Calabouço da Liv #02 – As belezas e horrores do Found Footage

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Afinal, o que seria o found footage? A maioria das pessoas já ouviu esse termo antes e eu arrisco dizer que já assistiu filmes nesse estilo também. O termo found footage, em uma tradução literal, quer dizer “filmagem encontrada”, ou seja, seria aquele vídeo filmado amadoramente (na maior parte das vezes, pelo menos) que foi achado em algum lugar depois de algo – geralmente ruim – ter acontecido. Essa técnica é usada, principalmente, em filmes de terror e suspense, pois ela te passa um ar de claustrofobia e te coloca no ponto de vista dos personagens, o que te faz sentir uma conexão bem maior com eles, além de muito medo (ok, ás vezes não).

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Muita gente acha que o primeiro filme found footage foi A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project, 1999), longa que causou um alvoroço e um sucesso gigantesco de público. O filme se utilizou muito bem da internet, que nessa época ainda era novidade para muitas pessoas, para espalhar rumores dizendo que o filme era real e que tinha sido feito a partir de fitas encontradas no local onde os jovens foram mortos. Era mentira, claro, mas temos que admitir que foi uma boa sacada de marketing. A verdade, porém, é que não foi A Bruxa de Blair o primeiro found footage, e sim Holocausto Canibal (Cannibal Holocaust, 1980) dirigido por Ruggero Deodato. O diretor chegou a ser preso por ter sido acusado de assassinato em frente às câmeras, e ele teve que levar os atores lá para provar que tudo não passava de ficção. O filme conta a história de uma equipe de resgate que vai tentar encontrar um grupo de cineastas que sumiu na floresta amazônica. Holocausto Canibal têm cenas muito fortes, sendo piores as que envolvem mortes de animais, porque essas realmente são de verdade. Não é um filme que eu indico para muita gente, mas se você tiver estômago forte: boa sorte.

Entre Holocausto Canibal e A Bruxa de Blair nós tivemos alguns filmes menores que também utilizaram o estilo found footage, como Guinea Pig 2, Forgotten Silver (do senhor Peter Jackson), The Last Broadcast e alguns outros. Mas não são apenas filmes de terror, horror e suspense que contam a história assim. Poder Sem Limites (Chronicle, 2012) e Projeto Almanaque (Project Almanac, 2015) são dois exemplos de ficção-científica que utilizaram o found footage. No gênero dramático, temos Zero Day (2003) que é quase um mockumentary sobre o tiroteio em Columbine, e Exhibit A (2007), que apesar de ter uns aspectos de terror, é mais um drama “familiar”. Na parte da comédia o mais famoso é Projeto X (Project X, 2012) sobre um grupo de adolescentes que decide dar uma festa e as coisas acabam saindo do controle.

Normalmente é vantajoso fazer filmes found footage porque eles não exigem tanto orçamento e costumam ir bem na bilheteria, mesmo os menores ás vezes conseguem um lucro bom. Depois da Bruxa de Blair, outros filmes entraram na onda e por isso nós temos vários famosos como: REC (2007), um filme espanhol muito tenso e sufocante (no melhor sentido) sobre alguns jornalistas que estão fazendo uma matéria sobre o corpo de bombeiros e consequentemente acabam os seguindo para um prédio onde uma epidemia sinistra se alastrou; Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007), que é o primeiro de uma franquia que continua até hoje, sobre um casal que decide filmar alguns acontecimentos macabros dentro da sua casa; Cloverfield (2008), que é sobre um monstro gigante atacando Nova York; V/H/S (2012), uma compilação de diversas histórias bizarras, todas de vídeos encontrados; O Último Exorcismo (The Last Exorcism, 2010), típico filme de possessão, porém consegue ser tenso e interessante em algumas partes; e mais recentemente tivemos A Visita (The Visit, 2015), que ficou famoso por ter dado esperanças aos fãs de M. Night. Shyamalan, além de falar sobre um assunto incomum: duas crianças que vão visitar seus avós, mas acabam presenciando coisas bem absurdas envolvendo os ‘bons’ velhinhos.

Além desses é claro que existem muitos mais found footage, porém eu vou citar com mais detalhes aqui cinco filmes não tão conhecidos, mas que me chamaram muita atenção e eu acho que vale a pena indicar:

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  • A Possessão de Deborah Logan (The Taking of Deborah Logan, 2014) – Uma equipe de filmagem acompanha o dia-a-dia da senhora Deborah Logan, que sofre de Alzheimer, e de sua filha Sarah, que deixou sua vida pessoal de lado para cuidar dela. As coisas vão bem até que alguns acontecimentos sinistros passam a rodear a senhora. Pode parecer cliché, mas o filme lida bem e com respeito sobre pessoas com o Mal de Alzheimer, e eu acho bem bonito quando um filme consegue misturar horrores reais com fictícios. Outra coisa que me fez gostar mais do filme é o empoderamento feminino. A líder da equipe e a filha de Deborah são as pessoas mais corajosas do filme, e elas não esperam homem nenhum pra resolver os problemas. Com certeza elas fogem dos estereótipos hollywoodianos de mulheres em longas de terror/horror.

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  • Megan Is Missing (2011) – Esse é um daqueles filmes que eu não indico a todos, inclusive já pedi para algumas pessoas não assistirem. Mas acho que preciso mencioná-lo aqui, porque poucos filmes conseguem me deixar desconfortáveis de verdade e esse foi um deles. A história é sobre Megan e Amy, duas pré-adolescentes muito amigas, que acabam sendo vítimas de um predador sexual que conheceram pela internet. O filme é perturbador, porque mostra com muita crueza uma realidade terrível que, infelizmente, não está muito longe da gente.

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  • Willow Creek (2013) – A sinopse é bem simples e até meio boba: um casal vai investigar o Pé-Grande em uma floresta afastada. Porém, o filme surpreende bastante, pois sabe muito bem construir os personagens e um clima forte de tensão. Não vá esperando um daqueles filmes que tem susto logo na primeira cena. Willow Creek sabe esperar, e quando ele finalmente entrega você sua frio. Sem dar spoilers, mas só citando: toda a sequência dentro da barraca me deixou roendo as unhas de tão tensa. Super indico a todo mundo.

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  • Fenômenos Paranormais (Grave Encounters, 2011) – Grupo de investigadores paranormais que têm um programa de TV decidem ficar trancados durante uma noite dentro de um hospital psiquiátrico abandonado para poderem ter certeza de que o local é assombrado. O que me agradou no filme é que ele não é expositivo, ele não vai lhe oferecer muitas explicações sobre o que está rolando, as coisas simplesmente acontecem. Ele não te promete um filme profundo com questionamentos sobre a vida, apenas um terror tenso e claustrofóbico e é isso que ele entrega. Afinal, há algo mais sinistro do que um manicômio abandonado à noite?

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  • Amizade Desfeita (Unfriended, 2014) – Confesso que fui assistir esse filme com preconceito por se tratar de uma história de adolescentes. Mas, a estética e o estilo do filme realmente funcionam na construção da tensão. Uma adolescente se mata depois que um vídeo seu é vazado na internet e aparentemente seu espírito decide se vingar dos amigos envolvidos – isso tudo online. É claro que o roteiro não é lá essas coisas, mas todo esse clima de “algo que está ali, mas não está” funciona, sem contar que essa “entidade” é muito esperta e antes de passar pro gore gosta de se divertir vendo os amigos se esculacharem entre si.

Enfim, eu sei que deixei de falar de vários outros, mas não dá pra comentar todos, infelizmente. Se vocês tiverem mais indicações de found footage ou quiserem falar de alguns dos filmes acima, por favor deixem comentários!

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