Peter Dinklage brilha também em “O Agente da Estação”

A solidão, uma das coisas mais temidas na nossa vida em sociedade. Afinal, já dizia o brocardo Romano “Ubi homo, ibi societas”.

Na verdade, o ser humano é um ser social. Mas, existem situações, que podem estar fora de controle pessoal, nas quais um indivíduo pode se ver isolado da sociedade. O preconceito é um exemplo. Triste exemplo, mas é. De uma forma um pouco simplista, podemos traçar como sendo esta a temática de The Station Agent (O Agente da Estação) – 2003.

Filme escrito e dirigido por Thomas McCarthy, com atuações de Peter Dinklage, Patricia Clarkson e Bobby Cannavale, O Agente da Estação vai abordar essa temática relativa a solidão social.

Trata-se de uma comédia dramática que toca profundo na ferida humana, pois a tendência é de causar certo mal-estar e raiva diante das situações discriminatórias que vemos na tela. O preconceito leva ao isolamento. Viver em sociedade se torna um trauma, um desafio no qual as pessoas podem desistir e se entregar aos medos e a vergonha. O resgate só ocorre com sentimentos sociais: a amizade e o amor.

Finbar McBride (Peter Dinklage) é um anão que trabalha na loja de modelismo ferroviário (miniatura de trens) de seu único amigo.

Por ter essa deficiência genética, Finbar sofre com as piadas e situações vexatórias devido a sua estatura. Com isso, ele cria uma defesa para tudo: é um indivíduo fechado e introspectivo. Tudo vai mudar quando seu amigo falece e deixa para ele, de herança, um depósito numa Estação de Trens em uma pequena cidade rural de New Jersey.

McBride decide morar sozinho nesse depósito. Seu isolacionismo se torna maior. Porém, um vendedor de cachorros quentes, Joe Oramas (Bobby Cannavale), tenta romper essa barreira e fazer amizade com o anão. Ao mesmo tempo, como resultado de dois acidentes estranhos e coincidentes, Finbar conhece Olivia Harris (Patricia Clarkson), um mulher que por um triste passado também leva uma vida solitária. A amizade dos três vai mudar a vida do anão, fazendo-o enfrentar o preconceito, e como consequência, tentar ajudar Olivia a superar seus traumas.

O roteiro de Thomas McCarty nos conduz através de uma estória que, apesar de algumas cenas engraçadas, é tocante e inspiradora.McCarty também faz um ótimo trabalho na direção. Para mim, seus méritos como diretor estão na condução dos diálogos aproveitando-se da capacidade dos profissionais na atuação. As cenas são bem estruturadas e inteligíveis. As falas são simples, mas possuem peso diante da temática do filme. A fotografia é muito boa, mesmo não impressionando com exuberância, mas transmite imagens metafóricas do “pequeno” anão caminhando em trilhos, contrastando com os “gigantescos” trens.

Na atuação, Patricia Clarkson, por seu papel como Olivia Harris, dignifica o elenco junto com Peter Dinklage. Mais experiente que o ator, ela permite que as cenas sejam conduzidas pelo personagem do mesmo. Sua interpretação de uma mulher sofrida pelo passado, possui uma carga dramática incrível. Merecidamente, recebeu alguns prêmios por este papel, embora na minha opinião Peter Dinklage não tenha ficado para trás.

Na verdade, alguns dos leitores podem estar imaginando que fiz esse texto devido ao sucesso de Peter Dinklage na série da HBO, “Game of Thrones”. É claro que sim.

Dinklage vem sendo brilhante com as suas atuações como “Tyrion Lannister” e não era para menos que me deixasse interessado no seu trabalho. Ora, para mim, o ator era um completo desconhecido, uma surpresa, alguém que desencantou e mostrou uma grande capacidade apenas recentemente. Antes, lembrava dele por alguns poucos filmes como mero coadjuvante.

Contudo, The Station Agent, é a prova de que não é de hoje que Dinklage vem nos presenteando com o seu dom de atuar. O filme foca exclusivamente no seu personagem, Finbar McBride, ou seja, uma responsabilidade enorme.

Peter nos passa, através de sua interpretação, seu desejo de solidão no olhar. As cenas são lideradas e conduzidas por sua atuação, tanto que os outros atores, nitidamente, o seguem nas cenas.

Enfim, me deparar com um trabalho, para mim, semelhante ou melhor que o que ele vem fazendo na atualidade, confirmam que Peter Dinklage merece trabalhos dignos, não de sua estatura, mas sim, proporcionais ao seu talento.

A obra foi premiada em diversos festivais, inclusive no Sundance Film Festival em 2003.

O Agente da Estação é uma experiência maravilhosa. Um exemplo do que a amizade e o amor é capaz de superar. Os medos, as dificuldades e preconceitos se tornam muito mais insignificantes quando se tem amigos capazes de lhe fazer enxergar que você é maior que isso tudo. A película é um bom exemplo de que a obra deve ser medida pelo conteúdo e não pelo tamanho.

Iêdo Júnior

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2 pensamentos sobre “Peter Dinklage brilha também em “O Agente da Estação”

  1. Cara… esse filme é demais!

    Vi ele há um tempo atrás. Antes do fenômeno GoT, e Peter Dinklage já se mostrava um bom (eu resisti a piada) ator.

    A forma como o filme aborda a questão de solidão e preconceito, e como muitas vezes nós mesmos nos isolamos por medo, me faz lembrar a música “Muros e Grades” do Engenheiros do Hawaií, muitas vezes nossos próprios medos nos motiva a erguer defesas, muros, para nos proteger, assim temos a garantia de que morreremos sozinhos e vazios!

    Grande filme, altamente indicado!

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  2. Também fiz esse trajeto: fui atrás de outros filmes com ele. Eu, com minha tendência às “paixonites”, convenci-me que era muito fácil ganhar prêmios com um personagem como Tyrion Lannister.
    Vi o filme e, para minha felicidade, contradisse a minha descrença.
    Também fale a pena vê-lo no filme “Sob Suspeita”, de Sidney Lumet – só ser escaldo por ele já diz algo.

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