Segure o fôlego: “The Chaser” confirma vitalidade do cinema de gênero sul-coreano



Nos últimos anos, a Coreia do Sul surgiu para o mundo como uma força nova dentro do cinema de gênero, angariando milhões de espectadores não só no país, mas também fora dele. Com filmes de senso estético apurado, os sul-coreanos apresentaram um frescor novo e um sabor asiático a um mercado dominado principalmente, e quase somente, por obras americanas. Como grandes exemplos desse cinema, que transita com desenvoltura pelo suspense, pelo policial ou mesmo por filmes de monstro, temos obras como “Old Boy” (2003), de Park Chan-wook, e “O Hospedeiro” (2006), de Bong Joon-ho, ambos bem recebidos aqui no Brasil.
Aos nomes já consagrados de Chan-wook e Joon-ho, que tiveram seus novos filmes, “Sede de Sangue” e “Mother”, presentes nesse Festival do Rio e já comprados por distribuidoras nacionais, surge o promissor Na Hong-jin. “The Chaser”, seu primeiro longa-metragem, chegou à programação do Festival do Rio com ótimas credenciais: além de ter sido um grande sucesso de bilheteria em seu país natal, conseguiu ser exibido, ainda que fora de competição, no prestigiado Festival de Cannes, em 2008. Por todo esse contexto, “The Chaser” também está previsto para estrear nas telas brasileiras.

A trama do filme parte de uma premissa interessante, baseada na defasagem do sistema legal do país. Jung-ho, o protagonista, é um homem de moral duvidosa, que trocou a carreira de detetive pela de cafetão. As prostitutas que agencia, no entanto, estão desaparecendo e ele não sabe o porquê. Aos poucos, Jung-ho descobre que elas foram, na verdade, assassinadas por um de seus clientes regulares, e cria um plano para pegá-lo.

Ao contrário do que se espera dos thrillers policiais convencionais, o cafetão consegue prender logo no início do filme o assassino, e o entrega para a polícia. A grande sacada é que, mesmo confessando seus crimes, os corpos não são encontrados, e por isso o assassino tem de ser solto em 24 horas. Para piorar, Jung-ho acredita que uma de suas prostitutas ainda está viva. A caçada que dá título ao filme, portanto, não é para prender o culpado, mas para encontrar o corpo antes que o assassino seja solto, numa autêntica corrida contra o tempo.

Como era de se esperar, Na Hong-jin realmente bebe na fonte de seus dois colegas sul-coreanos, incorporando algumas das características típicas do cinema de gênero de seu país. Podemos perceber, por exemplo, a utilização da estetização da violência, a mistura de um gênero popular (no caso, o thriller policial) com outro teoricamente mais profundo, como o drama social, e mesmo a forte presença do humor. Este humor, inclusive, gerou uma certa confusão por parte da plateia durante a exibição do filme no Festival do Rio, que ria em momentos onde, claramente, o drama deveria predominar.

O filme confirma a vitalidade de um cinema até pouco tempo atrás desconhecido do mundo inteiro, ou presente apenas em circuitos de arte dos festivais. Para quem se interessa por filmes de gênero que fogem do padrão americano de produção (ainda que, tecnicamente, mantenham a mesma qualidade técnica, mesmo a custos muito mais baixos), “The Chaser” merece uma chance quando entrar em cartaz.

Ficha Técnica

Diretor:Na Hong-jin
Roteiro:Hong Won-Chan, Shinho Lee
Elenco:Kim Yun-seok, Ha Jung-woo, Jee Young-min, Seo Yeong-hie, Kim Mi-jin, Jung In-gi, Park Hyo-ju.
Diretor de Fotografia:Lee Sung-Je
Diretor de Luzes:Lee Choi-o
Trilha Sonora: Yongrock Choi
Produção: Moon-Su Choi
País:Coréia do Sul
Ano: 2008

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