Classificação etária: 16 anos
País: Espanha / Itália
Ano: 2004

20 Centímetros

Em “20 Centimetros”, Marieta é um transsexual prestes a fazer a última operação e livrar-se assim dos 20 centímetros de carne que lhe sobram.
Prostitui-se para juntar dinheiro, mas sonha ter um emprego como uma mulher a sério, embora no sua identidade haja uma identificação masculina.

Além disto tudo, Marieta sofre de narcolepsia, ou seja não controla o sono e adormece em qualquer lugar. Durante esses sonos, sonha com números musicais onde ela é a protagonista.
Fã de David Lynch e de musicais, o simpático e entusiasmado Ramón Salazar fala sobre seus projetos e sobre 20 Centímetros:

Site: Seu trabalho com Mónica Cervera já vem de bastante tempo. A atriz atuou em Hongos, de 1999, e em 2002 atuou em Piedras, seu primeiro longa-metragem. Como essa parceria começou?

Ramón Salazar: Nossa parceria começou antes mesmo de Hongos. Estudamos juntos em Málaga, onde nascemos, e então nos mudamos para Madri.

Site: Por que a escolha de Mónica Cervera para o papel de Marieta?

Ramón Salazar: Em Piedras, Mónica não era a personagem principal, até porque o filme contava a história de várias mulheres, não havia uma principal. Eu queria muito que Mónica estrelasse um de meus filmes, e também sempre quis vê-la no papel de um travesti. Tanto eu quanto Mónica amamos musicais, então escrevi o papel de Marieta para ela.

Site: Você trabalhou como roteirista em alguns filmes, incluindo produções de outros diretores (como Amnésia, de Gabriela Salvatores, e Taxidermia, de Luis Cerveró). Você pretende continuar escrevendo roteiros?

Ramón Salazar: Para mim, nunca foi uma boa experiência escrever com outras pessoas, por isso decidi continuar escrevendo, sim, mas apenas os roteiros dos meus próprios filmes.

Site: Além de escrever e dirigir, você também atuou em filmes, incluindo alguns de seus próprios. Você pretende continuar atuando?

Ramón Salazar: Originalmente estudei para ser um ator (foi quando conheci Mónica), mas ninguém me queria em seus filmes, então decidi ser um diretor. Eu amo atuar e é por isso que algumas vezes me dou pequenos papéis em meus filmes.

Site: Como surgiu a idéia de 20 Centímetros? Podemos dizer que não é uma das típicas idéias de roteiros…

Ramón Salazar: Mónica e eu sempre falamos sobre fazer um musical, já que, conforme disse, adoramos musicais. Musicais não são nem um pouco comuns na Espanha, mas mesmo assim queríamos realmente fazer um. Escrevi o papel de Marieta para Mónica e o inseri num musical. Não é muito comum ter uma travesti num musical, sabe?

Site: E é ainda mais incomum ter um travesti narcoléptico num musical!

Ramón Salazar: Exatamente! Partindo daí, optei pelo contraste de um travesti que trabalha em zonas barra-pesadas com uma comédia musical.

Site: Você acha que existe espaço para musicais no cinema?

Ramón Salazar: Nem um pouco, ao menos não no momento. Na Espanha não há espaço algum para musicais. Espero que num futuro próximo haja mais espaço para eles e que o público os aceite melhor. Eu realmente quero fazer mais musicais, não no meu próximo filme, mas no filme seguinte. Já sei que meu próximo musical será mais europeu, menos espanhol, mais cosmopolita.

Site: Como o público espanhol reagiu a 20 Centímetros?

Ramón Salazar: O público não entendeu o filme muito bem. Há cenas de nudez e sexo no musical e as pessoas se sentiram chocadas e constrangidas.

Título no Brasil: 20 centímetros
Título Original: 20 centímetros
País de Origem: França / Espanha
Gênero: Comédia
Classificação etária: 18 anos
Tempo de Duração: 112 minutos
Ano de Lançamento: 2005

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