Cinema, suor e praia

Sol! Verão! Calor! Aquecimento Global!

Com os miolos fritando nesse clima senegalês, resolvemos falar um pouco sobre os precursores de um tipo de cinema desliga-cérebro! Muitos conhecem (e odeiam) aquelas comédias estadunidenses repletas de adolescentes tarados e vazias de roteiro e atuações convincentes, mas para descobrir a gênese desse fenômeno que parece se multiplicar assustadoramente nas salas de exibição a cada verão norte-americano, vamos retroceder até os loucos anos sessenta!

Sim, caríssimos… vamos falar dos filmes de surfe, praia… e biquínis!Esse subgênero é famoso por mostrar várias cenas de jovens brancos de classe média trajando roupas de banho enquanto surfam e dançam freneticamente na praia, como se não houvesse amanhã. Nesse mundo ensolarado e alienado onde pais não existem e os mais velhos geralmente aparecem na tela como alívio cômico, o jovem americano ideal está fumando e cantando músicas sobre garotas ao lado daqueles pranchões antigos, enquanto moças requebram em biquínis de todas as cores, tamanhos e tipos com seus penteados cheios de laquê imunes à ação do Astro-Rei!

Número musical de Donna Loren em “Eu, Ela e o Pijama” (1964)

Algumas influências pra essas comédias na praia foram o “Maldosamente Ingênua” (1959), estrelado por Sandra Dee (espécie de Sandy loura e “não devassa” dos Estados Unidos daquele tempo) e, quem diria, Elvis Presley! “Feitiço Havaiano” (1961), onde o rei do rock deixa as Forças Armadas pra correr atrás da mulherada do Havaí ao som de “Can’t Help Falling in Love” e “Garotas! Garotas! Garotas!” (1962), onde o rei do rock deixa o seu barco de pesca pra correr atrás da mulherada do Havaí ao som de “Return to Sender”, são exemplos pra quem achar que é mentira.Entre azarações, paqueras, aventura e confusão – isso mesmo, tipo Sessão da Tarde e Malhação juntos, – horror eterno! –  os atores (que já não eram adolescentes há muito tempo) dançavam alegre e despreocupadamente graças à participação especial de muita gente boa do ramo da música: The Animals  – apareceram em “It’s a Bikini World” (1967) e “Turma Bossa Nova” (1964, que não era na praia, mas num resort de esqui, e ainda tinha a Nancy Sinatra), James Brown – estava em “Ski Party” (1965, que também era numa estação nas montanhas geladas, mas bastava substituir praia por neve e pranchão por equipamento de esqui que estava tudo certo!) e Stevie Wonder, ainda moleque! Assistam à primeira participação dele no cinema logo abaixo:

Participação especial do então Little Stevie Wonder no inacreditável “Quanto mais Músculos Melhor” (1964)

Observação pertinente: a loura maluca de vestido frufru dançando freneticamente em cima da mesa é um dos ícones dos filmes de praia, a Candy Johnson!

Mas digressões à parte, além de músicos famosos, também apareciam atores mais talentosos em pontas de alívio cômico. Exemplos incluem o olhudo Peter Lorre no já mencionado “Quanto Mais Músculos Melhor”, Buster Keaton em “Folias na Praia”(1965) e Sid Haig, irreconhecível, em “It’s a Bikini World”.

Dito isso, é importante mencionar que o subgênero comédia na praia acabou se fundindo com o suspense, a espionagem e o horror atômico para criar obras mais bizarras ainda. E isso é possível? Sem dúvida! Temos “The Beach Girls and the Monster” (1965), sobre um patético monstro marinho que ataca as vítimas adolescentes arranhando-as mortalmente! E não nos esqueçamos do psicodélico “Village of The Giants” (1965), que inverte um pouco os papéis de mocinho e vilão, porque alguns dos jovens desmiolados comem uma substância química estilo “cogumelo da Alice no País das Maravilhas”, ficam gigantes e resolvem dominar a cidade! Entre uma cena de dança e outra (sem praia!), os adolescentes bonzinhos precisam impedir os gigantescos vilões de causar mais caos e destruição!

Uma das cenas mais toscas do cinema está em “Village of the Giants”

E por fim, o choque: o eterno Vincent Price parodia “Goldfinger”, da série do James Bond, como Dr. Goldfoot, em “A Máquina de Fazer Biquínis”, também do cabalístico ano de 1965! Ele constrói robôs de mulheres trajando biquínis dourados para dominar o mundo! Sensacional!Trailer de “A Máquina de Fazer Biquínis”

E pra matar o caríssimo leitor de vez nesse calor suarento, existe uma malfadada continuação onde Vincent Price quer iniciar a Terceira Guerra Mundial, o filme “Bonecas Explosivas”, de 66! Filmado na Itália… e dirigido por Mario Bava!!

Chega! Só nos resta encerrar o Latrina com Candy Johnson e… Vincent Price!Créditos finais de “A praia dos Amores” (1963)

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3 pensamentos sobre “Cinema, suor e praia

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