Baixio das Bestas – Claudio Assis

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Em junho próximo chega os cinemas mais uma excentricidade do diretor caruaruense Claudio Assis, Febre do Rato.

Já o segundo longa do pernambucano, Baixio das Bestas (Brasil, 2006) sofre comparações com apenas um filme brasileiro da fase pós-retomada: Amarelo Manga (2003), também de Cláudio. A reação do público durante a premiação do Festival de Brasília, quando a plateia ficou dividida em aplausos enérgicos e vaias homéricas, reflete bem a relação individual que o espectador tem com o filme.

O primeiro longa-metragem de Cláudio, Amarelo Manga, basicamente seguia um caminho iniciado na primeira metade da década de 90, com o batizado pela imprensa Movimento Mangue. Elementos de denúncia social, sexualidade exacerbada e trilha sonora típica da metrópole pernambucana estão presentes. Baixio das Bestas é um passo adiante que o diretor dá em relação à sua estreia, com todos os elementos polêmicos anteriores presentes e aumentados. A grande diferença, entretanto, é o amadurecimento de Cláudio, tanto em termos narrativos quanto técnicos.

Baixio é uma localidade no interior de Pernambuco que vive o momento derradeiro da economia canavieira, onde transitam prostitutas, pedófilos e rapazes de classe média misóginos. As perversões sexuais são mostradas sem pudor algum, com cenas de estupros e particularidades dos personagens apresentadas à vontade. Causa repúdio em particular a exploração a que é submetida a garota Auxiliadora (Mariah Teixeira) por seu avô Heitor (Fernando Teixeira); Seu Heitor despe a menina para uma plateia de caminhoneiros por uns trocados. Mas, fica clara a intenção do diretor: o repúdio e a ânsia são mais do que propositais. Não há como não assistir aos filmes de Assis e permanecer passivo, a interação com a obra é completa; goste você ou não dela, e a maioria realmente a odeia.

Tecnicamente, Baixio das Bestas é um triunfo do cinema nordestino. A fotografia de Walter e Lula Carvalho é uma das melhores dos últimos tempos, com belos enquadramentos e movimentos de câmera; além das cores realçadas, como nas cenas dos maracatus rurais. A trilha sonora de Pupillo (Nação Zumbi) também um dos pontos fortes do filme. Assis também consegue manter uma cadência narrativa sólida, quesito este que Amarelo Manga tropeçava bastante. Entretanto, nada seria do filme sem as ótimas atuações, beirando a perfeição. Os destaques são Dira Paes, como uma das rameiras locais; e Fernando Teixeira, como o avô da menina explorada. Sem dúvidas, Fernando é o grande nome do filme, e um dos responsáveis pela qualidade da película.

Cláudio Assis entrega um filme forte, violento e para poucos estômagos; ainda sim um dos melhores da safra brasileira de 2006. Confirma-se novamente que o Nordeste tem a melhor e mais prolífica produção cinematográfica do país; capaz de emparelhar com o melhor cinema da América Latina: o argentino.

Trailer

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Fábio Nazaré também pode ser encontrado no blog / podcast O Gaveteiro

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