Calabouço da Liv #09 – Aquela que tarda, mas não falha

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As pessoas dizem que existe apenas uma certeza nessa vida: a morte. É verdade. Cedo ou tarde ela vai te encontrar. Mas ok, eu não estou aqui pra desanimar ninguém. A verdade é que podemos olhar a morte de uma forma positiva também, afinal, nós sabemos sabe que ela está por aí, então temos que fazer o máximo que pudermos com o tempo que temos, não é mesmo?

Enfim, não pretendo filosofar aqui. O que eu quero é falar da representação da dona morte no cinema (e, em alguns casos, na tv). Mas antes de entrar nos filmes, é preciso lembrar que a morte já vem sendo representada nas mitologias há muito tempo. Por exemplo, na mitologia grega temos Thanatos, que seria o deus da morte não-violenta, era ilustrado como um homem barbudo com grandes asas. Na mitologia irlandesa existe um espírito da morte chamado Donn, era dito que ele causava tempestades para destruir os navios e atrair mais almas até seu reino. Na mitologia chinesa, Meng Po seria a Senhora do Esquecimento, ela devia ser a responsável por apagar da memória a vida passada das almas prontas para a reencarnação.

No cinema, a morte já foi representada de diversas formas, das mais abstratas até as mais humanizadas, da comédia até a tragédia. É claro que, na maioria das vezes, a morte é tratada com muita tristeza e sofrimento, mais como um espectro que ronda os personagens do que algo materializado. É como uma brisa mortal que pode chegar a qualquer momento, então sua presença é constantemente sentida. Game of Thrones é um bom exemplo disso. Um dos pontos altos da série é que qualquer um pode morrer a qualquer momento, é como se a morte estivesse andando lado a lado com os personagens, mais ou menos uma aura sinistra. Neste sentido de “ser perseguido pela morte” podemos citar aqueles filmes de serial killers indestrutíveis, como os Sexta-Feira 13, os Halloween, Hora do Pesadelo etc. É claro que nestes casos a morte é tida como algo bem violento e gráfico, puxado para o lado sensacionalista, mas é como se o ser assassino fosse a morte em si, o próprio fato dele não morrer representa este aspecto. Neste quesito é essencial citar a famosa franquia Premonição, onde alguém sempre prevê um acontecimento trágico, consegue salvar as pessoas, mas a morte não gosta nada disso e decide corrigir o fato, matando um por um de maneiras bizarras. Existem lendas que dizem que se uma pessoa está destinada a morrer, mas por algum motivo não morre, coisas desastrosas acontecerão ao redor dela até o universo conseguir corrigir o fato.

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Mas nem tudo precisa ser violento e sinistro, a morte também pode ser representada no mundo da comédia. O diretor Tim Burton sabe muito bem como tratar da morte de forma leve e engraçada (ainda que cheia de humor negro). O Estranho Mundo de Jack, A Noiva Cadáver, Frankenweenie, Sombras da Noite Os Fantasmas Se Divertem são alguns dos exemplos. É como se a morte não fosse um ponto final, mas sim uma vírgula, e os mortos têm tanto sentimento quanto os vivos, ás vezes até mais. Outra comédia muito conhecida sobre temas mórbidos é A Família Addams, que mostra uma família um tanto quanto “incomum”. Para eles a morte não assusta, não atormenta, mas sim faz parte de uma das belezas da vida. O próprio visual pálido parece ser uma lembrança de que a morte está dentro deles, mas isso apenas lhe proporciona o tal ponto de vista mórbido, sem prejudicar suas relações familiares. Afinal, quer casal mais romântico e fofo do que o Gomez e a Mortícia?

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Falando em humanos macabros, também temos a morte sendo representada com uma forma física, com consciência própria. Um dos exemplos mais famosos está em O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman. Lá a morte é interpretada por Bengt Ekerot, e além de fazer bico no confessionário da igreja local, também passa grande parte do tempo jogando xadrez com Antonius Block, o personagem de Max Von Sydow. Ele é quase um psicólogo, se você parar pra pensar nisso, debatendo com Block a raiva e a tristeza que ele sente por ter passado anos lutando uma “guerra santa” só para voltar e ver seu país infestado pela peste negra (uma outra representação da morte?).

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Outro exemplo de morte personificada é no filme pipocão Encontro Marcado, onde a morte é interpretada por um dos atores mais lindos de Hollywood: Brad Pitt. O filme em si não é lá essas coisas, mas é interessante como eles abordam a morte se apaixonando por uma humana, mesmo sabendo que esse relacionamento nunca poderia dar certo. É youre-dead-nowclaro que também temos a face mais famosa da morte, a Ceifadora. Afinal, quem não lembra da simpática Dona Morte nas histórias do Penadinho? A minha Ceifadora favorita é a que aparece em Monty Python – O Sentido da Vida. Ela é uma trabalhadora de poucas palavras, que chega pra jantar e acaba levando todas as pessoas que morreram por terem comido salmão estragado.

Anjos normalmente são retratados como seres celestiais que vêm à Terra para ajudar e salvar alguém, mas ás vezes eles podem ser retratados como seres sombrios que vêm angelofdeathpara buscar a alma das pessoas, os chamados Anjos da Morte. Um bom exemplo disso está na série American Horror Story: Asylum, sua segunda (e melhor) temporada. Lá o anjo é interpretado pela maravilhosa Frances Conroy, que consegue dar uma grande sensibilidade para o ser, mesmo quando chega a hora do “beijo da morte”.

Além de ser encarada com medo, a morte muitas vezes é encarada com admiração e mistério. Afinal, quem sabe como a morte realmente se parece não está mais aqui para nos contar. É aí que eu acho importante fazer uma menção honrosa à Martyrs (a versão original francesa, por favor), onde uma organização sombria é obcecada em descobrir o que existe naquele momento em que a pessoa está entre o lado de cá e o lado de lá. Para isso eles as colocam nas mais horrendas torturas, porque segundo eles, só com o sofrimento é que se chega nesse estado.

Enfim, a morte é um assunto muito extensivo, e não existe maneira correta ou incorreta de abordá-la. É um tudo muito subjetivo, e é bonito ver a interpretação que cada roteirista e diretor tem. Apenas observando os vários pontos de vista diferentes é que nós expandimos nossa mente e formamos nossa própria opinião.

O que vocês acham? Deixem nos comentários suas representações favoritas da Morte e quais filmes mais chamam sua atenção sobre o assunto.

 

 

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