Fahrenheit 451

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Produção inglesa, de 1966, baseada em livro homônimo de Ray Bradbury. Direção de François Truffaut, roteiro dele e de Jean-Louis Richard. Com Julie Christie, Oskar Werner, Cyrill Cusack, Anton Diffring.

Num futuro distópico, um governo totalitário proíbe ler e manter livros, sob o pretexto de que tornam as pessoas infelizes. Bombeiros, então desnecessários para contenção de incêndios, são os responsáveis pelo controle e incineração de qualquer exemplar impresso encontrado. Além de atear fogo aos livros, os bombeiros são também responsáveis por encontrar, perseguir e deter aqueles encontrados mantendo-os e lendo-os. Tal qual uma polícia “especial”, uma Gestapo bibliófoba.

Guy Montag (Oskar Werner), o protagonista, é um bombeiro. Casado com Linda (Julie Christie) – no livro, Mildred – , inicialmente parece bastante satisfeito com sua profissão e sua vida. Faz bem seu trabalho, está prestes a ser promovido. Leva uma vida simples e normal. Sua esposa passa boa parte do tempo em casa, imersa nos programas de tv, junto com a Família – alcunha dada aos personagens e apresentadores dos programas televisivos. Enfim, um lar de aparente felicidade, de cotidiano tranquilo, perfeito.

Porém, um encontro inesperado faz com que Montag passe a questionar sua própria motivação e a validade do seu ofício. A conversa com Clarisse, sua vizinha (Christie, também) tem um efeito catalisador e ele começa a sentir-se inquieto no cumprimento de seu dever. Inquieto e em dúvida. Esconde em casa alguns dos livros que deveria queimar. E já não consegue ter tanta certeza de que os preceitos que vem seguindo há anos sejam realmente o melhor para ele, para sua esposa, para a sociedade. Chega a hesitar numa das execuções. Tornando-se desse modo um pouco suspeito aos olhos de seus pares e de seu chefe. Linda, assim como as “amigas” que frequentam sua casa, e importando-se apenas com a Família da tv, não consegue lidar com a mudança de atitude de Montag. Alienada, pede-lhe até para escolher entre ela e os livros.

Mesmo não sendo um livro longo, alguns detalhes foram deixados de lado no filme. Provavelmente por impossibilidade técnica de execução (como Sabujo, o cão mecânico), ou por opção do roteirista e do diretor. Essas ausências não chegam a comprometer demais o sentido do filme. Apesar de eu ter sentido bastante a falta de Faber, personagem do livro que é uma espécie de mentor de Montag. Creio que seja a ausência mais significativa – e prejudicial – pois ele é quem dá o “golpe final” em Montag para trazer sua consciência à tona.

Sobre o filme como um todo, há algumas curiosidades. Baseado num livro escrito por um norte-americano, Truffaut, francês, dirige seu único filme falado em inglês – idioma que ele não domina – numa nítida tentativa de ampliar o alcance da obra. Filmado em locações na Inglaterra, com atores falando com leve sotaque britânico. E cujo protagonista é representado por um ator alemão, que entrou na produção após a desistência de Paul Newman, às vésperas do início das filmagens.

Apesar de um pouco datado, ainda assim é uma obra que vale a pena ser (re)visitada. A leitura do livro não é premissa para compreender o filme, mas é altamente recomendada, já que algumas questões sobre o futuro do consumo da informação são abordadas de modo menos superficial que no filme.

IMDB
Youtube Filme completo, legendado.
Skoob

Cristine Tellier também publica resenhas no blog PrintStackTrace0 visite!

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1 comentário Adicione o seu

  1. Luana disse:

    Um clássico sem dúvida, mas comparado ao livro, o filme deixa muito a desejar. Tanto que é considerado por muitos o filme mais fraco do Truffaut.

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