Serpico

em

“Se estes policiais usassem toda a energia que usam em contravenções para patrulhar a cidade, não existiriam mais crimes em Nova York”

Não se fazem mais bons filmes como antigamente, pelo menos não em hollywood! Nunca havia me interessado muito por filmes antigos (sei que estou usando o termo antigo de uma forma um tanto genérica aqui, a mairia desses filmes são da década de 70 em diante, no caso de Serpico 1973 pra ser preciso), o fato de estar acostumado aos ritmos atuais dos filmes fazia com que eu não me cativasse por esses filmes, achava-os muito longos, demorados. Mas a medida que fui conhecendo atores e diretores, e me interessando por seus trabalhos, passei a aceitar esses filmes, e assim a apreciá-los, e sites como o cinemasmorra e podcasts como a série MASMORRA CLASSIC, bem como as dicas dos colaboradores, leitores e ouvintes são os culpados por eu ter descoberto esses filmes.

Uma noite dessas enquanto “zapeava” os canais, parei na TCM, e me deparei com um Al Pacino barbudo, diferente de qualquer outra forma como eu o conhecia, institivamente deixei ali naquele canal, como peguei o filme pelo meio, deu pra entender que ele era um policial, que trabalhava disfarçado, resolvi assistir até descobrir o nome do filme, descoberto isso, resolvi parar por ali, e ver o filme por completo um outro dia.

Serpico trata de um filme baseado no livro de Peter Maas, também baseado em fatos reais. No filme, acompanhamos a trajetória de um policial honesto Frank Serpico, vivido por Pacino, que tem como principal inimigo os demais policiais de seu departamento, pois são corruptos e tentam o tempo todo corrompê-lo, envolvendo o em seus esquemas, e fazendo com que ele fique sujo, mesmo contra sua própria vontade. Assim ele muda de distrito em distrito, trilhando um intrincado caminho pra descobrir em quem realmente se pode confiar dentro da polícia de Nova York.

Frank Serpico sempre sonhou em ser um policial, e entende o significado de sua missão, talvez isso faça com que ele se empenhe na missão quase solitária de manter o nome da coorporação limpo.

O filme colocar o dedo na ferida por mostrar como uma troca de um almoço grátis por proteção, não difere em nada de receber propina de ladrões e vigaristas, pra fazer vista grossa. O caminho para a corrupção é fácil e vantajoso.

É curioso que a medida que o filme avança, Serpico vai mudando sua aparência vai ficando cada vez mais cabeludo e barbudo, sendo assim alvo de discriminação, como se sua aparência fosse um indicativo de seu caráter, na verdade é um esforço do personagem, para se diferenciar cada vez mais daqueles que são corruptos. No entanto, ele, barbudo e cabeludo é honesto e incorruptível, em contrapartida os demais policiais são asseados e bem arrumados, mas demonstram uma falha de caráter e desonestidade sem igual.

Saber que o filme foi gravado do fim para o começo, torna o ainda mais fantástico. O visual barbudo do ator foi sendo muidado a medida que as gravações se aproximavam do início da história. Depois de assistirem a esse filme imaginem como deve ser conseguir fazer essa “involução” com o personagem, retomando a ingenuidade de um policial novato.

É um filme interessante pra se assistir, ainda levando em conta nossa realidade recente, onde policias são assassinados à porta de suas casas, servindo de espetáculo hediondo para seus familiares e vizinhos. Lembro de ter visto um documentário que dizia que no Brasil, é raro encontrar um policial que está na função por que sonhou com essa carreira desde de criança, muitos acabam indo parar nas funções, porque foi a opção que lhes restaram, e ainda assim tem de desempenhar um papel que não é bem visto pela própria sociedade que eles precisam proteger, bem como pelo próprio país ao qual servem, pois não são bem remunerados e muito menos suficientemente equipados para desempenhar suas funções.

Ano: 1973
Direção: Sidney Lumet
Roteiro: Waldo Salt, Norman Wexler, Peter Mass (livro)
Elenco: Al Pacino, John Randolph, Jack Kehoe
País: EUA, Itália
Produção: Artists Entertainment Complex, Produzioni De Laurentiis International Manufacturing Company, Martin Bregman
Fotografia: Arthur J. Ornitz
Música: Mikis Theodorakis

 

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