Histórias Cruzadas (The Help 2011)

 

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HISTÓRIAS CRUZADAS

Quando Octavia Spencer se dirigiu ao palco da festa do Oscar de 2012 para receber sua estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, seria apenas a 6ª mulher negra a receber um prêmio da Academia em 84 edições da premiação. Não que seja um feito histórico comparável ao Oscar de Hattie McDaniel em 1939 por “E o Vento Levou”, mas digno de nota, tendo em vista a própria cultura de racismo Americano, bem como por seu papel em um dos filmes mais marcantes dos últimos tempos que abordam a questão racial. The Help – Histórias Cruzadas (2011), filme magnífico, muito bem dirigido e com atuações impressionantes.

O filme foi adaptado da obra literária homônima da escritora Kathryn Stockett. A responsabilidade da adaptação recaiu sobre Tate Taylor, que também dirigiu o filme. É notável o bom roteiro e a direção, tanto que conseguiu fazer com que três atrizes concorresssem à prêmios da Academia pela atuação.

Histórias Cruzadas narra a vida de empregadas domésticas negras numa cidade sulista americana do Estado do Mississipi. Uma jovem repórter, chamada Skeeter Phelan (Emma Stone), em busca de emprego numa revista, dá início a um projeto de um livro onde vai contar o que passam as mulheres negras que trabalham nas casas dos habitantes mais abastados do lugar. Devido ao forte racismo que permeia a sociedade local, as entrevistas ocorrem na surdina, sem que as patroas tomem conhecimento. Inicialmente, apenas duas empregadas, Aibileen Clark (Viola Davis) e Minny Jackson (Octavia Spencer), aceitam, com alguma relutância, divulgar suas histórias. Skeeter começa a perceber as dificuldades que elas passam e sente o peso de fazer parte dessa sociedade opressora. Em pouco tempo várias outras trabalhadoras domésticas topam contar o que sofrem no trabalho, divulgando defeitos de seus patrões. A publicação do livro vai gerar vários conflitos, principalmente de Skeeter com suas amigas, pessoas que, apesar de não terem seus nomes divulgados, sabem que o livro é uma forte crítica ao estilo de vida sulista, bem como as colocam em situações vexatórias. No entanto, o livro vai servir como um tipo de alforria para Minny e Aibileen, principalmente para esta, que passará a enfrentar as injustiças que sofre de sua patroa.

Quando digo que o trabalho de direção de Tate Taylor foi muito bom, se deve ao fato de que as atuações estão impecáveis. Viola Davis e Octavia Spencer dão um show de interpretação. As atrizes contracenam em muitas cenas do filme, e não dá para negar que existe uma interação entre elas capaz de enxergarmos apenas as personagens, esquecendo o trabalho das profissionais. Outra que fez um ótimo trabalho foi Jessica Chastain, no papel da excêntrica jovem patroa de Minny, Celia Foote. Viola Davis concorreu ao Oscar de Melhor Atriz, no entanto disputou com grandes nomes e não dava para tirar o prêmio das mãos de Meryl Streep esse ano. Octavia Spencer e Jessica Chastain concorreram ao Oscar de Atriz Coadjuvante. Octavia foi a vencedora, mas ela também levou no mesmo ano o Critic’s Choice Award, o Globo de Ouro, Screen Actors Guild e o BAFTA, se igualando a outras oito atrizes que conseguiram o mesmo feito, tais como Natalie Portman e Renée Zellweger.

Hoje em dia, a grande maioria dos filmes prezam pela parte técnica, são primores de fotografia e figurino, estonteantes na mixagem de som, e deslumbrantes nos efeitos especiais. Mas transmitir emoção verdadeira, sentida pelo personagem, é outra história. The Help é um desses filmes. Sentir a vergonha que passam as empregadas, se revoltar com a discriminação racial, a condição muitas vezes desumana que são tratadas, são apenas alguns dos sentimentos que afloram quando assistimos ao filme. Em pouco tempo passamos da raiva para o riso, e daí para as lágrimas. Acho muito difícil não se emocionar com a história de Aibileen e Minny.

A temática da discriminação racial americana é recorrente em vários filmes. Não é de hoje que vemos escancarados os defeitos da sociedade dos Estados Unidos. Alguns podem até achar que Histórias Cruzadas é mais do mesmo. Só que ao se enredar na trama, notamos que não é só a crítica ao racismo que nos aproxima da obra cinematográfica, e sim a superação pessoal dos personagens. Uma indentificação com tudo que temos vontade de expressar diante das injustiças, mas que só temos coragem de divulgar sob pseudônimo.

Iêdo Júnior

IMDB – ROTTEN TOMATOES

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