Almanaque da Música Pop no Cinema por Rodrigo Rodrigues

 

Veja o Filme. Ouça o Disco

Rodrigo Rodrigues, além de apresentador do programa Vitrine na TV Cultura é, também, um apaixonado por cinema, guitarrista e colecionador de trilhas sonoras de filmes.

Em 2008, juntamente com seis amigos músicos, ele criou o grupo The Soundtrackers – Os Tocadores de Trilhas, uma banda temática, especializada em canções que foram temas de sucessos do cinema e que também tocaram bastante nas rádios ao redor do planeta; sempre com uma levada rock´n roll.

A montagem do repertório dos shows do Soundtrackers envolveu bastante pesquisa sobre filmes e o processo de criação, produção, gravação e escolha dos compositores, cantores ou bandas que executam as trilhas musicais.
Todo este trabalho deu bons frutos, a banda vem fazendo sucesso no circuito alternativo paulistano e a agenda de shows da trupe anda bem lotada; quem quiser conferir é só clicar nos links para o site oficial e vídeos no youtube.

Os dados reunidos por Rodrigo cobrem desde o surgimento dos primeiros filmes sonoros até a logística de mercado usada pelos estúdios e gravadoras, que já produzem as músicas temas de prováveis blockbusters com nomes consagrados da música pop, criando um produto que, além de servir ao filme, pode ser explorado pelo mercado fonográfico.

Ultimamente, para tristeza dos colecionadores de música de cinema, parece que o medo de investir em tempos de crise tem feito a criação de trilhas originais diminuir e levado os produtores a usar sucessos antigos em seus filmes. Produções recentes como Mamma Mia e Kickass – Quebrando Tudo são dois bons exemplos dessa tendência.

É claro que toda essa informação garimpada por Rodrigo sobre a relação bem estreita do cinema de Hollywood com os grandes nomes da música popular norte americana, praticamente pedia para ser reunida em um livro ilustrado com foco nas produções que foram e são sucesso nos cinemas e no mercado de home video no Brasil.
A editora Leya lança este mês o Almanaque da Música Pop no Cinema – Histórias e Curiosidades das Trilhas que Marcaram Gerações.

Na obra, uma seleção de filmes é organizada por ordem cronológica, de 1956 até 2010, dos longas que eram veículos para o Rei do Rock, Elvis Presley à cinebiografia de Joan Jett e sua banda The Runaways, passando pelos tradicionais temas da série 007 e pela medonha My Heart Will Go On do gigantesco sucesso Titanic.

Ficamos sabendo curiosidades dos bastidores das produções e, claro, muito sobre os compositores e artistas que participam das trilhas. Todos os capítulos são ilustrados com fotos e possuem uma listagem com todas as faixas das trilhas de cada filme.
Tenho um senão a fazer, muita coisa ficou de fora, onde estão O Mágico de Oz, Apocalipse Now e Watchmen, por exemplo?

O tema certamente merece um segundo volume, além disso, fico torcendo pelo lançamento de uma obra semelhante dedicada às trilhas incidentais, os scores, tão fundamentais para a narrativa cinematográfica, afinal, podem acreditar, Cristian Bale fantasiado de morcego nunca teria dado tão certo sem a poderosa música de Hans Zimmer tocando ao fundo.

Título: Almanaque da Música Pop no Cinema.
Autor: Rodrigo Rodrigues.
Editora: Leya/ Lua de Papel
Páginas: 216, ilustrado.

 

 

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Coriolanus

É sempre uma experiência interessante ver as histórias de William Shakespeare, adaptadas á atualidade, ainda mais essa história que, mesmo na época em que foi escrita já servia de metáfora aos acontecimentos políticos dos dias de Shakespeare.

Coriolanus foi um general romano lendário, Gnaeus Martius Coriolanus, descendente de uma família de homens também lendários, Publius e Quintus Marcius, que forneceram á Roma uma abundante suprimento de Água. No entanto sua própria glória faz sua desgraça, e devido à inveja, acaba sendo exilado, e então aliá-se aos anteriores inimigos numa luta contra Roma!

Essa á uma forma bastante resumida da lenda. No entanto o filme segue de perto a história de Shakespeare, mantendo as mudanças na trama!

Mesmo a história sendo conhecida, o filme vale a pena ser assistido, pois todos os diálogos foram preservados na forma como são na peça de Shakespeare. E ainda vale pra uma reflexão, pois mesmo um mito tão antigo, uma peça com diálogos de 400 anos atrás, ainda pode ser atual!

Saiu o podcast Grifo Nosso sobre o livro “A Fúria dos Reis” !

 

Se você nos acompanhou nos podcasts da 2ª temporada de Game of Thrones sabe que o Gustavo Domingues (o Rei Grifo) comentou que lá no Grifo Nosso eles gravaram um podcast falando sobre o 2º livro das Crônicas de Gelo e Fogo!

Então vamos todos lá conferir, comentar e prestigiar o Grifo Nosso que é um podcast muito legal sobre literatura!

Agradecemos ao Gustavo pela força que nos deu nas gravações de cada episódio de Game of Thrones, super abraço!

Clique aqui e boa diversão!

 

Peter Dinklage brilha também em “O Agente da Estação”

A solidão, uma das coisas mais temidas na nossa vida em sociedade. Afinal, já dizia o brocardo Romano “Ubi homo, ibi societas”.

Na verdade, o ser humano é um ser social. Mas, existem situações, que podem estar fora de controle pessoal, nas quais um indivíduo pode se ver isolado da sociedade. O preconceito é um exemplo. Triste exemplo, mas é. De uma forma um pouco simplista, podemos traçar como sendo esta a temática de The Station Agent (O Agente da Estação) – 2003.

Filme escrito e dirigido por Thomas McCarthy, com atuações de Peter Dinklage, Patricia Clarkson e Bobby Cannavale, O Agente da Estação vai abordar essa temática relativa a solidão social.

Trata-se de uma comédia dramática que toca profundo na ferida humana, pois a tendência é de causar certo mal-estar e raiva diante das situações discriminatórias que vemos na tela. O preconceito leva ao isolamento. Viver em sociedade se torna um trauma, um desafio no qual as pessoas podem desistir e se entregar aos medos e a vergonha. O resgate só ocorre com sentimentos sociais: a amizade e o amor.

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E o Johnny voltou da guerra – pelo menos os seus dentes não doem mais!

“Johnny vai à Guerra” (“Johnny got his gun”) é um filme americano de 1971, lançado no auge dos protestos contra a Guerra do Vietnã, dirigido e roteirizado por Dalton Trumbo, baseado no livro homônimo de 1939 (o início da Segunda Guerra Mundial!) de sua própria autoria, estrelando Timothy Bottoms como Johnny, Jason Robards como o pai do Johnny, e Donald Sutherland como Jesus Cristo!  O livro e o filme contam a história de Joe, um jovem comum do interior dos States que abandona família e namorada para defender essa tal da democracia lutando nas trincheiras européias da Primeira Guerra Mundial.  Atingido por uma granada inimiga, ele é mutilado horrivelmente e retorna à patria natal.  Devido à gravidade dos ferimentos, Johnny nunca mais verá sua família e seu primeiro amor, pois foi devidamente escondido num quarto escuro de um hospital militar.  Johnny perdeu os braços, as pernas, os olhos, o nariz, a boca e os ouvidos.  Passa a respirar, comer e fazer suas necessidades fisiológicas por meio de tubos.  Apesar de acharem que ele tem morte cerebral, os médicos das Forças Armadas o mantiveram vivo para estudos científicos.  Os espasmos desesperados de Johnny não são considerados conscientes pelos doutores do mundo exterior, são apenas espasmos musculares de uma massa de carne mutilada e disforme que deve ser apropriadamente sedada. No caso do filme, a partir desse momento acompanhamos a mente dopada do soldado destruído tentando entender a sua situação (com direito a flashbacks surreais) e a sua luta para se comunicar com o mundo exterior.
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O Enigma do Outro Mundo

Nome bastante estranho trazendo um spoiler tremendo, pois bem, não é de hoje que os caras que dão nome aos filmes por aqui acabam com a graça do espectador.

The Thing, remake de O Monstro do Ártico de 1951, trazido às telas por, que nos presenteia com um filme no mínimo tenso, um clássico moderno do sci-fi-horror!

Na trama, uma equipe de cientistas está trabalhando no ártico, quando se deparam com um estrangeiro maluco perseguindo e tentando atirar desesperado em um cachorro, eles salvam o cachorro (não me lembro oque acontece com o maluco, mas ele morre). Assim a trama segue até que coisas esquisitas começam a acontecer… mais que isso estraga o filme.

A estação de pesquisa isolada no pólo sul, dá o clima perfeito de solidão e vulnerabilidade, e a medida que a trama se desenvole a paranóia toma por completo os personagens e o espectador.

Não sou de me assustar fácil, e nesse filme, na cena onde vão averiguar o barulho no canil, eu dei um pulo no sofá apenas com o “clique” do interruptor… isso acontece devido aos méritos de outro mestre envolvido no projeto, Ennio Morricone, imortalizado por suas belíssimas trilhas para os spaghetti-westerns de Sérgio Leone. Foi a primeira vez na carreiram, que Carpenter se aproveitou desse trunfo para causar medo.

O filme tem ainda cenas interessantes de gore, produzidos à moda antiga e muitos efeitos visuais, analógico e orgânico, com criaturas mecânicas, muita imaginação, criatividade para  a construção do cenário.

Como já dito, na imensidão branca da Antártida, o silêncio e o branco aliádos a trilha sonora são fundamentáis para lhe dar a sensação claustrofóbica de angústia, pavor, desespero, paranóia, medo e … solidão. “Quem estará infectado? Eu não de certeza…

É a deixa para a destruição…

Título no Brasil: O Enigma de Outro Mundo
Título Original: The Thing
País de Origem: EUA
Gênero: Terror
Tempo de Duração: 108 minutos
Ano de Lançamento: 1982
Direção: John Carpenter

O Pacto dos Lobos – Christophe Gans

A tentativa de se realizar filmes de ação ou suspense com sotaque próprio, porém ainda com algum ranço hollywoodiano, permeia o imaginário de muitos cineastas fora desse circuito.

Afinal, conseguir mesclar gêneros cinematográficos consagrados junto ao grande público com a empatia de uma plateia específica pode render bons frutos. O brasileiro Tropa de Elite conseguiu atingir esta meta com bastante sucesso, apresentando um longa de ação calcado numa situação carregada de condimento tupiniquim. Já em O Pacto dos Lobos (Le Pacte des Loups/França/2001), o diretor Christophe Gans, do terror Silent Hill, entrega um filme composto por uma saraivada de subgêneros tipicamente americanos, e de forma bastante confusa.

Na época do lançamento o filme foi anunciado envolto por uma áurea de thriller, no qual uma vila francesa é atacada por uma fera mítica durante o século XVIII. Grégoire de Fronsac (Samuel Le Bihan), biólogo e explorador da corte francesa, é enviado à tal vila para caçar e estudar o estranho animal. Até aí tudo bem, e aquele indivíduo que foi assistir ao filme fisgado pelo trailer aguarda um aprofundamento do suspense.

Os rumos tomados pelo roteiro equivocado de Stéphane Cabel, entretanto, são outros. O roterista prefere abordar aspectos filosóficos e históricos franceses misturados com mitos de sociedades secretas, permeados por cenas de lutas repetitivas, criando um filme de ação épico mal resolvido.

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O cão glutão, o coelho carnívoro, o pombo obeso e a chuva de rãs

O diretor Sylvain Chomet é responsável por animações capazes de deixar o camundongo dos Estúdios Walt Disney se roendo de inveja.

Em sua estréia com um longa animado, chegou até a concorrer a Oscar em pé de igualdade com Walt Disney! Como? Com o espetacular “As Bicicletas de Belleville”, de 2003, de estilo visual tão esquisito quanto atraente e que conta com uma das trilhas sonoras mais grudentas da história do cinema! As músicas e as imagens suprem genialmente a ausência de diálogos na hora de contar a história da Senhora Souza, velhinha portuguesa excêntrica que parte numa jornada épica até a cidade de Belleville em busca do seu querido netinho ciclista, um ser atlético/esquelético deformado que foi raptado pela máfia.

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Cidade das Ilusões

“É um filme sobre um lutador de boxe”, foi o que disse pra minha esposa quando coloquei o filme pra assistir.

Ledo engano, embora se trate de um filme onde os protagonistas são boxeadores, a última coisa da qual o filme trata é boxe.

Já na abertura do filme somos presenteados uma cena estupenda, que já anuncia a decadência que se trata o filme, embalado pelo lamento de Kris Kristofferson cantando “Help me make it through  the night”, a música te convida a ver o que a vida faz.

Jimmy Tully (Stacy Keach) é um decadente lutador de boxe, que perdeu tudo, mulher, dinheiro e fama. Vive agora de trabalhos esporádicos em lavouras da região. Um dia quando está treinando boxe, ele conhece o jovem Ernie Minger (Jeff Bridges), ambos decidem lutar um pouco, Jimmy logo ve potencial em Ernie e o convence a procurar seu antigo treinador.

E se você acha que apartir daí o filme seguirá os moldes dos filmes de boxe, está mais uma vez enganado, logo que temos a primeira luta de Ernie e já somos pegos de surpresa.
No decorrer do filme, vamos aompanhando os dois personagens, hora vendo as tentativas de ascenção de Ernie no boxe, e assim na vida, hora acompanhamos a luta de Jimmy para permanecer em pé por “mais um round” na decência. Assim Jimmy conhece Oma (Susan Tyrrell, que levou um Oscar por essa atuação) como uma senhora tão decadente quanto ele que vive apenas para beber enquanto lamenta sua vida, e que rendará ótimas cenas.

E assim o filme segue, como a vida, com muitas adversidades para que o tão esperado “final feliz” venha logo, até culminar na cena onde Jimmy e Ernie conversam em um bar, onde são servidos por um velhinho, e começam a se perguntar como seria acordar na pele daquele senhor, e deixar ser levado pela vida, seriam eles mais felizes se assim o fizessem?

Se as pessoas acham o máximo ficar compartilhando no facebook a frase do Rocky, sobre a vida ser sobre quanta pancada você é capaz de levar e depois se levantar. Deveriam se permitir conehcer esse filme, pois é justamente sobre isso, a vida não será como você imagina, muitas vezes ela traça pra você um caminho dirteo para o ralo, ela não vai pegar leve com você, deixando pra você apenas duas opções, levantar e tentar apanhar o menos possível, ou desistir da luta.

::: Destaques para a cena após a luta de Tully com Luccero, outro lutador decadente. Após a saída do campeão, Luccero deixa o ginásio pelos corredores, as luzes vão sendo apagadas em sequência, sempre impedindo o espectador de ver o rosto dele.

Quando o projeto Masmorra Classic voltar, bem que poderiam preparar um programa sobre esse filme!

Ano: 1972
Direção: John Huston
Roteiro: Leonard Gardner (livro)
Elenco: Stacy Keach, Jeff Bridges, Susan Tyrrell, Candy Clark
País: EUA
Produção: Ray Stark, John Huston
Fotografia: Conrad L. Hall
Música: Kenneth Hall
Locações: Stockton Memorial Civic Auditorium, Stockton, California, USA