Filhos do paraíso

Children of heaven (Bacheha-Ye aseman)
Produção iraniana de 1997. Roteiro e direção de Majid Majidi. Com Mohammad Amir Naji, Amir Farrokh Hashemian e Bahare Seddiqi.

Indicado ao Oscar de Melhor filme estrangeiro em 1998 – mesmo ano em que “Central do Brasil” concorreu -, este filme é mais uma prova de que baixo orçamento não corresponde necessariamente a baixa qualidade. A produção custou por volta de US$180,000, quantia irrisória se comparada a algumas das megaproduções hollywoodianas.

Mas a ausência de efeitos especiais mirabolantes, artistas famosos, cenas de perseguição e/ou explosão espetaculares, cenários grandiosos – citando apenas o que mais chama a atenção do público -, na verdade não é sequer sentida. Pois o filme tem o que é necessário para ser considerado acima da média: uma boa estória muito bem contada.

Ali (Amir Farrokh Hashemian), um garoto de 9 anos, inadvertidamente perde o único par de sapatos de sua irmã mais nova, Zahra (Bahare Seddiqi). Sabendo que o pai (Amir Naji) não teria condições de comprar outro par, devido à condição de pobreza da família e, querendo evitar que ambos apanhem por causa do ocorrido, Ali sugere a Zahra que revezem seu único calçado, um par de tênis gastos. Depois de alguns contratempos envolvendo as trocas de calçado e os sapatos perdidos, Ali visualiza a possibilidade de resolver o problema participando de uma competição local de corrida.

É um filme para crianças, mas que certamente agrada aos adultos também. Não é apenas a estória sobre um par de sapatos perdido. Ou sobre a cumplicidade e o amor entre irmãos. Ou sobre a diferença de classes na sociedade iraniana. Ou sobre o quanto é difícil (mas possível) sobreviver na miséria. O filme é isso tudo amalgamado e cimentado com a demonstração de que os valores morais, a honestidade, o cuidado com a família, a retidão de
caráter é mais importante do que as posses materiais. Mas não é uma lição de moral escancarada. A sutileza das cenas é cativante. Basta reparar na cena envolvendo os torrões de açúcar.

O filme foi todo filmado em Teerã. Há muitas cenas externas, principalmente as que envolvem as peripécias das crianças nas ruas da cidade. O curioso, e talvez o que torne o filme mais interessante aos olhosdo espectador, é que as locações não eram exatamente locações, já que os locais não eram isolados para que a filmagem ocorresse. A câmera permanecia oculta enquanto a ação transcorria, registrando fielmente o cotidiano do ambiente em que a estória se passa. E isso, por si só, dá um caráter de espontaneidade e de realismo que captura e envolve o
espectador – mesmo que ele não esteja consciente desse pequeno detalhe.

Enfim, é um daqueles filmes que encanta pela sua simplicidade e que o público termina de assistir com o coração mais leve.

No IMDB:
O Filme
O Diretor

No YouTube:
O Trailer

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4 pensamentos sobre “Filhos do paraíso

  1. Assisti este filme pela segunda vez ontem, depois de alguns anos que vi pela primeira vez na Rede Globo, e mais uma vez me encantei com o filme, é simples e cheio de riquezas, cativa-nos e nos deixa mais leves! Filhos do Paraíso é encantador!

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