Encontrarás Dragões – Roland Joffé

Conflitos e a Igreja Católica se fazem presentes no núcleo da carreira do diretor inglês Roland Joffé, seja retratando os religiosos ora como aqueles que provêm a iluminação (A Missão), ora como agentes de uma sociedade onde os costumes são instrumentos de opressão (A Letra Escarlate). Em Encontrarás Dragões (There Be Dragons/EUA, Argentina, Espanha/2011) Joffé retorna ao clichê histórico para apresentar como uma situação beligerante – no caso, a Guerra Civil Espanhola – influencia e altera o curso da vida das pessoas, seja por meio do conflito armado em si, ou em decorrência dos sentimentos que afloram em tempos de violência extrema: ciúme, inveja, paixão…

Três núcleos envolvidos no conflito são apresentados, e que se encontram em constante interação. Acompanhamos Josemaria Escrivá (Charlie Cox), um padre que lidera uma pequena resistência católica frente à perseguição que é impetrada aos religiosos pela facção comunista durante a Guerra. Já Manolo Torres (Wes Bentley), amigo de infância de Josemaria, decide seguir pelo caminho do fascismo e se inflitra como espião no grupo de esquerda, este liderado de maneira romantizada por Oriol (Rodrigo Santoro).

Praticamente todos os personagens, e suas ações, são romantizados. Os ideais são bem definidos e não há regiões de cinza; mocinhos são mocinhos e bandidos são bandidos. Apesar da precisão histórica, as relações humanas idealizadas arrefecem a força dramática, talvez o único personagem que conhecemos profudamente, e de certa maneira entendemos, é Manolo. No entanto, o cuidado em retratar um fato tão obscuro e violento do século XX – como bem disse o ator Rodrigo Santoro durante a première do filme no Festival do Rio 2013 – torna Encontrarás Dragões uma importante obra quando se quer conhecer um pouco mais da história política da Península Ibérica. Todas as cenas de batalha são muito bem realizadas, e de fato é possível imergir virtualmente em uma situação de Guerra, seja pela tensão causada pelo estado de sítio, seja pela sensação de morte iminente quando dentro de uma trincheira.

A mensagem poderia ter sido passada de maneira mais eficiente, contudo. O sotaque espanhol forçado e caricato imprimido pelos atores de origem inglesa é risível, e Joffé se perde no dramalhão em boa parte do filme, especialmente devido à trilha sonora. Esta, bastante melosa, está presente em 95% do filme, não dá folga. Ou seja, a trilha nonstop, além de denotar uma tentativa forçada de levar o espectador ao drama, é completamente dispensável em muitas situações. Um erro.

Não há, portanto, um bom casamento entre os dramas pessoais e o horror da Guerra. Mas, Encontrarás Dragões não deixa de ser um ponto crítico na filmografia de Roland Joffé e recomedável não só para os fãs do diretor, mas também para aqueles que desejam conhecer um pouco mais de um conflito que até hoje tem ressonância na sociedade espanhola.

Dados do filme

Direção: Roland Joffé
Roteiro: Roland Joffé
Gênero: Biografia, drama, guerra
Lançamento: 12 de maio de 2011
Duração: 122 minutos
Distribuidora: ZON Lusomundo Audiovisuais

Links

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Weekend: no abismo dos relacionamentos

 

 

Bem, você sabe como é quando você dorme com alguém desconhecido pela primeira vez. […] Você se torna uma tela branca, e então se apresenta a oportunidade de você projetar nessa tela branca quem você quer ser. Isso é interessante porque todo mundo faz isso. […] O que acontece é que enquanto você projeta quem você quer ser… uma lacuna se abre entre esse ser e aquele que você realmente é. E nessa lacuna aparece o que impede você ser quem você quer ser.

Glen

Fim de Semana já está rolando pelas bocas como “o possível melhor filme gay de 2012”, e por aí vai perdendo a sua verdadeira importância. A mania do rótulo tem sido grande inimiga dos filmes fora do ambiente “Pipoca, Coca-Cola & Michael Bay” (lembrando que isso também é um rótulo, porém, muito consumido e popular), mania de espectadores e críticos de adequarem um filme a um  grupo específico, gerando, a partir daí, um nicho de consumo e interesses. Os rótulos artísticos podem até funcionar na maioria de suas aplicações, mas deixa passar muitas “exceções à regra” e particularidades, como é o caso de Fim de Semana, segundo filme de Andrew Haigh. Bem longe de se enquadrar num termo reducionista, o longa se apresenta como um reflexo dos relacionamentos, vida e amores dos jovens adultos em nosso século.

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O Nome da Rosa

Adaptações cinematográficas de obras literárias nem sempre conseguem agradar tanto os que leram o livro, como também os que estão tendo o primeiro contato com a mesma através da película. Alguns filmes conseguem, com um bom roteiro adaptado, trazer para as telas o espírito, o clima, e a personalidade dos personagens presentes num bom romance. Muitas vezes, a análise de um filme adaptado deve se afastar do livro que lhe deu a inspiração. Mas não podemos deixar de criticar quando a obra cinematográfica diminui, com uma péssima adaptação, a grandiosidade e importância de uma obra literária. Mas fiquemos tranquilos, esse não é o caso de O NOME DA ROSA – Der Name der Rose (1986).

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Drive

O diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn é um dos nomes mais promissores do cinema mundial, com pouco menos de 10 filmes dirigidos por ele, todos com temáticas completamente diferentes um do outro. Com um talento único para visualizar cenas impactantes, o diretor consegue criar uma visão muito própria em seus projetos. Destaque para Bronson, filme que ajudou na carreira do ator Tom Hardy.

Drive é o novo trabalho do diretor, o filme conta com atores muito talentosos e alguns conhecidos. Ryan Gosling faz o protagonista do longa, o “dublê sem nome”, piloto de cenas de ação que à noite é piloto de fuga para assaltantes, ele tem suas regras pessoais e as deixa muito claras para os seus contratantes.

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Mientras Duermes

Há alguns anos tive a oportunidade de ver um filme espanhol de terror em uma sessão de meia-noite de sábado, sozinho na sala de cinema. Na época (e ainda hoje, um pouco) tinha certo apreço por esse tipo de experiência. Ora, conhecia Almodóvar, alguma coisa de Luis Buñuel (espanhol, apesar de naturalizado mexicano), mas não me lembrava de nenhuma grande menção ao cine de terror daquele país.

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Batismo de Sangue

O filme “Batismo de sangue” é dirigido por Helvécio Ratton, baseado no livro de mesmo nome, escrito por Frei Betto, interpretado com talento no filme pelo ator Daniel de Oliveira. A história acompanha a vida dos cinco Freis: Tito, Betto, Fernando, Ivo e Oswaldo. Toda a trajetória desses homens no decorrer da Ditadura Brasileira.

O filme começa ao mostrar o personagem principal, Frei Tito, ao se enforcar numa árvore, em um monastério na França, durante o tempo que ele ficou exilado do Brasil. Começamos a ver toda sua história com os outros padres e como se decorreu o envolvimento deles na luta contra a ditadura armada no país. Continuar lendo

A Malvada

Produção norte-americana de 1950. Direção e roteiro de Joseph L. Mankiewicz. Com Bette Davis, Anne Baxter, George Sanders, Celeste Holm, Gary Merrill, Hugh Marlowe.

Narrado em flashback a partir da noite de entrega do prêmio Sarah Siddons, o filme acompanha a estória de Eve Harrington. Eve é uma moça (Anne Baxter), fã de uma atriz famosa – Margo Channing (Bette Davis) – que, em dado momento, conhece o objeto de sua admiração e acaba tornando-se sua  “protegida”. Aproveitando-se dessa premissa, o diretor/roteirista desenvolve uma análise bastante minuciosa e ácida sobre o ambiente em que vive a atriz.

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Caráter

Não existe maior incentivo na vida de uma pessoa do que a sua família. Sempre que lutamos para conseguir algo, ela está lá para nos ajudar; toda vez que estamos com problemas, nossa família está presente para nos dar suporte. Isto, pelo menos, é o que se espera. Na verdade, nem sempre é assim. Por mais duro que possa parecer, não são todos os pais, não é toda família que faz o melhor para os filhos. Mas será que quando um pai está fazendo algum mal para o filho, ele não estaria lhe fazendo um bem? Essa é uma das mensagens transmitidas em Karakter – Caráter (1997).

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Um Filme Sérvio

Brutal, insano, doentio e visceral, certamente são adjetivos usados por várias pessoas que assistiram ao terror audiovisual A Serbian Film.

Todos que empregarem esses adjetivos, não serão sensacionalistas, pois o filme é, em relação às suas cenas, visualmente terrível e impactante. Fui procurar o filme após ter lido várias notícias sobre o festival de cinema fantástico RioFan, onde a Caixa Econômica Federal vetou a exibição do longa, onde iniciou-se uma série de protestos e discussões sobre a censura nos cinemas e festivais brasileiros.Obviamente sou a favor da recomendação de faixa etária para o público, mas completamente contra a qualquer forma de censura, principalmente relacionada ao cinema.

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Out of Africa

Recentemente, aproveitando o ensejo do site Cinemasmorra, com o projeto de podcasts sobre clássicos do cinema, resolvi tentar relembrar um filme que vi há muito tempo atrás e analisá-lo hoje, diante da pouca experiência que agora tenho com a idade, mas que no passado nada tinha. O filme é Out of Africa – Entre Dois Amores (1985). Decidi por essa obra porque me chamou a atenção o fato dela ter me emocionado tanto no passado.

Out of Africa, filme do Diretor Sydney Pollack, é baseado num trecho da vida da escritora dinamarquesa, a Baronesa Karen Blixen, também conhecida pelo seu pseudônimo de Isak Dinesen.  Grande parte do roteiro foi retirado do livro da própria Karen, “A Fazenda Africana”. O filme é uma obra encantadora, com grande atuação de Meryl Streep, interpretando a própria Karen; de Robert Redford, no papel de Denys Finch Hatton, amante de Karen; e Klaus Maria Brandauer, como o Barão Bror Blixen, seu marido.

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A festa de Babette

Produção dinamarquesa, de 1987, ganhadora do Oscar de melhor filme estrangeiro. Direção de Gabriel Axel. Roteiro de Gabriel Axel, baseado num conto (de mesmo nome) de Karen Blixen. Com: Stéphane Audran, Bodil Kjer, Birgitte Federspiel, Jarl Kulle, Jean-Philippe Lafont.

Karen Blixen escreveu seus livros sob o pseudônimo de Isak Dinensen, numa época em que não era de muito bom-tom uma mulher escritora em meio à sociedade chauvinista. Além deste, outra obra sua também serviu de inspiração para um filme: “Out of Africa”, de 1985, baseado no seu livro mais conhecido, “A fazenda africana” (“Den afrikanske Farm”).

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Batendo Papo na Masmorra #24 – O quanto você se expõe na internet?

Nesta edição do B.P.M. Angélica Hellish e Marcos Noriega recebem Mafalda e Eubalena do Monalisa de Pijamas, Fábio Nanni do Zombie Talk, Pablo Lopes do Bar do Nerd e Ivan Motosserra do Rock 30 para conversar sobre como as pessoas se comportam na internet e nas redes sociais.

Edição feita por Angélica e Pablo do Gene Fantástica
Banner feito por Aline Rezener, conheça seus trabalhos aqui,  e o seu blog aqui.
Chamada da vinheta: Fat Frog do Pó de Cash

>>> Alguns textos interessantes sobre o tal sanduíche:

Comercial espanhol sobre consequências da exposição na internet
Trailer do filme Trust (Confiar), citado durante o podcast
Ivan Motosserra no Toscochanchada

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El secreto de sus ojos

Produção argentina, de 2009, ganhadora do Oscar de melhor filme estrangeiro. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de  Juan José Campanella e Eduardo Sacheri, autor do livro em que se baseou o filme – “La pregunta de sus ojos”, publicado em 2005. Com: Soledad Villamil, Ricardo Darín, Pablo Rago, Guillermo Francella, Mariano Argento, José Luis Gioia, Javier Godino, Carla Quevedo.

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Persona

Produção sueca, de 1966. Roteiro e direção de Ingmar Bergman. Com: Bibi Andersson, Liv Ullmann, Margaretha Krook, Gunnar Björnstrand, Jörgen Lindström. Premiado pela National Society of Film Critics Awards nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz (Bibi Andersson) e Melhor Diretor.

Bergman, premiado cineasta, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “A Fonte da Virgem”, “Através de Um Espelho” e “Fanny e Alexandre”, aborda praticamente em todos os seus filme temas ligados a questões existenciais, como a consciência do eu, a mortalidade, a solidão, o pecado, a culpa. E este, que é considerado um de seus melhores filmes, é um ótimo exemplo disso.

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