Calabouço da Liv #08 – O que é que a Nova Zelândia tem?

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A maioria das pessoas conhece a Nova Zelândia por ser o cenário das trilogias da Terra Média, com suas montanhas esplendorosas e os infinitos campos verdes. Realmente, o país já foi local de diversos filmes e séries devido a sua beleza natural. Xena – A Princesa Guerreira, Avatar, O Último Samurai e Spartacus são apenas algumas das obras que foram gravadas por lá. Peter Jackson e Jane Campion são dois diretores neozelandeses muito famosos internacionalmente, ambos já ganharam Oscars, e gostam muito de explorar as paisagens locais em seus filmes. Se eu fosse uma diretora lá também exploraria, afinal, o país é lindíssimo mesmo, e a sua aura etérea é intemporal.

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Weekend: no abismo dos relacionamentos

 

 

Bem, você sabe como é quando você dorme com alguém desconhecido pela primeira vez. […] Você se torna uma tela branca, e então se apresenta a oportunidade de você projetar nessa tela branca quem você quer ser. Isso é interessante porque todo mundo faz isso. […] O que acontece é que enquanto você projeta quem você quer ser… uma lacuna se abre entre esse ser e aquele que você realmente é. E nessa lacuna aparece o que impede você ser quem você quer ser.

Glen

Fim de Semana já está rolando pelas bocas como “o possível melhor filme gay de 2012”, e por aí vai perdendo a sua verdadeira importância. A mania do rótulo tem sido grande inimiga dos filmes fora do ambiente “Pipoca, Coca-Cola & Michael Bay” (lembrando que isso também é um rótulo, porém, muito consumido e popular), mania de espectadores e críticos de adequarem um filme a um  grupo específico, gerando, a partir daí, um nicho de consumo e interesses. Os rótulos artísticos podem até funcionar na maioria de suas aplicações, mas deixa passar muitas “exceções à regra” e particularidades, como é o caso de Fim de Semana, segundo filme de Andrew Haigh. Bem longe de se enquadrar num termo reducionista, o longa se apresenta como um reflexo dos relacionamentos, vida e amores dos jovens adultos em nosso século.

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The hidden blade

Poucos de nós realmente conhece a cultura japonesa. Alguns afortunados têm a oportunidade de viajar ao Japão e ter contato direto com os costumes daquele povo tão interessante. Outros, por outro lado, pobres mortais como a maioria, podem se utilizar de alguns outros meios, tais quais os animes, mangás, e também, o cinema. É muito bom quando assistimos um filme que nos transmite a realidade de uma época, os costumes de um povo, sua cultura e história. E um que me agradou nesse quesito foi Kakushi Ken Oni No Tsume – The Hidden Blade (A Espada Oculta) – 2004.

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Persona

Produção sueca, de 1966. Roteiro e direção de Ingmar Bergman. Com: Bibi Andersson, Liv Ullmann, Margaretha Krook, Gunnar Björnstrand, Jörgen Lindström. Premiado pela National Society of Film Critics Awards nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz (Bibi Andersson) e Melhor Diretor.

Bergman, premiado cineasta, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “A Fonte da Virgem”, “Através de Um Espelho” e “Fanny e Alexandre”, aborda praticamente em todos os seus filme temas ligados a questões existenciais, como a consciência do eu, a mortalidade, a solidão, o pecado, a culpa. E este, que é considerado um de seus melhores filmes, é um ótimo exemplo disso.

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Cópia Fiel

Produção francesa, de 2010. Direção e roteiro de Abbas Kiarostami. Com Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière, Agathe Natanson, Gianna Giachetti, Adrian Moore, Angelo Barbagallo, Andrea Laurenzi. Cineasta consagrado e premiado – Palma de Ouro por “O gosto de cereja”(1997) e Leão de Ouro por “O vento nos levará” (1999) – Kiarostami consegue neste seu primeiro filme dirigido fora do Irã fazer uma homenagem ao cinema, mesmo que à primeira vista a obra cause certo estranhamento.

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Camino

O cinema é uma arte que pode ser utilizada de diversas maneiras. Uma delas é o ataque que alguns diretores fazem com maestria, através de suas obras, contra fortes entidades de nossa sociedade. Dentre as críticas, algumas se direcionam contra a Religião, mais precisamente, a Igreja Católica. E aí é preciso tamanho desprendimento e liberdade criativa para conseguir atingir, de forma precisa, a mente de quem assiste.

Camino (Um Caminho de Luz) – 2008, filme escrito e dirigido por Javier Fesser, que ganhou seis Goyas, principal prêmio do Cinema Espanhol, é uma dura crítica à Opus Dei. Fesser se inspirou na história de uma garotinha de Madrid, Alexia González Barros, que faleceu em Pamplona, vítima de Câncer, e que se encontra em processo de Beatificação no qual a Opus Dei manipula sua doença e tenta tratá-la como um sacrifício que devemos passar para provar o amor à Deus.

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Des hommes et des dieux

O filme Homens e Deuses discute de maneira elegante e sensível um assunto que sempre foi complexo de debater, o conflito de religiões. A história é inspirada em fatos reais, sobre um grupo de monges que foram assassinados em 1996, na Argélia.

O que mais me chamou atenção no filme é como o diretor francês, Xavier Beauvois, nos apresenta, sem pressa, todos os padres que habitam o monastério onde quase todo filme se passa, ele nos conduz com uma simplicidade quase gentil, ao focar nas tarefas do cotidiano daqueles homens de fé.

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Night Catches US


Filme independente premiadíssimo: 

– Premio Spirit Awards
– New Orleans Film Festival
– First Director’s Movie Award
– Sundence Films Festival
– Seatle Films festival

O filme, baseado no ano de 1976, onde os ideais do Grupo Pantera Negra já havia se dissolvido a muito tempo. Agora seu único objetivo era a luta armada e a violência.

Nesse cenário, presenciamos o regresso de Marcus Washington (Anthony Mackie), ex-integrante dos panteras negras, por ocasião do velório do pai, logo vemos a forma preconceituosa como ele tratado por membros da família e sua comunidade, e aos poucos vamos entendendo a razão disso.

Acompanhamos também a reaproximação dele com Patricia Wilson (Kerry Washington), uma advogada que também fora membro dos Panteras Negras, e agora luta para tentar conceder direitos iguais aos negros de sua comunidade. No entanto, Patrícia tem uma filha e os diálogos com ela nem sempre são amigáveis, pois a menina quer saber mais a respeito do pai, mas Patrícia não gosta de falar muito do assunto, é onde Marcus, que era muito amigo dele, acaba por se aproximar da menina e de Patricia. Mas essa reaproximação pode trazer à tona muitos segredos.


O que gostei no filme é a forma como é apresentada a história, a medida que Marcus e Patricia tentam enterrar o passado, esquecer e seguir em frente, e a menina quer cavar tudo isso e descobrir toda a verdade a sobre seu passado. Nessa “luta” todos ficam estacionados, como que presos à tristes lembranças.

The Station Agent

Esse é o primeiro filme que me recordo, em que a história gira em torno de uma pessoa com nanismo, e cuja temática não seja medieval fantasiosa. 

Fibar McBride (Peter Dinlage) É uma pessoa fechada em seu mundo particular, devido a inúmeras situações pelas quais passou, até que seu único amigo e patrão morre, e lhe deixa como herança, um antigo galpão ao lado de uma linha férrea desativada. Agora, terá de se acostumar novamente a ser tratado como a “atração” da cidade.

Emboro o filme se disponha a tratar de preconceitos e como as pessoas lidam com isso, ele discute também como muitas vezes, nós, como vítimas, nos fechamos, preconceituosamente julgando vizinhos ou qualquer pessoa que se aproxime de nós.

O filme mostra ainda a vida praticamente normal, pois tirando as dificuldades relacionadas a acessibilidade, os problemas e desafios que todos passam, são os mesmos.

O filme venceu o BAFTA de Melhor Roteiro Original e o Independent Spirit Award de Melhor Primeiro Roteiro, ambos para Thomas McCarthy.

 

Era uma vez na América

É um filme ótimo, um grande épico, que narra sobre garotos pobres de origem judaica, que não conseguem ver nada para seu futuro além do óbvio, seguirem o mundo do crime organizado. 

Embora fale de Máfia, o filme distoa muito do aclamado “The Godfather”, pois aqui encontramos um relato sobre como relações são construídas e desfeitas.

AMIZADE – e sobre como é crescer, deixar de ser criança, mesmo ainda não tendo a idade adulta. Quatro garotos passam a trabalhar para para mafiosos, sempre nas ruas praticando roubos pequenos, e assim acabam crescendo e se envolvendo cada vez mais no mundo do crime organizado, e os delitos vão ficando cada vez mais graves.

Fala ainda de AMOR, pois Noodles (de Niro) é apaixonado por Deborah (Jennifer Connelly/Elizabeth McGovern), desde que criança, esse amor é correspondido, mas devido aos sonhos de ambição de ambos, acaba distanciando cada vez um do outro.

O filme foi o projeto da vida de Sergio Leone, conhecido por filmes ‘western spaghetti’, estrelados por um jovem ator de TV chamado Clint Eastwood que se tornou ícone. Mesmo diringido faroestes, o sonho era dirigir um épico sobre o século XX nos EUA, lugar que reunia cultura e barbárie, elegância e truculência, bom gosto e vulgaridade em doses equilibradas.

Foram quase dez anos para que Sergio Leone tivesse coragem de apresentar o projeto a estúdios norte-americanos, os únicos com dinheiro suficiente, a partir daí, mais outros nove anos para finalizar o filme, e muitas batalhas e cláusulas contratuais que lhe tiravam a liberdade da montagem final.

A primeira edição tinha 250 minutos. Os executivos da Warner obrigaram o diretor a encurtar para 139 minutos o que valeu ao filme péssimas críticas e bilheterias piores. Com o tempo, uma versão ampliada para 236 minutos chegou aos cinemas europeus e fez sucesso nos EUA.

Enterrem meu coração na curva do rio

 

Depois de ver o filme, fiz uma postagem em meu blog pessoal e ao pesquisar a matéria, descobri que existia um livro no qual o filme foi inspirado, e após ler apenas algumas páginas do livro já pude deduzir que o filme um tanto quanto fraco, não chega nem perto da grandiosidade que é o livro, a história realmente vale a pena.

 

Nesse livro de 1970, Dee Brown, fez um registro magistral de uma história enterrada e que estava relegada ao esquecimento, e ao qual a indústria cinematrográfica de Hollywood fez questão de jogar mais terra em cima.

Hoje em dia a maioria das pessoas sabem que os índios não foram os vilões do oeste selvagem graças a esse livro. Dee fez uma pesquisa minunciosa de registros que estavam esquecidos e empoeirados em bibliotecas perdidas nos EUA, dessa maneira conseguiu resgatar relatórios do exército americano ou mesmo relatos de próprios remanescentes de tribos, que foram passando as histórias oralmente, de geração em geração, até que alguns deles resolveram escrevê-las.

Ainda não terminei de lê-lo, o livro muitas vezes é chocante, e pauso para refletir e me perguntar até onde a frieza e crueldade do homem é capaz de ir, quando é movido por ganância .

Veja o índice pra ter uma noção dos assuntos tratados:

1 – Suas maneiras são decentes e elogiáveis
2 – A Longa marcha dos Navajos
3 – A guerra chega aos Cheyennes
4 – Invasão do rio Powder
5 – A guerra de Nuvem Vermelha
6 – O único índio bom é um índio morto
7 – Ascensão e queda de Donehogawa
8 – Cochise e as guerrilhas apaches
9 – A guerra para salvar o búfalo
10 – A guerra pelas Black Hills
11 – O êxodo dos Cheyennes
12 – O último chefe apache
13 – Dança dos fantasmas
14 – Wounded Knee

O livro traz ainda, trechos de discursos dos chefes indígenas, quando se reuniam com o homem branco, para fazer acordos de paz, abaixo trascrevo algumas delas:

“Onde estão hoje os Pequots? Onde estão os narragansetts, os moicanos, os pokanokets e muitas outras tribos outrora poderosas de nosso povo? Desapareceram diante da avareza e da opressão do Homem Branco, como a neve diante de um sol de verão. Vamos nos deixar destruir, por nossa vez, sem luta, renunciar a nossas casas, a nossa terra dada pelo Grande Espírito, aos túmulos de nossos mortos e a tudo que nos é caro e sagrado? Sei que vão gritar comigo: Nunca! Nunca!”
TECUMSEH, dos shawnees –

“De quem foi a voz que primeiro soou nesta terra? A voz do povo vermelho que só tinha arcos e flechas…O que foi feito em minha terra, eu não quis, nem pedi;os brancos percorrendo minha terra…Quando o homem branco vem ao meu território, deixa uma trilha de sangue atrás dele…Tenho duas montanhas neste território – as Black Hills e a montanha Big Horn. Quero que o Pai Grande não faça estradas através delas. Disse estas coisas três vezes; agora venho dizê-las pela quarta vez.”
MAHPIUALUTA (Nuvem Vermelha), dos sioux oglalas –

 


“Fizeram-nos muitas promessas, mais do que me posso lembrar, mas eles nunca as cumpriram, menos uma: prometeram tomar nossa terra e a tomaram.” – MAHPIUALUTA (Nuvem Vermelha), dos sioux oglalas –

Apesar de ser um relato doloroso da história do povo nativo americano, podemos ver como eles tinham uma noção verdadeira de honra, e um carinho muito grande por seu próprio povo e terra. Após a publicação desse livro, filmes como “Um homem chamado Cavalo” e “Pequeno Grande Homem” puderam ser realizados.

Acredito que o mesmo tipo de genocídio tenha ocorrido aqui no Brasil, e por toda a América, mas infelizmente, talvez toda essa história esteja fadada ao esquecimento!

Filme: A Garota Morta, com Britanny Murphy foi (sem dúvida) seu melhor trabalho


Quando o corpo de uma jovem garota chamada Krista é encontrado, inicía-se uma repercusão inesperada que percorerrá e modificará a vida de várias pessoas, as conectando de formas profundas e incitando nessas emoções e atitudes atípicas.

Um retrato sombrio e singular sobre as particularidades de várias pessoas interligadas por uma única tragédia devastadora, “A Garota Morta” anseia capturar as angústias e os pesares de mulheres antagônicas – e ainda assim semelhantes – numa trama rica de virtudes e emoções, visando capturar a vida – ou a falta de vida – no repertório de suas protagonistas envolventes, melancólicas e frustradas. O filme, divido em cinco partes – “A Desconhecida”, “A Irmã”, “A Esposa”, “A Mãe” e “A Garota Morta” – não poupa o pessimismo ao pontuar a vida dessas cinco mulheres com elementos dos mais trágicos e pesados, dos quais passam a rondar pela atmosfera densa e sombria do filme com um impacto cujo efeito na audiência é incontestável.
O clima obscuro, porém, não chega a soar frio.
Apesar de inúmeras sequências bastante pesadas, existindo certo excesso de pessimismo consideravelmente forte na sua impressão, é mais que admirável nosso envolvimento com as personagens bem escritas, e as percepções que vamos adquirindo ao passo que vamos sendo envolvidos pouco a pouco nos climas pesados da vida dessas mulheres, cujas conexões se revelam fascinantes.

Dois dois importantes artifícios usados na narrativa, temos a falta ordem cronológica característica, que não se revela nenhuma novidade, e a divisão do filme em cinco capítulos, contando suas cinco histórias separadamente. É possível que não se extraia dessa divisão um envolvimento maior, ou por sua vez, que acabe surgindo uma certa frieza. Isso não ocorre porque as personagens apresentadas em todos segmentos são seres altamente interessantes, somos envolvidos por elas e por isso, atingidos pela emoção de suas histórias. Interpretada brilhantemente por Toni Collette (Ao Entardecer), Arden, “a desconhecida” é uma mulher solitária que sofre sob o rancor e os abusos de sua mãe incapaz, que acaba ganhando uma atenção da mídia ao ter descoberto o corpo, iniciando assim um relacionamento complexo com Rudy. Já Rose Byrne (Sunshine – Alerta Solar), em uma tocante performance, interpreta Leah, “a irmã”, uma jovem que, ao fazer a autópsia de uma garota morta não identificada, suspeita que esta talvez seja sua irmã que misteriosamente despareceu quando ainda era pequena.

Mary Beth Hurt (A Dama na Água) é Ruth, “a esposa”, num desempenho fortíssimo. A personagem começa a suspeitar que seu marido seja um assassino em série após muitas suspeitas e provas inconfundíveis. Temos ainda a estupenda Marcia Gay Harden (O Nevoeiro), interpretando Melora, “a mãe”, uma mulher que vai à procura de sua filha e encontra na amiga prostituta desta respostas para a fuga de sua filha, e talvez uma chance de redenção. Por último, temos Brittany Murphy (Amor e Outros Desastres), revaladoramente decente ao interpretar a garota do título, uma prostituta que tem como preocupação vital cuidar de sua filha.

Essas cinco mulheres, suas histórias, seus remorsos e suas particularidades entram na nossa pele, ferem nossas emoções e nos envolvem unicamente para o núcleo emocional do trabalho que, ao contrário do que sua estética tem a oferecer, é luminoso ao identificarmos, ao seu fim, um comovente otimismo como ode à vida e ao perdão. A última cena – tristemente real – nos afeta como nenhuma outra. Mas naquele pedaço de cena podemos olhar nos olhos de Murphy e vermos o verdadeiro significado do filme e captarmos suas verdadeiras intenções, que vão além do simples pessimismo ao pontuar, talvez, que a morte de uma pode significar a vida de outras. É um belo conto, e um que merece uma atenção bem maior do que a que recebeu. Um indie formidável que ecoa de uma forma muito bela, graças à firme direção de Karen Moncrieff (Um Certo Carro Azul), que também assina o roteiro.

No todo porém, podemos ir além dos ótimos aspectos técnicos que incluem uma bela fotografia e trilha melancólica para ver que, em seu núcleo, e em síntese, “A Garota Morta” é um trabalho de elenco, e um extremamente recompensador. Além das já mencionadas Collette, Byrne, Hurt, Harden e Murphy, temos desempenhos virtuosos também de Piper Laurie (Um Funeral Muito Muito Louco), Giovanni Ribisi (A Estranha Perfeita), James Franco (No Vale das Sombras), Kerry Washington (O Último Rei da Escócia) e Josh Brolin (Onde os Fracos Não Têm Vez).
Eles apenas enaltecem o trabalho íntimo e tocante de Moncrieff, que toca sem sentimentalismo ou exagero em feridas humanas e conexões particulares. Merece ser descoberta essa pequena bela obra.
Texto:Cine Vita
The Dead Girl (2006)
Direção: Karen Moncrieff
Roteiro: Karen Moncrieff
Elenco: Britanny Murphy, Marcia Gay Harden, Toni Collette, Mary Beth Hurt, Rose Byrne, Kerry Washington, James Franco, Josh Brolin, Giovanni Ribisi, Piper Laurie, Nick Searcy
(Drama, 93 minutos)

A Estrada (The Road) é considerado o filme mais importante do ano


 

 

 

 

 

 

 

 

 

Realizado por John Hillcoat

Com Viggo Mortensen, Kodi Smit-McPhee, Charlize Theron, Robert Duvall

Já muitas vezes foram aqui elogiadas as qualidades e os méritos da fantástica trilogia “The Lord of the Rings”. Um dos inquestionáveis méritos dessa trilogia foi também o de revelar definitivamente Viggo Mortensen para o mundo da Sétima Arte. Anteriormente um ator discreto e com pouco relevante na alta-roda do cinema, com a trilogia de Frodo e do Um anel , Mortensen passou a ser reconhecido como um dos mais ilustres valores desta tão amada arte.
A partir desse momento, mais realizadores e produtores começaram a apostar na versatilidade e sobriedade deste ator, que aos poucos vem demonstrando o grande profissional que é. E quem agradece é o espectador.
“The Road” não é um filme para os mais sensíveis ou fracos de coração. Mórbido, pessimista, negro e imensamente melancólico, “The Road” afirma-se como uma obra ambiciosa, corajosa e infinitamente realista. E verdade seja dita, a história e a personagem assentam que nem uma luva a Viggo Mortensen.
Ao longo que quase duas horas de película, o espectador é presenteado com um autêntico e fenomenal tour-de-force de Mortensen, que assim carrega quase todo o filme às costas. E com um sucesso tremendo, ao alcance apenas dos melhores atores de Hollywood. A narrativa simples e linear relata-nos a forma como um homem (Mortensen) e o seu filho (Smit-McPhee) tentam desesperadamente sobreviver num mundo que tem os seus dias contados. Situada num espectacular, aterrador e espantosamente realista cenário pós-apocalíptico, a narrativa apresenta-nos os últimos dias de vida de um planeta Terra em auto-destruição.
Praticamente todos os animais pereceram e os restantes membros da espécie humana tentam, a todo o custo, evitar o mesmo destino. Para sobreviver, os humanos vêem-se obrigados a recorrer a brutais técnicas de canibalismo e passam a funcionar sob um certo regime de “salve-se quem puder”, onde tudo, desde o roubo à violação em todos os sentidos, é considerado válido. E é assim, num mundo putrefato, sem regras e numa sociedade que depressa esquece todo e qualquer moralismo social, que a personagem de Mortensen se concentra num único e obrigatório objectivo: proteger o seu filho, último vestígio de uma pureza fatalmente desaparecida, a todo o custo.
Cru, duro e desconcertante, “The Road” prima pelo seu arrojo visual e por uma sólida narrativa, composta por personagens críveis, profundas e com as quais o espectador facilmente se identifica. Estamos perante um dos melhores filmes do ano que passou. Uma obra séria, intensamente dramática e que, uma vez mais, apela à consciência de que mais não somos do que animais disfarçados numa teia de socialismo moralista. Uma teia que facilmente se quebra perante o caos.
De certa forma, “The Road” faz lembrar “The Dark Knight” – filme que, através da brilhante personagem do falecido Heath Ledger, nos transmitia esta mesma mensagem – e também “Blindness”, de Fernando Meirelles (obra que igualmente critica a nossa falsa superioridade enquanto seres vivos). Como facilmente se percebe, “The Road” não é um filme para se ver de ânimo leve, mas antes para se mergulhar nestas questões e nelas refletir. Como tal, poderá não agradar à grande maioria, mas acreditem que é bem melhor do que qualquer comédia romântica presente nas salas de cinema da atualidade. Destaque para a temerária realização de Hillcoat e para a trilha-sonora que perfeitamente marca todo o compasso emocional da história.
A apontar defeitos, talvez apenas o fato da sua narrativa linear e monocórdica poder aborrecer alguns espectadores mais habituados a rasgos de adrenalina frenética.Além disso, nunca é explicada a forma como o apocalipse aconteceu, algo que poderia facilmente ser demonstrado numa imagem ou num jornal. Se bem que este fato em nada prejudique a qualidade da película. Em suma, “The Road” é uma boa aposta para os amantes do cinema indie. Um filme sobre pessoas, suas emoções e suas escolhas de vida.
Você deve ver. Realmente. Você deve. Não porque é sombrio, não porque é depressivo, ou mesmo assustador. “The Road” é todas essas coisas, ambas de forma aguda e crônica. Mas não foi feita nenhuma escolha estúpida nessa adaptação do livro para o filme. Nenhuma música desproposital em tributo ao romance. Nenhum momento feito simplesmente para que você pule da cadeira. O terror está num mundo normal que se transformou em algo vago. Existe um terror em uma paisagem em fazendas cheias de possessões que não tem mais função, um perigo marcando em uma pilha de velhos martelos e na impossibilidade de esquecer de como as coisas eram. É um medo que vale a pena sentir. E existe algo intrincado e resiliente, eterno e elemental, algo que vale a pena se preocupar em tudo isso, no amor de um pai por um filho, especialmente o amor que é a única coisa que restou num mundo que perdeu seu propósito”.

Rui Madureira – Portal Cinema

Título no Brasil: The Road
Título Original: The Road
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Ano de Lançamento: 2009
Estréia no Brasil: 05/02/2010

Filmografia de Viggo Mortensen:
2009 – The Road – A Estrada
2008 – Appaloosa – Uma Cidade Sem Lei (Appaloosa)
2008 – Um Homem Bom (Good)
2007 – Senhores do Crime (Eastern Promises)
2006 – Alatriste (Alatriste)
2005 – Marcas da Violência (A History of Violence)
2004 – Mar de Fogo (Hidalgo)
2003 – O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei (The Lord of the Rings: The Return of the King)
2002 – O Senhor dos Anéis – As Duas Torres (The Lord of the Rings: The Two Towers)
2001 – O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel (The Fellowship of the Ring)
2000 – 28 Dias (28 Days)
1999 – Psycho path (TV)
1999 – A walk on the Moon
1998 – Psicose (Psycho)
1998 – Um Crime Perfeito (A Perfect Murder)
1997 – La pistola de mi hermano
1997 – Até o Limite da Honra (G.I. Jane)
1997 – Corrida Contra o Destino (Vanishing Point)
1996 – Daylight (Daylight)
1996 – Retrato de uma Mulher (The Portrait of a Lady)
1996 – Ciladas da Sorte (Albino Alligator)
1995 – Gimlet
1995 – Paixões na floresta (Passion of darkly noon, The)
1995 – Anjos Rebeldes (The Prophecy)
1995 – Black velvet pansuit
1995 – Maré Vermelha (Crimson Tide)
1994 – American Yakuza (American Yakuza)
1994 – Explosão em alto mar (Crew, The)
1994 – Floundering
1994 – Desert lunch
1993 – Ewangelia wedlug Harry’ego
1993 – Two small bodies
1993 – A idade da violência (Young Americans, The)
1993 – O Pagamento Final (Carlito’s Way)
1993 – Ruby Cairo (Ruby Cairo)
1993 – Em ponto de bala (Boiling Point)
1991 – Unidos pelo sangue (Indian runner, The)
1990 – Os safadinhos (Once in a blue moon) (TV)
1990 – Sangue de herói (Tripwire)
1990 – Reflexo do mal (Reflecting skin, The)
1990 – Jovens demais para morrer (Young guns II)
1990 – O massacre da serra elétrica 3 (Leatherface: Texas chainsaw massacre III)
1988 – Ninguém pode me matar (Prison)
1988 – Obsessão (Fresh horses)
1987 – Salvation!
1985 – A Testemunha (Witness)