Calabouço da Liv #01 – Dicas Independentes: Capitão Fantástico e O Universo no Olhar

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[Não contém spoilers]

Alguns filmes são lançados de forma tão tímida que se você não for atento acaba perdendo. É o caso da maioria dos filmes de baixo orçamento, os independentes. Mas vocês já sabem disso. O que eu quero fazer aqui de tempos em tempos é indicar alguns filmes que passam despercebidos pelo grande público, mas que apesar de serem pequenos em produção são grandes em significado e fazem bons sucessos em festivais. Nesse primeiro post vou começar por dois filmes, de certa forma, recentes: Capitão Fantástico e O Universo no Olhar. Os dois longas me emocionaram bastante por razões diferentes, mas ambos focam na complexidade das relações humanas.

O primeiro sobre qual falarei é Capitão Fantástico (Captain Fantastic, 2016) dirigido e escrito por Matt Ross, que é mais conhecido por sua atuação em diversas séries, em especial Big Love e Silicon Valley, ambas da HBO. Viggo Mortensen encabeça o elenco, e ele está tão incrível que sua performance lhe rendeu uma indicação ao Oscar. Mas não podemos falar apenas dele, pois as seis crianças estão maravilhosas também, e é impossível você não se importar com essa família incomum logo de cara.

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O filme conta a história de Ben, que cria seus seis filhos de forma alternativa em uma floresta dos EUA. E quando eu digo ‘de forma alternativa’ eu quero dizer que ele faz as crianças escalarem, lutarem, plantarem, lerem livros muito avançados para suas idades, tocarem diversos instrumentos e aprenderem variadas línguas. Sim, é tudo bem puxado, mas aparentemente as crianças parecem gostar. Apesar dessa criação ter sido pensada em conjunto com sua esposa, Leslie, Ben cuida das crianças sozinho, pois Leslie vai e vem de hospitais, devido a alguns problemas mentais.

A situação muda, porém, quando algo muito sério acontece e todos eles decidem sair de seu território para chegar a outro lugar (e eles vão com seu estilizado ônibus Steve). Logo todos percebem o quão diferente é a realidade de viver em sociedade e diversos conflitos e questionamentos surgem, inclusive no próprio Ben, que tem bem mais experiência fora da floresta.

Capitão Fantástico é um filme maravilhoso e corajoso, toca em temas que muita gente considera taboo, e te deixa cheio de reflexões quando acaba. Afinal, existe algo mais complexo do que nossas relações sociais e o que é esperado de você perante a sociedade? Como é o ser humano em sua essência? A forma de educação tradicional é a melhor para as crianças? Qual é a verdadeira sabedoria? São muitas questões difíceis de responder porque nos já estamos inseridos nessa realidade. Enfim, indico a todos esse filme brilhante com diálogos poderosos, não só entre adultos, mas entre crianças também, o que é algo raro de se ver na tela. Mesmo se você não concordar com algumas das ideias expressas lá, você vai se emocionar e se identificar de alguma forma. Capitão Fantástico, com certeza, não é um filme que te abandona quando termina.

O segundo filme de hoje é O Universo no Olhar (I Origins, 2014) dirigido por Mike Cahill, que também é o responsável por Another Earth (2011), outro filme bem sensível e reflexivo. Como ator principal temos Michael Pitt, que tem sua carreira praticamente toda baseada em filmes independentes. Ele interpreta Dr. Ian Gray, um jovem cientista especializado na biometria por íris ocular. Ele tenta provar que o olho humano evoluiu por si só, ou seja, sem um “designer” inteligente. As coisas começam a mudar quando ele conhece Sofi (Astrid Berges-Frisbey) em uma festa, com quem tem uma conexão muito forte à primeira vista.

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Eu não posso dar muito mais detalhes, porque o filme é uma surpresa atrás da outra. Ele é uma bonita mistura de drama, romance e ficção científica. A obsessão de Ian com o olho humano e sua história com Sofi vai levá-lo a descobrir coisas bem maiores do que ele acreditava ser possível. O filme consegue fazer um belo paralelo entre crença e ceticismo sem desrespeitar nenhum dos lados, pelo contrário, é como se um completasse e precisasse do outro. Assim como Capitão Fantástico, ele não é um filme que irá te abandonar quando acabar. O Universo no Olhar nos oferece uma explicação sobre as relações humanas e sua ligação com o universo e a metafísica, mas ele não te força a acreditar em nada. Portanto, mesmo se você não for fã de ficção científica ou filosofia eu ainda me arrisco a dizer que ele vai te tocar e te emocionar de alguma forma.

PS: Ambos os filmes têm trilhas sonoras fantásticas!

Trailer de Capitão Fantástico:

Trailer de O Universo no Olhar:

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