Filme mostra a vida de Hans Christian Andersen,visões belas e líricas pra guardar na memória…

 

Hans Christian Andersen nunca foi um ser humano.
Foi herói da montanha-mar da fantasia. Toda a sua vida.
Nunca utilizou a seu (e nosso) proveito a ponte que o encaminharia, no (seu?) cérebro dividido, sem razão.
Beijo-lhe as mãos verdes, fito-o nos seus olhos do azul da água e aguço os ouvidos, na relva debaixo de uma árvore, sentando-me para as suas histórias encantadas. De fadas. E de nuvens de algodão e céu e noites estreladas e dias cinzentos, onde o sol não nos ofusca, não fere, e se debruça sobre a almofada para ouvir.

O pai morreu quando ele tinha 11 anos. A mãe. O avô estava internado, insano.
Aos 14 anos estava em Copenhagem, em tentativas múltiplas e circulares de ingressar no universo cultural – da literatura, do teatro, da dança, da música.
Era pobre,desde sempre. Em Copenhagem, dormia numa casa de cachorro, tentava terminar um roteiro para teatro e poesia.
Banais, sem rima, titubeantes, falsos, os textos apresentados de nada lhe valiam. Mas Andersen, um rapaz perseverante de coração puro, não desiste e aceita um plano de estudos com a duração de quatro anos fora de capital dinamarquesa, às expensas do Rei.

Encontra uma pequena cidade cor de carvão pintada de um branco aguado, um tutor(com o qual viverá uma relação de admiração e ódio)e o seu melhor amigo para sempre: Tuk.

Hans e Tuk partilham, contam, afogam, cheiram e sorriem. Tuk sabe de Newton e da maçã e dá asas a Hans, e ele voa e pensa ver o mundo inteiro: o Egito, a Alemanha e a França, o Oriente. Hans quer ser famoso;Tuk quer uma fazenda,com macieiras e duas vacas.
Serão amigos.Até à morte.
A preguiça de Hans nos estudos levam o tutor a punir uma, duas, muitas vezes Tuk. Mas Andersen não aprende.E Tuk é vencido pelo cansaço.

A história é contada por um velho moribundo, à espera de um sinal do amigo. Quer saber se fez bem, se era assim. Tuk chega, sentado no parapeito da janela, com um sorriso a dizer olá – a força ascendente.

O meio da história, o resto, conhecemos das prateleiras, das vozes ao adormecer, do inato da nossa imaginação. E se ele perguntar se fez bem, respondemos com um sorriso.

Nos créditos da técnica estão o realizador Rumle Hammerich e os atores Simon Dahl Thoulow, Peter Steen e Henning Jensen, entre outros.
Todos fantásticos!
Mas a realidade destes nomes não me importam: apaixonei-me,caí para trás na segurança do amparo de meu amigo Hans Christian Andersen.

Unge Andersen,2005-IMDB

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