Esqueçam Sweeney Todd de Tim Burton, e curtam a melhor versão já feita desse musical!

 

 

(Sweeney Todd, Reino Unido, 2005)

Fiquemos com esta modesta, mas interessante produção típica para a TV da BBC, que conta, mais como um drama lúgubre e sangrento que como filme de terror, a célebre e fictícia estória de Sweeney Todd, o “Barbeiro Demônio de Fleet Street”, que, na suja Londres da segunda metade do século XVIII, tinha o péssimo hábito de sangrar os seus clientes além da conta, movido por uma estranha e incontrolável compulsão. Matava-os e escondia os corpos na cripta abandonada da igreja colada à sua barbearia.

E ainda enviava parte da carne dos corpos para a sua vizinha pasteleira, Ms. Lovett (Essie Davis), uma ex-prostituta, a mulher com quem nutria genuíno e doloroso afeto e que usava os retalhos como mórbidos ingredientes para as suas famosas tortas. Yummy! A princípio sem saber, depois se torna cúmplice dele, até enviando clientes de sua loja para Todd.

Um jovem detetive e um policial veterano investigam os desaparecimentos, mas não desconfiam de Todd, o melhor barbeiro de Londres, que além de barbear os clientes, também era muito comum que fizesse cirurgias, sangramentos, amputações e até abortos. No entanto, nenhuma explicação, tipo psicológica, abandono do pai, prisão na infância por um crime que não cometeu, morte do irmão, era suficiente para esclarecer porque ele tanto gostava de usar a sua navalha além da conta.

Ele fazia e pronto.
Ligeiramente baseado na clássica série grand guignol, publicada em fascículos no século XIX e depois reunida em livro por Robert L. Mack, tantas vezes levada para o cinema, ganhou inclusive os palcos da Broadway, num musical vencedor do Tony de Stephen Sondheim e Hugh Wheeler, base para o filme de Burton, este filme, dirigido com parcimônia por Dave Moore, tem como grandes trunfos a interpretação contida e silenciosa, o que é raro nos barbeiros, tipos sempre faladores, de Ray Winstone (Sexy Beast, Rei Arthur, A Lenda de Beowulf) como o torturado Todd, a boa ambientação e os ótimos diálogos que trava com David Warner (Titanic, Sob o Domínio do Medo e que interpretou outro serial killer, Jack, o estripador, em Um Século em 43 Minutos), aqui como o cego e filosófico investigador da polícia e oficial de Justiça Sir John Fielding.

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