Filme: A Garota Morta, com Britanny Murphy foi (sem dúvida) seu melhor trabalho

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Quando o corpo de uma jovem garota chamada Krista é encontrado, inicía-se uma repercusão inesperada que percorerrá e modificará a vida de várias pessoas, as conectando de formas profundas e incitando nessas emoções e atitudes atípicas.

Um retrato sombrio e singular sobre as particularidades de várias pessoas interligadas por uma única tragédia devastadora, “A Garota Morta” anseia capturar as angústias e os pesares de mulheres antagônicas – e ainda assim semelhantes – numa trama rica de virtudes e emoções, visando capturar a vida – ou a falta de vida – no repertório de suas protagonistas envolventes, melancólicas e frustradas. O filme, divido em cinco partes – “A Desconhecida”, “A Irmã”, “A Esposa”, “A Mãe” e “A Garota Morta” – não poupa o pessimismo ao pontuar a vida dessas cinco mulheres com elementos dos mais trágicos e pesados, dos quais passam a rondar pela atmosfera densa e sombria do filme com um impacto cujo efeito na audiência é incontestável.
O clima obscuro, porém, não chega a soar frio.
Apesar de inúmeras sequências bastante pesadas, existindo certo excesso de pessimismo consideravelmente forte na sua impressão, é mais que admirável nosso envolvimento com as personagens bem escritas, e as percepções que vamos adquirindo ao passo que vamos sendo envolvidos pouco a pouco nos climas pesados da vida dessas mulheres, cujas conexões se revelam fascinantes.

Dois dois importantes artifícios usados na narrativa, temos a falta ordem cronológica característica, que não se revela nenhuma novidade, e a divisão do filme em cinco capítulos, contando suas cinco histórias separadamente. É possível que não se extraia dessa divisão um envolvimento maior, ou por sua vez, que acabe surgindo uma certa frieza. Isso não ocorre porque as personagens apresentadas em todos segmentos são seres altamente interessantes, somos envolvidos por elas e por isso, atingidos pela emoção de suas histórias. Interpretada brilhantemente por Toni Collette (Ao Entardecer), Arden, “a desconhecida” é uma mulher solitária que sofre sob o rancor e os abusos de sua mãe incapaz, que acaba ganhando uma atenção da mídia ao ter descoberto o corpo, iniciando assim um relacionamento complexo com Rudy. Já Rose Byrne (Sunshine – Alerta Solar), em uma tocante performance, interpreta Leah, “a irmã”, uma jovem que, ao fazer a autópsia de uma garota morta não identificada, suspeita que esta talvez seja sua irmã que misteriosamente despareceu quando ainda era pequena.

Mary Beth Hurt (A Dama na Água) é Ruth, “a esposa”, num desempenho fortíssimo. A personagem começa a suspeitar que seu marido seja um assassino em série após muitas suspeitas e provas inconfundíveis. Temos ainda a estupenda Marcia Gay Harden (O Nevoeiro), interpretando Melora, “a mãe”, uma mulher que vai à procura de sua filha e encontra na amiga prostituta desta respostas para a fuga de sua filha, e talvez uma chance de redenção. Por último, temos Brittany Murphy (Amor e Outros Desastres), revaladoramente decente ao interpretar a garota do título, uma prostituta que tem como preocupação vital cuidar de sua filha.

Essas cinco mulheres, suas histórias, seus remorsos e suas particularidades entram na nossa pele, ferem nossas emoções e nos envolvem unicamente para o núcleo emocional do trabalho que, ao contrário do que sua estética tem a oferecer, é luminoso ao identificarmos, ao seu fim, um comovente otimismo como ode à vida e ao perdão. A última cena – tristemente real – nos afeta como nenhuma outra. Mas naquele pedaço de cena podemos olhar nos olhos de Murphy e vermos o verdadeiro significado do filme e captarmos suas verdadeiras intenções, que vão além do simples pessimismo ao pontuar, talvez, que a morte de uma pode significar a vida de outras. É um belo conto, e um que merece uma atenção bem maior do que a que recebeu. Um indie formidável que ecoa de uma forma muito bela, graças à firme direção de Karen Moncrieff (Um Certo Carro Azul), que também assina o roteiro.

No todo porém, podemos ir além dos ótimos aspectos técnicos que incluem uma bela fotografia e trilha melancólica para ver que, em seu núcleo, e em síntese, “A Garota Morta” é um trabalho de elenco, e um extremamente recompensador. Além das já mencionadas Collette, Byrne, Hurt, Harden e Murphy, temos desempenhos virtuosos também de Piper Laurie (Um Funeral Muito Muito Louco), Giovanni Ribisi (A Estranha Perfeita), James Franco (No Vale das Sombras), Kerry Washington (O Último Rei da Escócia) e Josh Brolin (Onde os Fracos Não Têm Vez).
Eles apenas enaltecem o trabalho íntimo e tocante de Moncrieff, que toca sem sentimentalismo ou exagero em feridas humanas e conexões particulares. Merece ser descoberta essa pequena bela obra.
Texto:Cine Vita
The Dead Girl (2006)
Direção: Karen Moncrieff
Roteiro: Karen Moncrieff
Elenco: Britanny Murphy, Marcia Gay Harden, Toni Collette, Mary Beth Hurt, Rose Byrne, Kerry Washington, James Franco, Josh Brolin, Giovanni Ribisi, Piper Laurie, Nick Searcy
(Drama, 93 minutos)

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