El secreto de sus ojos

Produção argentina, de 2009, ganhadora do Oscar de melhor filme estrangeiro. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de  Juan José Campanella e Eduardo Sacheri, autor do livro em que se baseou o filme – “La pregunta de sus ojos”, publicado em 2005. Com: Soledad Villamil, Ricardo Darín, Pablo Rago, Guillermo Francella, Mariano Argento, José Luis Gioia, Javier Godino, Carla Quevedo.

Campanella, que dirigiu também “Clube da lua” e “O filha da noiva”, não é afeito a roteiros rocambolescos. Foca com olhar lírico e singelo estórias do cotidiano. E “El secreto de sus ojos” segue igualmente essa linha. Conta a estória de Benjamín Spósito (Darín, em seu 4o. filme com Campanella), um servidor da justiça penal argentina. Recém aposentado, resolve escrever um livro sobre um caso de estupro seguido de morte investigado por ele há 25 anos. Na mesma época da ocorrência do crime, outro evento ficou marcado na lembrança de Spósito, a chegada da nova colega de trabalho, Irene Hastings (Soledad Villamil, novamente fazendo par romântico, ou quase, com Darín num filme de Campanella).

Os eventos sobre os quais Spósito escreve são inseridos na estória na forma de flashbacks. Apesar das idas e vindas da estória, não há pontas soltas nem confusão entre o presente e o passado. As narrativas paralelas praticamente se complementam. Enviado para atender um chamado não pertinente ao seu departamento, Spósito segue para o local a contragosto mas, ao chegar à cena do crime é tomado por uma necessidade de resolvê-lo. Ao perceber que o servidor que deveria ter assumido o caso prendeu dois suspeitos que confessaram sob tortura, reaja com fúria atacando fisicamente o colega. Depois disso, fica determinado a encontrar o verdadeiro culpado, mesmo à revelia da orientação de seus superiores, sempre acompanhado de seu subalterno Pablo Sandoval (Guillermo Francella, simplesmente excelente como o contraponto cômico do filme) . Ao mesmo tempo, vemos aumentar a proximidade entre Spósito e Hastings.

Sua obsessão, no passado, em descobrir o assassino é similar à atual em tentar lembrar-se de tudo, encontrar explicação para os acontecimentos e saber o que sucedeu aos “personagens” dessa estória sem final feliz. Mas encontrar o criminoso não parece servir como conclusão. Principalmente porque o filme não é um “whodunit” clássico. Aliás, não é apenas um filme policial. Mescla romance e trama policial de modo bastante eficiente.

Cenas a destacar:
– o plano-sequência no campo de futebol, de quase 10 min. acompanhando o olhar da câmera, (aparentemente) sem cortes;
– a cena de “bad cop/good cop” engendrada por Hastings ao interrogar o principal suspeito. Surpreende pela rapidez de raciocício e presença de espírito da personagem e pela atuação brilhante de Villamil.

Assim como vários outros, este filme argentino é mais uma prova da habilidade de nossos “hermanos” na produção de ótimos roteiros. Não chega a ser uma obra-prima, mas com certeza é muito acima da média. Não há furos ou falhas de roteiro, a estória avança e evolui de maneira extremamente fluida, os diálogos são inteligentes e os personagens bem verossímeis.

Site oficial
Decupagem do plano-sequência do estádio
Link do IMdB e do diretor e o diretor
Assista o trailer no YouTube
Acompanhe a crítica no meu blog

 

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