Calabouço da Liv #10 – Vida real com plot twist?

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[NÃO CONTÉM SPOILERS]

Eu amo documentários, porque eu amo o fato da realidade ser tão absurda e fantástica a ponte de parecer uma ficção. E nas ficções, uma das coisas que mais agradam o público é o plot twist. Para quem não sabe, o plot twist é aquela reviravolta que muda o entendimento do filme no geral ou simplesmente gera uma surpresa importante. E quem disse que só ficção tem isso? Hoje eu vou falar aqui de dois documentários excelentes, que me deixaram realmente vidrada, e que têm reviravoltas bem interessantes. Não se preocupem, não falarei as reviravoltas e não darei spoilers, pois quero que vocês os confiram!

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Sexismo e o real valor da mulher no documentário Miss Representation

” A forma mais comum das pessoas abdicarem de seu poder, é pensando que não tem nenhum” – Alice Walker

Com essa frase da premiada escritora, vencedora do prêmio Pulitzer e também ativista afro-americana (de A Cor Púrpura) começa o documentário Miss Representation, premiado no Festival De Sundance no ano passado, com direção de Jennifer Siebel Newson que saiu para TV fechada em 2011 e que questiona o como a sociedade atribui valor a mulher. Como assisti hoje, gostaria de compartilhar aqui algumas impressões com vocês caros leitores (as)

Não é raro a mulher atual se sentir incomodada com tantas cobranças e imposições da sociedade, dos homens, de outras mulheres, de suas famílias…

Muitas perguntas a afligem: “Estou bonita? Sou bem sucedida? Engordei? Estou velha para o mercado de trabalho atual? “ e tantas outras!

Como mulher, blogueira e como mãe que sou (de uma adolescente) tenho observado toda sorte de comportamento, no mundo virtual e real:

Homens que precisam se auto-afirmar falando dos atributos físicos das heroínas dos filmes de ação, outros que denigrem a imagem da mulher quando essa representa ou expõe uma ameaça mesmo que velada a sua virilidade, por assumir publicamente apreciar o sexo e fazê-lo sem culpa ou intenção de laços futuros.

Mulheres que atraem para si uma atenção (muitas vezes negativa, infelizmente) expondo sua vida íntima e pessoal para tantos desconhecidos, sem se preocupar como isso pode repercutir futuramente na vida pessoal e profissional.

A gente cresce, muda a maneira de pensar em relação a tanta coisa nessa vida!

Vivemos sob o peso de um padrão comportamental, isso é óbvio.

Hoje em dia, nos classificados de emprego dos jornais, já é proibido solicitar que só se apresentem ao cargo, os de boa aparência.

Nesse mercado competitivo todos sofrem uma ou outra decepção por saber que muitas vezes serão rejeitados mesmo sendo mais gabaritados do que aqueles que conseguem a vaga disponível na empresa.

Eu mesma tenho uma querida sobrinha, (acima do peso) que tão inteligente, comunicativa e bem formada como é, não consegue um bom emprego à altura de sua capacitação profissional!

E já chegaram ao cúmulo de ligar mais de uma vez da mesma empresa para ela, sendo que já lhe haviam dispensado anteriormente após breve triagem com muitos e efusivos (e hipócritas) elogios ao excelente currículo que ela possui.

Nesse documentário, várias atrizes, mulheres poderosas da política estadunidense, apresentadoras de telejornal americano e programas de televisão, jovens estudantes, cineastas, mulheres maduras e também donas de casa falam como se sentem com toda essa pressão injusta que a sociedade, a mídia enfim, que a vida traz para nós mulheres.

Quão emocionante e triste é o relato da adolescente que, em meio às lágrimas, assume o desespero por não saber como ajudar a irmã mais nova, tão frustrada por não ter uma aparência que condiz com o que ela vê na TV, nos clipes musicais, na escola e se corta às escondidas.

E que assustadoras são as imagens das pequenas misses? Tão maquiadas e oprimidas pelos pais e pela competitividade desses concursos insanos.

Como o cinema apresenta a mulher atualmente?

Ela, quando protagonista de filmes: Seja esses de ação, de mulher empreendedora como em Uma Secretária de Futuro, ou mesmo diversas histórias de pura aceitação pessoal como em Bridget Jones só para citar um exemplo, é necessário que haja um homem, um Sr. Darcy, esse príncipe encantado para que ela se aceite como é, liberta de qualquer estereótipo?

Em suma, um bom documentário que acredito deveria ser assistido por todos. Mas principalmente por homens de todas as idades, pois elucidaria várias dúvidas que os ajudaria a evitar várias afirmações equivocadas ou injustas como as que “a animação Brave não fez sucesso, pois os meninos não querem ir ao cinema ver uma protagonista, isso serve também para outras animações onde ocorre o mesmo “

As crianças absorvem e aceitam o que lhes é mostrado e falado no dia a dia como verdade absoluta. Resta a nós pais, irmãos, amigos e educadores ensinarmos que nem tudo que a mídia reproduz como certo e esperado é verdadeiro e merece ser imitado.

Boa reflexão meu amigo (a) e o link está aqui para que você conheça esse documentário.

Viste a página oficial aqui

IMDB

Rotten Tomatoes

Paradise Lost – A trilogia de documentários que salvaram vidas

Documentário é um gênero cinematográfico cujo cerne é a exploração da realidade. O que não quer dizer que este tipo de mídia não tenha obras ficcionais. Nada muito diferente dos outros gêneros, apenas que quando retratam a realidade, normalmente o fazem de uma forma jornalística, muitas vezes didática, podendo ainda abordar o tema central de forma retórica e dialética. Em resumo, o objetivo principal de um documentário é informar e discutir o assunto do qual pretende transmitir, analisando mais de um aspecto relativo ao fato em questão.

Assim, é mais do que normal que um documentário possa influenciar a opinião pública através da forma como se propõe a tratar sobre o tema escolhido. Naturalmente, isso aconteceu com a trilogia de documentários da HBO, Paradise Lost, produzidos e dirigidos por Joe Berlinger e Bruce Sinofsky.

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Masmorracast # 23 – Documentário. A câmera crítica.

Neste podcast,Angélica Hellish,Marcos Noriega,Polly Ana e João Paulo comentaram três ótimos documentários cada um,e ressaltaram a importância de assistir esse gênero cinematográfico que traz novas perspectivas sobre problemas que a Televisão não mostra.
E aí…Qual é o seu preferido?Comenta!
contato.cinemasmorra@gmail.com

Olhar Estrangeiro
Direção:Lúcia Murat – Ano: 2006
Buena Vista Social Club
Direção:Win Wenders – Ano: 1999
The Celluloyd Closet
Direção:Rob Epstein,Jeffrey Friedman – Ano: 1995


Estamira
Direção:Marcos Prado – Ano: 2006
À Margem do Corpo
Direção:Débora Diniz – Ano: 1998
Aborto dos Outros
Direção:Carla Gallo – Ano: 2007

Bem Vindo à São Paulo
Direção: Leon Cakoff, Wolfgang Becker, Renata de Almeida, Kiju Yoshida, Mika Kaurismäki, Phillip Noyce, Caetano Veloso, Jim McBride, Hanna Elias, Maria de Medeiros, Ming-liang Tsai, Ash, Mercedes Moncada, Andrea Vecchiato, Amos Gitai, Daniela Thomas
Brasil-Brasil
Direção:Robin Denselow Ano:2007
Home – O mundo é nossa casa
Direção: Yann Arthus-Bertrand – Ano: 2009

Ilha das Flores
Direção: Jorge Furtado Ano: 1989
Muito além do Cidadão Kane
Direção: Simon Hartog – Ano: 1993
Religulous
Direção: Larry Charles – Ano: 2008

Citados no podcast:
Reel Bad Arabs – Como Hollywood Vilificou um povo
Maria Bethânia – Música é Perfume

“O vídeo documentário como instrumento de mobilização social “
Por Vanessa Zandonade e Maria Cristina de Jesus Fagundes

O documentário surgiu da característica original do cinema de registrar os acontecimentos cotidianos das pessoas e animais. As primeiras evidências históricas, enquanto gênero cinematográfico, surgiram com o norte americano Robert Flaherty, o qual acompanhou a vida dos esquimós do norte do Canadá de 1912 a 1919 e lançou o filme Nanouk, o esquimó, em 1922.
Diante da realidade brasileira, em que há um elevado grau de analfabetismo e baixo poder aquisitivo da maioria da população, o acesso à cultura e ao conhecimento, de um modo geral, torna-se `privilégio’ de poucos. A percepção dos acontecimentos da sociedade como um todo, provém, principalmente, dos meios de comunicação de massa.
A apatia da maioria da população frente aos acontecimentos diários transmitidos via mídia televisiva, deve-se à falta de compreensão das realidades veiculadas. Sem clareza das idéias, apáticos com relação aos problemas e sem a compreensão dos fatos, os membros das comunidades não conseguem se organizar em busca de melhorias. Dessa forma, desencadeia-se um processo de estagnação social, no qual os fatos são absorvidos sem nenhum questionamento. O jornalista Michael Kucinski, ressalta no livro Conceitos de jornalismo, os problemas acarretados pelos noticiários. Segundo ele: “Schulz critica as reportagens qualificando-as de superficiais e desprovidas da preocupação de assinalar as tendências fundamentais e os contextos mais amplos.”
O documentário deve promover a integração entre os membros da comunidade retratada e desenvolver a cooperação entre eles, de forma a enriquecer os conhecimentos individuais e coletivos. Possibilita ainda ao jornalista especializado no gênero, a oportunidade de dedicar-se aos fatos do cotidiano, os quais envolvem todos os tipos de pessoas, independente da raça, cor, religião, ou posição social que exercem e não considerar os “furos” de reportagem como prioridade de produção.

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Filmes Ruins, Árabes Malvados – Como Hollywood Vilificou um Povo


Reel Bad Arabs
60 min, documentário, cores, Estados Unidos, DVD
Inglês com legendas em português
Direção: Sut Jhally
Baseado no livro Reel Bad Arabs, de Jack Shaheen
Apresentado por Dr. Jack Shaheen

Documentário que expõe de maneira detalhada como o cinema de Hollywood, desde o início da sua história até os mais recentes blockbusters, mostrou os árabes de forma distorcida e preconceituosa. O filme tem como apresentador o aclamado autor do livro “Reel Bad Arabs”, Dr. Jack Shaheen, Professor da Universidade de Illinois e estudioso do assunto. O filme faz uma análise, baseado em uma longa lista de imagens de filmes, de como os árabes são apresentados como beduínos bandidos, mulheres submissas, homens violentos, sheiks sinistros ou idiotas perdulários, ou ainda como terroristas armados e prestes a explodir pessoas e lugares. Uma maneira brilhante de mostrar em uma narrativa bem construída, como as imagens contribuíram e contribuem para formar os estereótipos em torno dos árabes, suas origens e sua cultura. Para escrever o livro, o autor analisou mais de 900 filmes, o que possibilitou formar esta contra-narrativa, reforçando a necessidade de mostrar a realidade e a riqueza da Cultura e da História Árabes. O filme foi exibido em diversos festivais nos EUA, Europa e Mundo Árabe e recebeu o apoio do Comite Anti-Discrimição dos Árabes Americanos.