Masmorra Play #2 – La Cabina

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Mais um Masmorra Play! E dessa vez Angélica Hellish e Marcos Noriega convidaram o amigo Douglas Fricke, o Exumador do Podtrash para juntos assistirem um curta!

Esse curta que nos foi apresentado por Carlos Larios do Larioscine em sua excelente postagem sobre cinema de horror espanhol, o La Cabina.

LACABINA

La Cabina é um média metragem dirigido por Antonio Mercero, com roteiro de Juan José Plans, José Luis Garci e também do próprio diretor. Foi exibido na TV espanhola em 13 de de Dezembro de 1972, a RTVE.

Projetado para ser um episódio da série “Trece Passos por Lo Insólito” (que acabou não sendo produzida) o diretor usou de seu prestígio pelo grande sucesso  da série “Crônicas de Un Pueblo” para insistir com a rede televisiva que acabou autorizando que se produzisse o média metragem..

– Quase barrada pela censura na época, essa obra com um viés bem kafkiano do diretor Antonio Mercero – que insistia que La Cabina era uma obra surrealista não se tratando de uma crítica ao governo fascista de Franco – Na época o diretor foi muito inteligente em negar, pois a crítica é visível nas entrelinhas do média metragem.

– O ator José Luis Lopéz Vasquez estava gravando na época o filme Pedro Lazaga El Vickingo, recebeu o roteiro e se apaixonou. Imediatamente pediu ao seu agente José Maria Gavillan para abrir espaço em sua agenda para que pudesse rodar o curta.

Youtube:
Prêmios e curiosidades:

– As filmagens iniciaram-se em  07/07/1972 e continuaram por todo mês de Agosto.

 As locações: Plaza de Arapiles, onde se inicia o curta, alguns subterrâneos, avenidas recém inauguradas de Madri, alguns locais em Portugal, na represa de Aldeavilla e no final angustiante do curta, o  terminal do aeroporto de Barajas.

– A cabine foi pintada de vermelho e os vidros foram substituídos por plásticos removíveis, devido ao calor.

– A trilha sonora teve papel importante durante o filme. Foi escolhida a melodia “O Triunfo de Afrodite” composta por Carl Orff que queixou-se do uso de sua música sem autorização.

– Exibições na TV:

13/12/72 – 24/11/73 – 20/12/92 – 27/11/98 e atualmente no site da RTVE encontra-se disponível para assistir com comentários do diretor.

– O média metragem foi bem recebido pela crítica. Entre seus inúmeros prêmios incluem o Quixote de Ouro, Melhor Diretor para do National Television Awards 1973 apara Antonio Mercero, o prêmio Ondas 1973 para Mercero, o Emmy 1973 de  Melhor Filme para TV, o melhor programa dramático Canal 47, em Nova York, em 1973, os críticos internacionais agraciaram com  Prêmio Montecarlo Festival de 1973,  Marconi Award MIFED Milan 1973 e em 1972 Plata Quadros melhor ator de TV para José Luis López Vázquez.

O público teve certa dificuldade em traduzir o significado da história e o média metragem  gerou pânico das cabines telefônicas as quais ninguém mais quis usar com as portas fechadas.

Assista aqui na íntegra e sem comentários

Edição do vídeo de Henrique Valério do Randomcast (vamos agradecer e visitá-los, pois tanto o site quanto os podcasts são incríveis! )

Arte das imagens exibidas no início de Daniel de Assis

Arte do banner de Mariana

Assista aqui o Masmorra Play #1 – Fotos Post Mortem e as curiosas maneiras de se lidar com o luto

 

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Masmorra Maldita #1 – Saló ou os 120 dias de Sodoma

saló

Voltando e estreando nosso novo projeto, o Masmorra Maldita!

Que vai abordar filmes de difícil “digestão” e provar que nada como uma boa conversa e mentes abertas para ajudar a mudar sua opinião sobre um filme, ou (quem sabe?) despertar  a curiosidade em assisti-lo.

Nessa edição Angélica Hellish e Marcos Noriega convidaram o amigo Ivan PD e o filme de estréia foi Saló de 1975 direção de Pier Paolo Pasolini obra que traz inspirações de Marques de Sade e da Divina Comédia e o mais importante: é uma crítica severa a fascismo.
Youtube:

Assista também: Pasolini Prossimo Nostro de 2006 direção de Giuseppe Bertolucci

Vinheta criada por Felipe de Oliveira (Pó de Estante) e Ivan PD

Edição de Diego Pinto ( Cine Desbravador)  e Angélica Hellish

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Quando Você Viu O Seu Pai Pela Última Vez?

Existem fatos ou eventos na vida que deixam marcas, impossíveis de se apagar. Tais eventos são capazes de mudar a maneira como se enxerga o mundo, as pessoas ao seu redor e até a si mesmo. Questionamentos são levantados, como “por que isso aconteceu?”, ou, “tinha que ser comigo?”. Mas não podemos negar que tais fatos servem como aprendizado, crescimento, fazem parte da vida. E o filme que falarei trata sobre isso: as questões que ficam.

Na verdade, o título da obra em si, já é uma indagação, afinal, Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez? (When Did You Last See Your Father? – 2007).

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Numa sinopse rápida, o filme trata do relacionamento de um escritor, Blake Morrison, com seu pai, Arthur Morrison. Depois de uma infância conturbada, Blake volta para a cidade onde cresceu para cuidar de seu pai, que está falecendo devido a um Câncer que vem lhe atacando o intestino. Nessa situação, o escritor rememora fatos de sua vida com seu pai, inclusive aqueles que causaram desgaste na relação entre os dois. Blake, aparentemente, depois de tanto tempo e apesar de tudo, ainda não conhece verdadeiramente o homem por trás da figura paterna.

 

O filme é baseado no livro autobiográfico do autor britânico, Blake Morrison, publicado em 1993. Dirigido por Anand Tucker, a obra é forte ao nos apresentar os conflitos entre pai e filho. O diretor preservou a dualidade vivida pelo filho (que agora é pai), em contraste com a personalidade extrovertida de seu pai, em várias cenas bem conduzidas de diálogos dos dois. Blake Morrison é interpretado por Colin Firth, num trabalho firme que já dava demonstrações do que veríamos em O Discurso do Rei (2010). Seu pai, Arthur Morrison, é interpretado magistralmente, pelo ator Jim Broadbent. Ficou explícito que a experiência deste foi crucial, principalmente, nos momentos dramáticos do fim da vida de um homem.

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Por se tratar de um relato biográfico, o filme nos convida a presenciar a vida do escritor. Mas, apesar disto, a película nos leva para uma auto-análise . O diretor, por exemplo, faz uso de muitos espelhos em cena, refletindo a figura de Blake Morrison, contudo, ao mesmo tempo, numa metáfora, trata-se do reflexo de nós mesmos e de nossas vidas. Blake representa todos nós, nos nossos conflitos com nossas famílias, naqueles momentos difíceis e nos momentos alegres.

 

A obra em si é um esforço dramático que espelha  o relacionamento chave entre Pai e Filho. Nem sempre este relacionamento é pacífico. Acredito que todos nós temos nossas diferenças com nossos pais, apesar de amá-los. Justamente o que ocorre no filme. O filho ama o pai, mas não aceita ou compreende certas nuances que permeiam a figura paterna, inclusive no que envolve a fidelidade.

 

É um bom título para mexer com a nossa consciência. Talvez seja inevitável as comparações pessoais, até porque é a intenção do filme o envolvimento do espectador. Também, dificilmente, dá para segurar as lágrimas, que fluírão mais fortes se, de alguma forma, a obra representar a realidade de quem assiste.

 

Pessoalmente, acredito que “Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez?” dividirá opiniões. Haverá quem goste e quem não ache o filme lá essa coisa toda. Mas me senti na necessidade de falar sobre ele e de relatar um fato que me impulsionou a assistí-lo.

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Na verdade, já fazem 2 anos que assisti esse filme, mas só agora consegui escrever estas linhas de texto. Ocorre que, mesmo tendo uma infância feliz com meu pai, mesmo após a separação com minha mãe, depois que cresci e virei pai perdi o contato com ele. Algumas diferenças, que agora confesso que nem me lembro, me deixaram num hiato de pelo menos 8 anos sem contato com ele.

 

Há 2 anos atrás ele faleceu; um fato tão repentino que não deu tempo de me despedir, nem falar nada para ele, principalmente que o amava. Sofri muito com isso, pois diferente de Blake Morrison, não tive a oportunidade de estar presente em seus momentos finais. Hoje, quando me lembro, percebo que não cheguei a conhecer, verdadeiramente meu pai, e talvez, nem ele a mim.

 

Passei 2 dias na sua cidade após o falecimento, revendo meus familiares, velando seu corpo e no sepultamento. Apenas quando voltei para casa, um fato me fez conhecer esse filme e me compeliu a vê-lo. Checando meu e-mail, recebi uma newsletter de um site de filmes com algumas dicas para download. Dentre os títulos me deparei com este: “Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez?”. E o mais incrível ainda, é que a mensagem chegou na minha Caixa de Entrada na madrugada do dia em que meu pai faleceu. Ironia do Destino? Na verdade não sei.

 

Mas quanto a pergunta que o filme nos faz, de quando o vi pela última vez, posso dizer que ainda não a respondi, pois eu não me lembro. Pesar que levarei para o resto da vida.

 

Mas e você, amigo leitor? “Quando Você Viu Seu Pai Pela Última Vez?”. Corra, não perca tempo.

 

Iêdo Júnior