A Estrada (The Road) é considerado o filme mais importante do ano


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Realizado por John Hillcoat

Com Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Charlize Theron, Robert Duvall

Já muitas vezes foram aqui elogiadas as qualidades e os méritos da fantástica trilogia “The Lord of the Rings”. Um dos inquestionáveis méritos dessa trilogia foi também o de revelar definitivamente Viggo Mortensen para o mundo da Sétima Arte. Anteriormente um ator discreto e com pouco relevante na alta-roda do cinema, com a trilogia de Frodo e do Um anel , Mortensen passou a ser reconhecido como um dos mais ilustres valores desta tão amada arte.
A partir desse momento, mais realizadores e produtores começaram a apostar na versatilidade e sobriedade deste ator, que aos poucos vem demonstrando o grande profissional que é. E quem agradece é o espectador.
“The Road” não é um filme para os mais sensíveis ou fracos de coração. Mórbido, pessimista, negro e imensamente melancólico, “The Road” afirma-se como uma obra ambiciosa, corajosa e infinitamente realista. E verdade seja dita, a história e a personagem assentam que nem uma luva a Viggo Mortensen.
Ao longo que quase duas horas de película, o espectador é presenteado com um autêntico e fenomenal tour-de-force de Mortensen, que assim carrega quase todo o filme às costas. E com um sucesso tremendo, ao alcance apenas dos melhores atores de Hollywood. A narrativa simples e linear relata-nos a forma como um homem (Mortensen) e o seu filho (Smit-McPhee) tentam desesperadamente sobreviver num mundo que tem os seus dias contados. Situada num espectacular, aterrador e espantosamente realista cenário pós-apocalíptico, a narrativa apresenta-nos os últimos dias de vida de um planeta Terra em auto-destruição.
Praticamente todos os animais pereceram e os restantes membros da espécie humana tentam, a todo o custo, evitar o mesmo destino. Para sobreviver, os humanos vêem-se obrigados a recorrer a brutais técnicas de canibalismo e passam a funcionar sob um certo regime de “salve-se quem puder”, onde tudo, desde o roubo à violação em todos os sentidos, é considerado válido. E é assim, num mundo putrefato, sem regras e numa sociedade que depressa esquece todo e qualquer moralismo social, que a personagem de Mortensen se concentra num único e obrigatório objectivo: proteger o seu filho, último vestígio de uma pureza fatalmente desaparecida, a todo o custo.
Cru, duro e desconcertante, “The Road” prima pelo seu arrojo visual e por uma sólida narrativa, composta por personagens críveis, profundas e com as quais o espectador facilmente se identifica. Estamos perante um dos melhores filmes do ano que passou. Uma obra séria, intensamente dramática e que, uma vez mais, apela à consciência de que mais não somos do que animais disfarçados numa teia de socialismo moralista. Uma teia que facilmente se quebra perante o caos.
De certa forma, “The Road” faz lembrar “The Dark Knight” – filme que, através da brilhante personagem do falecido Heath Ledger, nos transmitia esta mesma mensagem – e também “Blindness”, de Fernando Meirelles (obra que igualmente critica a nossa falsa superioridade enquanto seres vivos). Como facilmente se percebe, “The Road” não é um filme para se ver de ânimo leve, mas antes para se mergulhar nestas questões e nelas refletir. Como tal, poderá não agradar à grande maioria, mas acreditem que é bem melhor do que qualquer comédia romântica presente nas salas de cinema da atualidade. Destaque para a temerária realização de Hillcoat e para a trilha-sonora que perfeitamente marca todo o compasso emocional da história.
A apontar defeitos, talvez apenas o fato da sua narrativa linear e monocórdica poder aborrecer alguns espectadores mais habituados a rasgos de adrenalina frenética.Além disso, nunca é explicada a forma como o apocalipse aconteceu, algo que poderia facilmente ser demonstrado numa imagem ou num jornal. Se bem que este fato em nada prejudique a qualidade da película. Em suma, “The Road” é uma boa aposta para os amantes do cinema indie. Um filme sobre pessoas, suas emoções e suas escolhas de vida.
Você deve ver. Realmente. Você deve. Não porque é sombrio, não porque é depressivo, ou mesmo assustador. “The Road” é todas essas coisas, ambas de forma aguda e crônica. Mas não foi feita nenhuma escolha estúpida nessa adaptação do livro para o filme. Nenhuma música desproposital em tributo ao romance. Nenhum momento feito simplesmente para que você pule da cadeira. O terror está num mundo normal que se transformou em algo vago. Existe um terror em uma paisagem em fazendas cheias de possessões que não tem mais função, um perigo marcando em uma pilha de velhos martelos e na impossibilidade de esquecer de como as coisas eram. É um medo que vale a pena sentir. E existe algo intrincado e resiliente, eterno e elemental, algo que vale a pena se preocupar em tudo isso, no amor de um pai por um filho, especialmente o amor que é a única coisa que restou num mundo que perdeu seu propósito”.

Rui Madureira – Portal Cinema

Título no Brasil: The Road
Título Original: The Road
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2009
Estréia no Brasil: 05/02/2010

Filmografia de Viggo Mortensen:
2009 – The Road – A Estrada
2008 – Appaloosa – Uma Cidade Sem Lei (Appaloosa)
2008 – Um Homem Bom (Good)
2007 – Senhores do Crime (Eastern Promises)
2006 – Alatriste (Alatriste)
2005 – Marcas da Violência (A History of Violence)
2004 – Mar de Fogo (Hidalgo)
2003 – O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King)
2002 – O Senhor dos Anéis – As Duas Torres (The Lord of the Rings: The Two Towers)
2001 – O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (The Fellowship of the Ring)
2000 – 28 Dias (28 Days)
1999 – Psycho path (TV)
1999 – A walk on the Moon
1998 – Psicose (Psycho)
1998 – Um Crime Perfeito (A Perfect Murder)
1997 – La pistola de mi hermano
1997 – Até o Limite da Honra (G.I. Jane)
1997 – Corrida Contra o Destino (Vanishing Point)
1996 – Daylight (Daylight)
1996 – Retrato de uma Mulher (The Portrait of a Lady)
1996 – Ciladas da Sorte (Albino Alligator)
1995 – Gimlet
1995 – Paixões na floresta (Passion of darkly noon, The)
1995 – Anjos Rebeldes (The Prophecy)
1995 – Black velvet pansuit
1995 – Maré Vermelha (Crimson Tide)
1994 – American Yakuza (American Yakuza)
1994 – Explosão em alto mar (Crew, The)
1994 – Floundering
1994 – Desert lunch
1993 – Ewangelia wedlug Harry’ego
1993 – Two small bodies
1993 – A idade da violência (Young Americans, The)
1993 – O Pagamento Final (Carlito’s Way)
1993 – Ruby Cairo (Ruby Cairo)
1993 – Em ponto de bala (Boiling Point)
1991 – Unidos pelo sangue (Indian runner, The)
1990 – Os safadinhos (Once in a blue moon) (TV)
1990 – Sangue de herói (Tripwire)
1990 – Reflexo do mal (Reflecting skin, The)
1990 – Jovens demais para morrer (Young guns II)
1990 – O massacre da serra elétrica 3 (Leatherface: Texas chainsaw massacre III)
1988 – Ninguém pode me matar (Prison)
1988 – Obsessão (Fresh horses)
1987 – Salvation!
1985 – A Testemunha (Witness)

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