Calabouço da Liv #11 – Precisamos falar sobre Michael Pitt

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No primeiro post da série “Precisamos falar sobre…” (que eu decidi virar uma série agora) eu falei sobre a maravilhosa Tilda Swinton, você pode conferir AQUI. Hoje eu decidi falar de outro ator alternativo, que apesar de ter feito alguns blockbusters, prefere se aventurar pelo cinema independente e cult. Assim como fiz no texto sobre a Tilda, falarei sobre sua carreira, citarei seus trabalhos e no final escolherei dois filmes para uma análise mais detalhada.

Michael Carmen Pitt nasceu em New Jersey, EUA. Agora com 36 anos, ele começou a carreira bem novinho. Foi sozinho para New York aos 16 anos, sem dinheiro, sem emprego e sem lugar para ficar. Depois de conseguir um trabalho como mensageiro de bicicleta, ele frequentou a Academia Americana de Artes Dramáticas, mas não ficou lá por muito tempo. Não desistiu de seguir a carreira, porém, e foi por estrear em uma peça pequena de teatro que um agente o descobriu e o sugeriu para tentar um lugar na série Dawson’s Creek, que fez muito sucesso nos anos 90 e 2000. Além de atuar, ele também canta e toca guitarra. Aliás, tem uma banda chamada Pagoda.

MSDHEAN EC024Michael é mais conhecido por frequentemente interpretar papeis complicados, personagens com algum problema ou em uma situação difícil. Seu rosto um tanto quanto angelical serve bem para fazer esse paradoxo entre aparências e conflitos internos. O seu primeiro grande filme foi Hedwig – Rock, Amor e Traição (Hedwig and the Angry Inch, 2001), que conta a história de uma roqueira trans que sai da Alemanha Oriental para os Estados Unidos em turnê, mas tem suas músicas roubadas por seu amante, que é interpretado por Pitt. O filme é bem aclamado pelo público e críticas, tanto pela história quanto pelas atuações. Em 2002, ele atuou em Cálculo Mortal (Murder By Numbers), que é um filme pouco curtido, mas que eu admito 87973a3a04fcb7c47d8d17ceb2390953--michael-pitt-michael-okeefegostar bastante. A personagem principal é a nossa querida Sandra Bullock, uma detetive com um passado problemático, que está investigando um assassinato cometido por dois adolescentes, interpretados por Pitt e Ryan Gosling (e isso não é spoiler, é a premissa do filme), que tentaram fazer um assassinato perfeito. O filme tem problemas, é claro, mas a química entre Pitt e Gosling é muito boa, e o plot twist no final faz muito sentido. Em 2003, porém, sua carreira tem um empurrão graças ao filme Os Sonhadores (The Dreamers), do famoso Bernardo Bertolucci, onde ele interpreta um estudante americano na Paris de 68, em meio aos protestos estudantis. Lá ele conhece dois irmãos, interpretados lindamente por Eva Green (ela merece um post só pra ela) e Louis Garrel. O filme é praticamente uma poesia sobre a sétima arte, apesar de tocar em outros temas polêmicos. Em 2005, ele estrela Os Últimos Dias (Last Days), dirigido por Gus Van Sant, sobre o final da história de um roqueiro depressivo e seus paralelos com a vida de Kurt Cobain, líder do Nirvana.

Além de cinema, Michael Pitt também participou de séries “recentes” bem famosas. Em Boardwalk Empire (2010-2014), da HBO, ele participa de duas temporadas, com um boardwalk-empire-michael-pitt-pic-1654404601personagem bem importante, Jimmy Darmody, um veterano de guerra, traumatizado, que entra em conflito com o personagem de Steve Buscemi, um contrabandista poderoso. Em 2014, ele atua como o detestável Mason Verger em Hannibal (aliás, #SaveHannibal), um milionário egocêntrico com uma psicopatia que enoja até o próprio Hannibal Lecter. Infelizmente, ele não participou da terceira Michael-pitt-as-mason-verger-on-hannibaltemporada, quando o personagem sofre uma mudança drástica. Também em 2014, ele estrelou o bonito e sensível Um Universo no Olhar (I Origins), e eu já fiz um post falando sobre ele, você pode conferir AQUI. O seu filme mais recente foi o blockbuster Ghost in the Shell (2017), com Scarlett Johansson, e eu gostei muito do trabalho físico dele nesse filme, apesar do CGI.

Agora, preciso falar melhor de dois dos meus filmes favoritos com ele, que merecem um destaque a mais.

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Violência Gratuita (Funny Games, 2007), dirigido e escrito por Michael Haneke, que é um remake do filme alemão do próprio Haneke. A história é sobre uma família normal de classe alta, encabeçada por Naomi Watts e Tim Roth, que sai de férias com seu filho e seu cachorro para uma pacata casa de lago. Só que quando dois jovens, Pitt e Brad Corbet (excelente) batem a sua porta pedindo um favor, suas vidas acabam virando de cabeça para baixo, no pior dos sentidos. Acontece que, Paul e Peter (ou seria Peter e Paul? Não sabemos as suas verdadeiras identidades, já que eles se chamam de nomes diferentes a todo momento) são dois psicopatas serial killers que percorrem a vizinhança causando terror nas famílias nas casas de lago. Mas o filme é muito mais do que um clichê de perseguição e gore, pelo contrário, a violência aqui é psicológica. A cada “jogo divertido” que os jovens obrigam a família a fazer o suspense só aumenta. Na verdade, tensão é constante desde os créditos iniciais, e você sente uma pesada nuvem pairando sobre os personagens durante as cenas menos suspeitas. Além disso, o personagem de Pitt quebra a quarta parede em diversos momentos, o que é uma clara crítica a como a mídia retrata e glorifica a violência nos dias de hoje. Não só isso, o filme cutuca as “perfeitas” famílias que vivem em sua bolha confortável, e o baque recebido ao terem tal bolha espetada bruscamente pelos dois jovens doentes. Certamente não é um filme fácil de assistir, não só pelos temas e a tensão, mas também pelos longos plano-sequências que servem para mostrar o sofrimento dos personagens.

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Paixão Proibida (Silk, 2007), dirigido por François Girard. Infelizmente o título em português é bem tosco, e não faz jus ao filme; em inglês a tradução é “Seda”, que descreve muito melhor os temas da história. Michael Pitt interpreta Hervé Joncour, um francês mercador do bicho-de-seda do século XIX, que é casado com Hélène, vivida por Keira Knightley. Depois que uma praga acaba com todos os bichos-de-seda da cidade, ele é obrigado a contrabandear a mercadoria do Japão para a França. E em suas idas até o exótico país, ele conhece uma concubina muito bonita e misteriosa, e imediatamente desenvolve uma grande fascinação por ela. Só que esse interesse acaba acarretando muitos problemas para ele e sua família. O filme se utiliza muito bem do silêncio para narrar algumas cenas belíssimas. A fotografia também é muito boa, principalmente durante suas viagens. A história toda é bem sensível, delicada e consegue segurar a exposição até o final. Quem é fã de romance vai com certeza gostar, mas quem não é também, porque o filme é muito mais do que isso. Ele lida com a saudade, o desejo por algo novo, conflitos internos e descobertas.

Além desses filmes todos citados, ele fez muitos outros mais obscuros, que tiveram pouca circulação por cinemas, mas que parecem ser interessantes também. Enfim, ele é um ator que eu admiro há bastante tempo, e que acredito ser ainda muito subestimado pela indústria. Espero que mesmo se ele crescer nos blockbusters, que ele não se esqueça do alternativo, e eu acho que ele não esquecerá.

E aí, você tem mais algum filme com o Michael Pitt que gosta e quer comentar? Fique à vontade!

 

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