Enterrem meu coração na curva do rio

 

Depois de ver o filme, fiz uma postagem em meu blog pessoal e ao pesquisar a matéria, descobri que existia um livro no qual o filme foi inspirado, e após ler apenas algumas páginas do livro já pude deduzir que o filme um tanto quanto fraco, não chega nem perto da grandiosidade que é o livro, a história realmente vale a pena.

 

Nesse livro de 1970, Dee Brown, fez um registro magistral de uma história enterrada e que estava relegada ao esquecimento, e ao qual a indústria cinematrográfica de Hollywood fez questão de jogar mais terra em cima.

Hoje em dia a maioria das pessoas sabem que os índios não foram os vilões do oeste selvagem graças a esse livro. Dee fez uma pesquisa minunciosa de registros que estavam esquecidos e empoeirados em bibliotecas perdidas nos EUA, dessa maneira conseguiu resgatar relatórios do exército americano ou mesmo relatos de próprios remanescentes de tribos, que foram passando as histórias oralmente, de geração em geração, até que alguns deles resolveram escrevê-las.

Ainda não terminei de lê-lo, o livro muitas vezes é chocante, e pauso para refletir e me perguntar até onde a frieza e crueldade do homem é capaz de ir, quando é movido por ganância .

Veja o índice pra ter uma noção dos assuntos tratados:

1 – Suas maneiras são decentes e elogiáveis
2 – A Longa marcha dos Navajos
3 – A guerra chega aos Cheyennes
4 – Invasão do rio Powder
5 – A guerra de Nuvem Vermelha
6 – O único índio bom é um índio morto
7 – Ascensão e queda de Donehogawa
8 – Cochise e as guerrilhas apaches
9 – A guerra para salvar o búfalo
10 – A guerra pelas Black Hills
11 – O êxodo dos Cheyennes
12 – O último chefe apache
13 – Dança dos fantasmas
14 – Wounded Knee

O livro traz ainda, trechos de discursos dos chefes indígenas, quando se reuniam com o homem branco, para fazer acordos de paz, abaixo trascrevo algumas delas:

“Onde estão hoje os Pequots? Onde estão os narragansetts, os moicanos, os pokanokets e muitas outras tribos outrora poderosas de nosso povo? Desapareceram diante da avareza e da opressão do Homem Branco, como a neve diante de um sol de verão. Vamos nos deixar destruir, por nossa vez, sem luta, renunciar a nossas casas, a nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos de nossos mortos e a tudo que nos é caro e sagrado? Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca!”
TECUMSEH, dos shawnees –

“De quem foi a voz que primeiro soou nesta terra? A voz do povo vermelho que só tinha arcos e flechas…O que foi feito em minha terra, eu não quis, nem pedi;os brancos percorrendo minha terra…Quando o homem branco vem ao meu território, deixa uma trilha de sangue atrás dele…Tenho duas montanhas neste território – as Black Hills e a montanha Big Horn. Quero que o Pai Grande não faça estradas através delas. Disse estas coisas três vezes; agora venho dizê-las pela quarta vez.”
MAHPIUALUTA (Nuvem Vermelha), dos sioux oglalas –

 


“Fizeram-nos muitas promessas, mais do que me posso lembrar, mas eles nunca as cumpriram, menos uma: prometeram tomar nossa terra e a tomaram.” – MAHPIUALUTA (Nuvem Vermelha), dos sioux oglalas –

Apesar de ser um relato doloroso da história do povo nativo americano, podemos ver como eles tinham uma noção verdadeira de honra, e um carinho muito grande por seu próprio povo e terra. Após a publicação desse livro, filmes como “Um homem chamado Cavalo” e “Pequeno Grande Homem” puderam ser realizados.

Acredito que o mesmo tipo de genocídio tenha ocorrido aqui no Brasil, e por toda a América, mas infelizmente, talvez toda essa história esteja fadada ao esquecimento!

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4 pensamentos sobre “Enterrem meu coração na curva do rio

  1. Olá, fiquei sabendo so seu blog pelo visãohistórica. Não pude deixar de ler este post, e gostei bastante do que li. Irei procurar o livro. A respeito do índio da américa do sul e claro do Brasil existem vários livros excelentes, que poderia recomendar. Mas por hora basta dizer que o processo de crueldade é o mesmo. Só irei citar um episódio que sei coloca num livro de um espanhol da época da colonização. " em certa hora para executar alguns indíos que não queria se sujeitar ao trabalho, os padres vieram para batiza-los, antes que fossem executados. Um dos indíos questionou o padre, peguntando se sendo batizado ele iria para aonde o deus do homem branco estava. O padre respondeu que sim, e então o índio disse que negava o batismo, porque não queria ir para o mesmo lugar que um deus tão cruel e vil, vivia". o nome do livro é "Brevísima história da destruição das Indias" de Bartolomeu de Las Casas.

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