Horror e Medo com o fim do Mundo?

Como é sabido por todos, existem rumores que o mundo explodirá ao término deste ano. Ao menos é o que os Maias escreveram numas pedras por aí e uma galera esquisitona comprou e está revendendo para a humanidade. E muitos trouxas – no sentido Harry Potter de ser – acreditaram e estão esperando que o Reagan e Gorbachev reencarnem num duelo mortal com invasões de plantas carnívoras, regado com terremotos e algumas bombinhas nucleares.

E como a The Dark One Productions adota o improvável ridículo como filosofia de entretenimento – afinal falamos de filmes trash, melhor nós os executamos –  resolvemos compilar para vocês os 5 filmes mais bizarros sobre o fim do Mundo. Então botem para tocar o vídeo do REM e leiam a lista:
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Filmes que marcaram minha vida #02

Demorou mas voltou! Neste imenso post de vídeos veremos as cenas mais fodásticas recomendadas pelos nossos leitores, vamos dar uma trégua as cenas de gangsteres (parece que só assisto isso não é?), e ver o que você enviou.

Não enviou nada ainda, é fácil! Comente neste post sobre uma cena de um filme que marcou com ferro quente, ao estilo branding (ok, nem tanto…) a sua vida, pode ser sobre qualquer filme. No seu comentário, escreva seu nome, idadecidade aonde reside e o link do vídeo (pode ser youtube, vimeo ou qualquer outro servidor) junto com o comentário sobre o mesmo!

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Batendo Papo na Masmorra #22 Tatuagem do Wolverine

Depois de um longo inverno,  (influência de Westeros?Argh!hahaha) estamos de volta com mais um bate papo descontraído na Masmorra!

E pra falar do que anda assistindo Angélica Hellish, fã de Abbas Kiarostami fala de seu último filme “Cópia Fiel“, em companhia de Eduardo Cosso um de nossos carcereiros e escriba do Destino Poltrona que se divertiu assistindo “Muita Calma Nessa Hora”Pablo Lopes do Bar do Nerd, que fala da importância do Wolverine em sua vida e recomenda o filme “Fúria Sobre Rodas“, Godiless do Meia Lua X que corajosamente recomenda o terror “Dorothy Mills

>>> Assuntos comentados off-topic:

  • Livro – A Batalha do Apocalipse de Eduardo Spohr
  • Animação – Thor & Loki Blood Brothers
  • Filme – “Mistério das duas Irmãs” que perde feio para seu original “Medo
  • Filme – Mandando Bala
  • Filme – As Duas Vidas de Audrey Rose
  • Dúvida – O que é um Mockbuster? Saiba aqui
  • Blog – A Privada Cult

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Batendo Papo na Masmorra Especial Dia das Mães


Neste dia tão especial, Angélica Hellish e Marcos Noriega recebem na Masmorra Barão membro da nossa equipe, e colaborador do Farrazine e o amigo Emerson do podcast Cultural NOT.

Recomendamos alguns excelentes filmes que tem como personagem, a mãe.
De vários tipos, maneiras e motivações.

Curtam o podcast e comentem!
Um abraço e Feliz Dia das Mães


Arte do banner: Barão


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Filmes citados nesse podcast:
Mother (Madeo) 2009 – Dir. Joon-ho Bong
O Garoto de Liverpool (Nowhere Boy) 2009 – Dir. Sam Taylor Wood
Incendios (Incendies)2010 – Dir. Denis Villeneuve
O Bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby) 1968 – Dir. Roman Polanski
Jogue A Mamãe Do Trem (Throw Momma from the Train) 1987 – Dir. Danny DeVito
A Noite do Demônio ( Night of Demon) 1957 – Dir. Jacques Tourneur
Não me Abandone Jamais (Never Let me go)- Dir. Mark Romanek
Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper) 2009 – Dir. Nick Cassavettes
Aliens, o Resgate 1986 – Dir. James Cameron

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Batendo Papo na Masmorra #21 – O mais nerd de todos!


De volta com mais um Batendo Papo na Masmorra e dessa vez com Felipe Nunes do podcast Papo Lendário que recomendou a série Treme, Thiago Siqueira do Rapadura Cast que curtiu bastante a animação Rango e a leitura do primeiro volume das Crônicas de Fogo e Gelo – A Guerra dos Tronos de George R.R.Martin que estreará na HBO, Eduardo Cosso do Destino Poltrona que não teve medo de assistir The Troll Hunter e o Marcos Noriega que se divertiu com o filme Zombie do Lucio Fulci.
Edição feita por Daniel Volponi
Banner por Barão
Citados off topic: Tokusatsu Kaizoku Sentai Goukaiger, Clássicos DC Alan Moore, Animação Superman: Grandes Astros e a HQ do mesmo nome, filme Little Ashes
Abertura da série Treme, citada no podcast.

Podcasts que participamos recentemente:

Edu Cosso esteve no Senpuu Cast, Machina Cast e Radiofobia.
Marcos Noriega esteve no Vort Cast, sobre Darren Aronofsky
Angélica Hellish esteve no Podecash 27 sobre o filme Clube da Luta e no Podcast Cultural Not falando sobre nostalgia ” No meu tempo… “


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Hoje é Dia do Jornalista!

 

Como o cinema tem representado a categoria?
Vejam alguns exemplos:
(E não fique falando que seu diploma serve pra embrulhar peixe, rapá!)

– A Montanha dos Sete Abutres ( Ace in The Hole ) 1951 – Dir. Billy Wilder

A Montanha dos Sete Abutres (1951) é o longa que Billy Wilder realizou logo após seu maior e mais celebrado clássico, Crepúsculo dos Deuses. A acidez do filme anterior continua na história de um jornalista inescrupuloso que faz de tudo para voltar a ter prestígio, retardando o salvamento de um mineiro que está preso nos escombros para se alimentar da comoção da população da pequena cidade em que foi trabalhar.
Assista!

– A Embriaguez do Sucesso (Sweet Smell of Success)1957 – Dir. Alexander Mackendrick


A Embriaguez do Sucesso, de 1957, é o primeiro filme de Alexander Mackendrick (Quinteto de Morte) nos EUA. Burt Lancaster (O Leopardo) é o colunista de fofocas inescrupuloso que encontra em Tony Curtis (Quanto Mais Quente Melhor) um jovem ambicioso para ficar à sua sombra. É uma das críticas mais cruéis ao sistema, e uma das grandes atuações de Lancaster para o cinema.
Assista!

– A Doce Vida ( La Dolce Vita ) 1960 – Dir. Federico Fellini

Federico Fellini (Oito e Meio) realizou em A Doce Vida, um afresco romano sobre o desejo pela celebridade. Um jornalista de origem humilde enfrenta uma crise de consciência por estar sempre atrás de fofocas da alta sociedade, usando-as como fonte para seus artigos. Entre seu trabalho superficial e seus problemas pessoais (como a tentativa de suicídio da namorada), é mostrada uma sociedade decadendente e hedonista.
Assista!

– A Primeira Página (The Front Page) 1974 – Dir. Billy Wilder

A Primeira Página é a refilmagem da peça de Ben Hecht e Charles MacArthur que já havia sido realizada por Howard Hawks (Jejum de Amor) e Lewis Milestone (Sem Novidades no Front). O diretor é o mesmo Billy Wilder de A Montanha dos Sete Abutres e os atores que fazem os jornalistas são os impagáveis Walter Matthau e Jack Lemmon, que já formavam uma dupla de sucesso em filmes como Um Estranho Casal, e na década de 90 reviveram a parceria em Dois Velhos Rabugentos.
Assista!

– Rede de Intrigas (Network) 1976 – Dir. Sidney Lumet

Dirigido por Sidney Lumet (Um Dia de Cão), Rede de Intrigas (1976) é a história do âncora de um telejornal (Peter Finch, de Horizonte Perdido) que, ao receber a notícia de que seria demitido, declara a intenção de se suicidar no ar. Como a audiência sobe, a diretora decide mantê-lo no cargo. Mais uma crítica aos meios de comunicação e à busca pela audiência a qualquer custo. Peter Finch já havia morrido quando foi indicado ao Oscar de melhor ator pelo papel do âncora. Ele foi o primeiro a ser premiado postumanente pela academia na categoria.
Assista!

– Todos os Homens do Presidente (All the President’s Men) 1976 – Dir. Alan Pakula


Baseado em fatos reais, Todos os Homens do Presidente (1976) reconstitui o caso Watergate. A história começa com a prisão de quatro pessoas assaltando um dos escritórios do edifício Watergate. O que parecia mais uma prisão foi o início de um grande escândalo que resultou na queda do presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon. O filme acompanha dois repórteres que descobrem a trama bombástica por trás dessa prisão. É o melhor filme do irregular diretor Alan J. Pakula (O Dossiê Pelicano), e conta com Dustin Hoffman (Rain Man) e Robert Redford (Leões e Cordeiros, filme que também dirigiu).
Assista!

– O Informante (The Insider) 1999 – Dir. Michael Mann

O Informante (1999) traz uma história baseada em fatos reais sobre a vida de Jeffrey Wigand (Russell Crowe, de O Gladiador), cientista da companhia de cigarros Brown & Williamson, que resolve denunciar a empresa quebrando um contrato de sigilo. Ele tem a ajuda de Lowee Bergman (Al Pacino, da saga O Poderoso Chefão), investigador e produtor do programa 60 Minutes.
Assista!

– Quase Famosos (Almost Famous) 2000 – Dir. Cameron Crowe

Um roqueiro consegue uma oportunidade na conceituada revista Rolling Stone. Seu primeiro trabalho é acompanhar um show da banda Stillwater, mas sua paixão pelo rock e por uma groupie afastam-no da objetividade jornalística necessária para o trabalho. Cameron Crowe (Tudo Acontece em Elizabethtown) dirige um relato meio autobiográfico em Quase Famosos (2000). Ele mesmo foi um jovem repórter da Rolling Stone, e a banda que ele acompanhou em turnê foi The Allman Brothers. No elenco estão Billy Crudup (O Bom Pastor), Kate Hudson (A Chave Mestra) e Philip Seymour Hoffman (Dúvida).
Assista!

– O Preço de Uma Verdade (Shattered Glass) 2003 – Dir. Billy Ray

O Preço de Uma Verdade (2003) é a estréia do talentoso Billy Ray (Quebra de Confiança). Baseado em fatos reais, o filme conta a história do jornalista Stephen Glass (Hayden Christensen, de Jumper). Ainda jovem, conseguiu entrar no primeiro time do respeitado jornal The New Republic, de Washington, entre 1995 e 1998. Mas, dos 41 textos publicados, 27 eram total ou parcialmente inventados e copiados. Quando a farsa vem à tona desenvolve-se uma interessante discussão sobre a ética no jornalismo, e sobre até que ponto um editor deve ir para defender seu redator.
Assista!

– Boa Noite e Boa Sorte (Good Night, and Good Luck) 2005 – George Clooney

Boa Noite e Boa Sorte (2005) é o segundo filme dirigido por George Clooney, cujo terceiro trabalho por trás das câmeras.David Strathairn, que havia desempenhado um papel importante em O Rio Selvagem, de Curtis Hanson, tem uma atuação elogiadíssima como o âncora de TV que pretende desmascarar as falcatruas políticas do senador norte-americano Joseph McCarthy. Rodado em preto e branco, retrata à perfeição o cotidiano de uma redação de TV.
Assista!

A contracultura do cinema nos Midnight Movies


O termo “midnight movie”, nos anos 50, se referia aos filmes, de qualidade questionável e temática inadequada para os padrões sociais, que iam ao ar na televisão americana a partir da meia noite. Nos anos 70, esteve associado a filmes alternativos, que não entravam no circuito comercial dos cinemas americanos e eram exibidos na sessão da meia noite, mais notoriamente, em Nova York. Atualmente, o termo é usado principalmente para pré-estréias que ocorrem à meia noite.

Os três adjetivos mais apropriados para discutir a cultura dos midnight movies são trash, que simboliza o custo baixo da produção e má qualidade geral, de edição, atuação, roteiro, exploitation, que sinaliza a exploração exagerada de determinado fator visando a um sensacionalismo e camp, termo ligado à ironia e ao mau gosto, buscando o precário de forma intencional.

Uma série de eventos trágicos, como os assassinatos de John Kennedy e Martin Luther King, a falência do movimento hippie e a manutenção da guerra no Vietnã, nos anos 60, colaboraram para que surgisse um público disposto a consumir obras ácidas que incluíssem esses elementos nos anos 70.

Com essa atmosfera, aumentou o consumo de obras niilistas, cínicas, experimentais, transgressoras e sem censura. Esse público buscava algo completamente fora do sistema, que chocasse, divertisse e inovasse. O cinema foi uma das maiores válvulas de escape para aqueles que se sentiam impotentes diante da situação política e social do país. Assim, nasceu o midnight movie, gênero no qual os criadores podiam realizar algo autêntico, sem hesitar. No entanto, segundo John Waters – diretor de “Pink Flamingos” e uma das figuras mais admiradas na contracultura cinematográfica – a maior parte da sociedade ainda odiava esses filmes, já que iam contra seus valores.

Há divergências sobre qual teria sido o primeiro midnight movie. Certos registros apontam que cinemas itinerantes nos anos trinta já exibiam filmes dessa linha em sessões à meia noite. Em 1957 ocorreu uma série destas exibições para o filme “Curse Of Frankenstein”, de Terence Fisher, e, em 1968, para “Messages, Messages”, de Steven Arnold. E é possível apontar Warhol e Buñuel como diretores que abriram passagem para a existência desse tipo de circuito.

“El Topo”, do chileno Alejandro Jodorowsky, é aceito, em geral, como referência inicial de midnight movie, principalmente, pelo êxito comercial diante de uma proposta tão árida. A estréia, em 1970, sem nenhuma publicidade a respeito, conseguiu lotação máxima em todas as sessões da meia noite por nove meses seguidos. Um fenômeno atrelado ao “boca a boca” de um público latente de cinema alternativo. Quando John Lennon comprou o filme, em 1971, e o colocou em circuito, o filme não durou três dias, sendo um fracasso total de público. Sem o horário específico e seu caráter de evento, o filme parecia perder sua aura.

“Noite Dos Mortos Vivos”, de George Romero (1968) tornou-se o grande sucessor de “El Topo”. Inicialmente, o filme estreou em drive-ins, “grindhouses” e salas menores. As críticas, que, a princípio foram péssimas, aos poucos foram se tornando positivas, conforme o filme era digerido além de sua superfície grotesca. Em 1971, o filme, exibido à meia noite, alçava vôo para se tornar o maior êxito comercial em termos de custo-benefício da história, só superado em 1999, por “A Bruxa de Blair”, de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez.

“Noite” se diferenciava pela sua capacidade política e social, o que era rarefeito nos filmes de terror da época. Romero salienta que, principalmente nos anos 50, o terror pregava o medo da ciência, sem um contexto moral ou político por trás. Neste filme, o debate está em torno do realismo nas intervenções do telejornal, da natureza dessa sociedade de zumbis, que revolucionaram o mundo, do significado da intervenção do exército e da cena final do assassinato do protagonista negro – no mesmo ano do assassinato de Luther King. J. Hoberman, um dos autores do livro “Midnight Movies”, descreve este período da história americana, como o mais violento desde a Guerra Civil, e Romero parece ter a mesma ótica.

Praticamente na mesma época, foi lançado “Ensina-me a viver”, de Hal Ashby, que teve bastante sucesso no circuito de arte brasileiro e chegou a ser adaptado para o teatro. Além da questão da liberação sexual, o filme contém pertinentes críticas ao militarismo através do tio de Harold, um saudosista veterano de guerra.

“The Harder They Come”, de Perry Henzell, conseguiu inovar ainda mais, já que foi o primeiro midnight movie de blaxploitation, apenas com atores negros, o primeiro filme jamaicano da história e o primeiro filme com trilha sonora de Reggae – que introduziu o gênero no exterior e o levou para o mainstream americano. O filme só deu certo nos Estados Unidos em sessões da meia noite e ficou, em cartaz, por seis anos, no Orson Welles Cinema, em Massachussets.

O maior sucesso comercial de um midnight movie foi o musical “The Rocky Horror Picture Show”, de Jim Sharman, de 1975, que, após as sessões da meia noite, conquistou até mesmo o público médio. Seu culto se tornou colossal e era comum que os fãs fossem vestidos como os personagens e cantassem durante o filme. O enredo, baseado numa peça homônima, conta a chegada de um casal ao castelo de um travesti gótico, no dia em que ele cria sua criatura, o ariano musculoso Rocky. O filme ficou no circuito da meia noite por mais de dez anos, sendo exibido diariamente. Até 2006, ainda podia ser visto, semanalmente, em 23 salas dos Estados Unidos.

“Eraserhead”, de 1977, primeiro longa de David Lynch, foi o único que não lotava as sessões. Por mais que o filme tivesse a mesma aura surreal, original e self-made, não é cômico, não tem uma trilha sonora agitada, não inspira coletividades festivas e, definitivamente, não é imediato. Ele é letárgico, solitário, introspectivo e hermético, como uma premissa do cinema autoral de Lynch.

O mercado das sessões da meia noite começou a se esgotar e muitos cinemas alternativos foram fechando. Em meio a essa crise, Liquid Sky, de Slava Tsukerman, de 1982, foi, talvez, o último midnight movie, em que alienígenas extraem das pessoas a substância que secretam durante o orgasmo ou o consumo de heroína. Outros filmes importantes da época, que abarcavam essa estética, já eram feitos por grandes estúdios e para o circuito normal, como “The Warriors”, de Walter Hill, “The Evil Dead”, de Sam Raimi, “Heavy Metal”, de Gerald Potterton, e “The Wall”, de Alan Parker.

A decadência do movimento ocorreu na medida em que o culto estagnou em torno de determinados filmes e os espectadores começaram a assimilar o estilo, já que podiam assistir os filmes estranhos em horários diferentes. Além da popularização do VHS, que permitia a sessão privativa do filme, e o crescimento da televisão a cabo.

A partir da segunda metade dos anos 80, o estilo midnight movie só aparecia em tom de homenagem, como no caso do Festival Internacional de Cinema de Toronto, que realiza a “Midnight Madness” desde 1988, ou o Festival do Rio, que criou também uma sessão chamada midnight movies, para filmes experimentais e inovadores de sua seleção. O Sesc Tijuca tem o cineclube Phobus, com seleção baseada em filmes do gênero.

Os midnight movies foram uma importante manifestação da contracultura setentista, que se tornou tão relevante e divertida que foi assimilada pelo público, alterando o curso do próprio cinema hollywoodiano ao se tornar uma parcela significativa de qualquer seleção comercial.

Muitas obras ainda permanecem com a estética superficial dos midnight movies. Mas o discurso crítico se atenuou, dando mais lugar para o humor, o que não deve ser visto como uma derrota. Pelo contrário, é o maior testemunho sobre a importância que os filmes da meia noite tiveram para alterar o curso da cultura pop.
Por Christian Costa do site da Faculdade Casper Líbero.

A obsessão pela honra levada às últimas consequências em: Os Duelistas


Os Duelistas, 1977, primeiro filme de Ridley Scott ( Blade Runner, Thelma e Louise), uma produção caprichada de David Puttnam. Fotografia, direção de arte, música, tudo é de tamanho bom gosto e requinte que resultam numa obra de arte, esteticamente falando, do cinema. Uma das maneiras de observar a beleza deste filme pode ser conseguida utilizando a tecla “pause” do controle remoto: cada cena de Os Duelistas, parada, lembra um quadro impressionista dos mais belos.
Mas toda esta beleza não é “sem sentido”. É apenas uma conseqüência de uma reconstituição de época perfeita. O primeiro longa-metragem de Scott passa-se nos bucólicos campos rurais da França do fim do século XVIII e início do século XIX, que corresponde justamente ao início, apogeu e declínio da vida política de Napoleão Bonaparte.
Era tempos de esplendor da natureza – que ainda não sofria, pelo mesmo não de maneira drástica, pela ação do homem – e de soldados trajando belos uniformes de seus respectivos regimentos. Portanto, o visual absolutamente encantador não é apenas um recurso estético, mas sim, uma correta contextualização ao tempo enfocado, o que torna o filme admirável também por historiadores, que apreciarão, e muito, a tanto cuidado na retratação de todo um ambiente de quase duzentos anos atrás.


É claro que nem da bela fotografia vive este filme excepcional, a disposição nas locadoras. Há um roteiro singular, baseado num conto de Joseph Conrad (de Nostromo e O Coração das Trevas, entre outros), chamado The Duel (em português, O Duelo). De enredo aparentemente simples, até prosaico, ele possibilita que o filme proporcione uma abordagem brilhantes de diversos temas invulgares, através da união entre diálogos e imagens. A honra, o absurdo, a obsessão, o sentimento de “vazio” que a vida, às vezes, nos provoca e a impotência e incapacidade do homem em tentar escapar e fugir de situações marcantes do passado nunca foram exibidos no cinema com tamanha força.

Trata da história de uma “questão” entre dois arrogantes e orgulhosos soldados franceses do exército de Napoleão. Para resolvê-la, os dois travam, no decorrer do filme, diversos duelos, prática bastante comum nos tempos medievais e que ainda era praticada na segunda metade do século XVIII em algumas partes do mundo. O motivo dos duelos ninguém sabe explicar muito bem o porquê, de tão superficial: o então tenente Armand D’Hubert (Keith Carradine, de Amantes de Maria, o irmão do astro de Kung-Fu, David Carradine, fazendo com certeza o seu melhor papel no cinema) tem a incumbência de localizar o orgulhoso e teimoso tenente Gabriel Feraud (Harvey Keitel, de O Piano e Os Bons Companheiros, admirável), para que este seja preso no quartel do exército por ter duelado e ferido gravemente o sobrinho do perfeito de Strasburgo. D’Hubert o localiza num bordel e conta-lhe o motivo de sua presença.
Feraud encara a atitude de D’Hubert um insulto, uma humilhação perante os outros soldados presentes no local e exige retratar-se através de um duelo com D’Hubert. Este, a princípio contrariado, acaba aceitando em nome de um sentimento e valor de época: a honra.

A partir daí, durante mais de 20 anos, os dois passaram a duelar, com pausas periódicas de alguns anos, sempre pondo em risco suas vidas em cada duelo. A iniciativa sempre é de Feraud. Apesar de pertencerem a regimentos diferentes do exército, os dois acabam se encontrando em épocas de batalhas. Isto para desespero de D’Hubert, o mais lógico e aparentemente “sensato” dos dois, que acha tudo um absurdo, mas que não foge do duelo em nome da honra.
Os Duelistas não é um filme de luta e pancadaria.
Ele possui vários temas. A honra, talvez, seja o seu principal.
Na época retratada do filme, era um valor, um sentimento que se levava em conta na hora de tomar decisões. No filme, D’Hubert parece odiar os duelos com Feraud. Ambicioso e com fervorosa obediência e interesse aos objetivos do imperador Bonaparte, por diversas vezes D’Hubert demonstra claramente que a idéia de colocar sua vida cheia de perspectivas em risco por causa de um questão absurda o desagrada.

Conforme os duelos vão se sucedendo, D’Hubert escala postos no exército, tornando-se cada vez mais respeitado. Alcança o posto de general (coisa que Feraud também conseguira). Cada vez mais, fugir de um duelo seria o seu fracasso, a sua desonra, embora seus próprios superiores no exército vejam os duelos como uma “tolice”, o único senão no “currículo” de D’Hubert. Mas, para D’Hubert, a imagem que os outros companheiros de caserna tem de sua pessoa é muito importante. No decorrer do filme, percebe-se que para D’Hubert a honra é mais importante que romances, mais forte que a comodidade de uma vida segura e que a liberdade do ser humano em recusar aquilo que não gostaria de realizar.
Em certa momento do filme, é pedido a D’Hubert a definição de “honra”. Segundo o próprio soldado, numa cena que ganha ares cômicos que só quem assiste o filme entende, a honra é “indescritível”.

Há ainda outros temas, exibidos na tela com singular habilidade: o absurdo que cerca D’Hubert, preso num ideal de valores que o tira a liberdade de pensar e agir diante de Feraud. Os duelos acontecem por um motivo absurdo, superficial, mas que impede D’Hubert de negá-lo, mesmo tendo consciência disto.
Este tema lembra, particularmente, alguns livros de Albert Camus, em especial O Estrangeiro, que conta a história de um sujeito aparentemente normal que mata uma pessoa por causa do “calor”. Outro ponto forte do filme é como ele enfoca o sentimento de obsessão, no caso, obsessão que toma a cabeça de Feraud, para quem a participação dos duelos é o motor da sua vida, o sentido desta, o ar que respira. Sem os duelos, tudo para Feraud parece ser vazio.

Os duelos proporcionam cenas belíssimas. O duelo a cavalos, por exemplo, é um momento grandioso, de rara beleza estética no cinema, que desperta muito ansiedade a cada passo que os cavalos dão, um ao encontro do outro. Durante esta passagem, todos os duelos até então realizados passam na mente de D’Hubert, a poucos instantes dele se defrontar com a morte.
Outro duelo que merece destaque acontece durante a ocupação dos exércitos napolêonicos na Rússia. É um momento antológico do filme. A ocupação ocorre na época do rigorosíssimo inverno russo. O impacto das cenas de seres humanos sofrendo diante do frio é grande . Fiéis a obediência servil a um líder, que, até então, empolgava os franceses, os soldados tentam sobreviver e, dois deles, ainda encontram motivação para duelar.
O elenco secundário de Os Duelistas também está perfeito. Ele é composto, principalmente, por atores de teatro ingleses, como Edward Fox (de O Dia do Chacal) e Albert Finney (de Assassinato no Expresso Oriente e A Sombra do Vulcão). O figurino é de primeira linha, assim como a montagem.
Enfim, é um filme perfeito. Pode-se discutir uma certa frieza de algumas cenas. É que muito dos sentimentos da cada personagem são exibidos sutilmente, através de interpretação contidas, porém perfeitas. Mas, mesmo a frieza vira qualidade numa obra tão soberba. Pouco conhecido, o filme é admirado por poucos cinéfilos. Estes costumam acha-lo o melhor de Scott, diretor de obras importantes do cinema moderno, como Blade Runner. Os Duelistas, porém, é mais do que o melhor de Scott. Descobri-lo é dever dos apreciadores do cinema.

ESCUTE O MASMORRA CLASSIC SOBRE O FILME OS DUELISTAS AQUI

O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante

Carimbar antes do nome do inglês Peter Greenaway o rótulo de cineasta é uma atitude simplista e insuficiente. Greenaway é muito mais do que isso. É um artista plástico de vanguarda, que acumula as funções de fotógrafo, pintor, instalador e filósofo. Um filme, para ele, é apenas um dos vértices de trabalhos artísticos bem mais ambiciosos do que simplesmente contar uma história. Qualquer pessoa que deseje se aventurar na obra de Peter Greenaway precisa ter isso em mente. É imprescindível fazer isso antes de conferir “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante” (The Cook, the Thief, his Wife and her Lover, Inglaterra/França/Holanda, 1989).

O filme, um favorito entre os acadêmicos que estudam cinema no âmbito da universidade, é um deslumbre visual incomparável. Mas quem estiver esperando um filme de estrutura mais convencional, com começo, meio e fim claramente definidos, corre sério risco de achar o filme chatíssimo, incompreensível ou até mesmo vazio de significados. Não é bem assim, mas “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante” é o tipo de longa-metragem que exige uma reeducação dos sentidos, e uma reflexão sobre o ato de fazer e assistir a cinema, para ser apreciado.

O enredo, que envolve os quatro personagens citados no título, é frugal. O gângster Albert (Michael Gambon), que janta todas as noites no restaurante Le Hollandais, começa a ser traído pela mulher Georgina (Helen Mirren) com um freqüentador do lugar, o bibliotecário Michael (Alan Howard), com a cumplicidade do chef Richard (Richard Bohringer). Albert, cuja figura lembra estranhamente o cantor de ópera Luciano Pavarotti, é o ser humano mais intragável que o cinema já produziu: grosseiro, mal-educado, violento, boçal, chato e machista. Por isso, a reação dele não será nada agradável, caso descubra o affair da mulher.

A película propõe uma associação pouco usual entre comida e sexo, quando Greenaway intercala cenas de erotismo quase explícito entre os amantes com o ato de preparação de um prato fino. Um beijo é seguido por um tomate sendo cortado, uma cruzada de pernas dá seqüência a um pepino sendo fatiado. Greenaway associa as duas pulsões básicas da teoria freudiana – sexo e morte – ao ato de comer. Além disso, apimenta a receita com fartas doses de escatologia, escancarada logo no prólogo do filme, quando o gângster Albert humilha um homem que lhe deve dinheiro dando-lhe uma surra, sujando-o com cocô de cachorro e urinando em cima dele. E se você acha que isso é demais para os olhos de qualquer espectador, espere até conferir o banquete servido a Albert no final do filme.

Toda essa escatologia é contraditoriamente apresentado à audiência em um filme belíssimo. Greenaway construiu quatro locações e iluminou cada uma com uma tonalidade diferente: a saída do restaurante (azul), a cozinha (verde), o banheiro (branco) e o salão de jantar (vermelho). Essa última conta com um enorme painel do século XVI, de autoria de Frans Hals, retratando um banquete; a cenografia deste ambiente é inspirada no quadro e reproduzida de maneira tão fiel e inteligente que, por vezes, os olhos nos enganam, e as figuras do quadro parecem estar jantando dentro da sala (ou vice-versa).

Além disso, os figurinos arrojados do estilista Jean-Paul Gaultier mudam de cor conforme os personagens se movimentam de cômodo a cômodo. Esses movimentos são flagrados por Greenaway de maneira personalíssima. A câmera se move lateralmente, em longas tomadas, lentamente e sem cortes. Na maior parte das cenas, os personagens são focalizados de longe, em planos de composições plasticamente belas. Greenaway filma como se estivesse pintando. Seu filme tem a textura, a explosão de cores e a vibração de um grande afresco renascentista, o que lhe confere um visual único e espetacular.

Além de tudo isso, há a bela música de Michael Nyman, composta de forma quase minimalista e inserida como pinceladas de tempero na mistura cinematográfica. O resultado final tem alguma semelhança com “Amor a Flor da Pele”, de Wong Kar-Wai, só que substituindo a nostalgia delicada do diretor asiático por uma excitação hipnótica e cheia de energia.
Talvez fosse possível descrever “O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante” como uma improvável mistura entre o refinamento visual de Jean-Pierre Jeunet (pense em “Delicatessen” ou “Ladrão de Sonhos”) com a virulência escatológica de Pier Paolo Pasolini (de “Saló”).
É isso.
Texto de Rodrigo Carneiro do Cine Reporte

Night Catches US


Filme independente premiadíssimo: 

– Premio Spirit Awards
– New Orleans Film Festival
– First Director’s Movie Award
– Sundence Films Festival
– Seatle Films festival

O filme, baseado no ano de 1976, onde os ideais do Grupo Pantera Negra já havia se dissolvido a muito tempo. Agora seu único objetivo era a luta armada e a violência.

Nesse cenário, presenciamos o regresso de Marcus Washington (Anthony Mackie), ex-integrante dos panteras negras, por ocasião do velório do pai, logo vemos a forma preconceituosa como ele tratado por membros da família e sua comunidade, e aos poucos vamos entendendo a razão disso.

Acompanhamos também a reaproximação dele com Patricia Wilson (Kerry Washington), uma advogada que também fora membro dos Panteras Negras, e agora luta para tentar conceder direitos iguais aos negros de sua comunidade. No entanto, Patrícia tem uma filha e os diálogos com ela nem sempre são amigáveis, pois a menina quer saber mais a respeito do pai, mas Patrícia não gosta de falar muito do assunto, é onde Marcus, que era muito amigo dele, acaba por se aproximar da menina e de Patricia. Mas essa reaproximação pode trazer à tona muitos segredos.


O que gostei no filme é a forma como é apresentada a história, a medida que Marcus e Patricia tentam enterrar o passado, esquecer e seguir em frente, e a menina quer cavar tudo isso e descobrir toda a verdade a sobre seu passado. Nessa “luta” todos ficam estacionados, como que presos à tristes lembranças.

Masmorra à Trois #1 Trilogia das Cores de Krzysztof Kiéslowski

No nosso primeiro podcast da série Trilogias Angélica Hellish e Marcos Noriega recebem Juliano D’Angelo do Rapaduracast para conversar sobre a última obra desse importante diretor.
O diretor polonês Krzysztof Kieslowski faleceu em 13 de março de 1996 aos 54 anos, deixando para trás uma filmografia extensa e uma obra prima como legado para a humanidade. “A Trilogia das Cores” é esse legado.
Os filmes são baseados nas cores da bandeira francesa e no tema da sua famosa revolução, “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”, divididos individualmente em A Liberdade é Azul ( Blue ), A Igualdade é Branca ( White ) e A Fraternidade é Vermelha ( Red ).
Ao assistir na seqüência, percebe-se com mais clareza as sutis ligações que são feitas entre os filmes e as correlações que existem entre as distintas histórias. Os filmes se encontram a venda tanto de forma individual como em uma caixinha para lá de bacana.
Em “A Liberdade é Azul”, o drama toma conta da história. Conhecemos Julie (Juliette Binoche), que após perder o marido e a filha em um acidente de carro, renega tudo e todos e passa a viver evitando tudo que lhe cause qualquer emoção. O silêncio dá o tom, com o diretor mostrando uma riqueza de detalhes fantástica (como quando o médico avisa Julie da tragédia) e focando em objetos e pontos vazios para explorar a solidão da protagonista.

trilogiadascores

“A Igualdade é Branca” é um filme mais leve, mas não menos tenso. Nele, Karol Karol (Zbigniew Zamachowski) leva a vida com uma incrível falta de tato e principalmente de sorte. Sua mulher Dominique (Julie Delpy), o abandona às traças porque simplesmente ele não dá mais conta do recado de satisfazê-la. Karol Karol então volta para a Polônia e trama calmamente sua vingança contra a ex-mulher, que apesar da sua raiva não acontecerá de maneira gratuita, pois ele ainda a ama.
O toque de mestre de Krzysztof Kieslowski chega em “A Fraternidade É Vermelha”, um drama centrado em redenção e procura, apimentado com desilusões, tristezas e rotina. Valentine (Irene Jacob) é uma modelo que vive em Paris e vê sua vida meio em frangalhos, longe do namorado e vendo sua família ruir.
Ao conhecer um juiz aposentado (Jean-Louis Trintignant) que passa o resto da vida a espionar os vizinhos, Valentine vê sua vida mudar e tomar rumos inesperados.
Com os três filmes da trilogia, Krzysztof Kieslowski uniu emoção, sentimentos e sujeira humana em um momento único da Europa, que passava por um processo todo especial após a queda do Muro de Berlim. Com os longas, ganhou prêmios importantes como o Leão de Ouro de Veneza, o Urso de Prata de Berlim e o Festival de Cannes, além de indicações para o Oscar. Nada mais justo para uma obra de rara beleza e poesia. Indispensável.
Edição feita por Daniel Volponi
Skype: Masmorracast

 

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Batendo Papo na Masmorra #20 – Flashpoint, Bronson, Hiroshima e Nagasaki


Vamos lá!
Mas um Batendo Papo na Masmorra no pedaço!
E dessa vez só com os masmorreiros!
Edu Cosso do Destino Poltrona falando do interessante filme Chinês de ação Flashpoint, Marcos Noriega que por indicação do brother Rod Reis assistiu o terrível e hilário Bronson e Angélica Hellish que numa noite insônia, trocou o sono pelas lágrimas assistindo Clarão, Chuva Negra – A Destruição de Hiroshima e Nagasaki.
E você? O que andou assistindo?Comenta aí!
Citados off topic: O Bom, o Mau e o Bizarro, Sukiaki Western Django, Banana Joe,O Profeta, Os Últimos Passos de um Homem,Anime Gen Pés Desçalços, Radio Bikini, Chuva Negra – A Coragem de uma raça, Túmulo dos Vagalumes e o live action Clique aqui!
Links interessantes: Texto sobre o anime Gen Pés Descalços, por Pablo Villaça, Quadros pintados pelos sobreviventes das bombas de Hiroshima e Nagasaki Clique aqui.

 

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MahaBharata: O modo de vida


O Mahabharata é talvez o maior épico já escrito. Seu original chega a cem mil versos em sânscrito. Nele está contido famoso diálogo entre Krishna e Arjuna que se destabou como uma obra em separado, chamada Bhagavad-Gita.

Uma das maiores narrativas já concebidas pelo homem, o Mahabharata conta sob o ponto de vista do hinduísmo uma história poética da humanidade, desde sua origem até a grande guerra que por fim a definiu.
Quinze vezes maior do que a Bíblia, o Mahabharata é um épico composto de dezenas de histórias e centenas de personagens, supostamente escrito há 3 mil anos pelo poeta Vyasa, e anotado pela divindade Ganesha. A questão da origem do texto, como se pode imaginar, é mais do que confusa, e não há consenso de que ele foi todo escrito na mesma época e pela mesma pessoa, nem se foi anotado pelo mesmo elefante. É possível depreender do texto acontecimentos históricos da Índia, como grandes batalhas, genealogias de famílias reais, a origem das castas, de cidades e tanto mais. Além disso, as histórias contadas no Mahabharata têm aventura, drama, comédia, lances inusitados, traições. Não é de se estranhar que a primeira adaptação para o cinema, segundo o Imdb, tenha sido rodada já em 1920, sem som.

A versão escolhida para lhes apresentar o MahaBharata, é a que foi dirigida para a televisão francesa por Peter Brook. Com texto de Jean-Claude Carrière (renomado roteirista de, entre outros, A bela da tarde, A insustentável leveza do ser, Brincando nos campos do senhor e do recente Os fantasmas de Goya), o Mahabharata de Brook chegou a ser exibido no cinema, ainda que em um corte bem menor do que o da televisão. É possível encontrar essa versão reduzida em VHS, embora a série integral, de cinco horas e meia de duração, só exista em um DVD inédito por aqui. Pode parecer longa, mas nem de perto dá conta de todas as tramas e subtramas do texto original. Para se ter idéia, o seriado indiano do Mahabharata (1988-90), que pretendia contar a história toda, tem mais de setenta horas de duração.

Peter Brook e Jean-Claude Carrière adaptaram o Mahabharata primeiro para o teatro. A peça, que tinha cerca de nove horas de duração, era falada em francês e depois foi traduzida pelo próprio Carrièrre para o inglês. Deste texto, os dois criaram a minissérie que estreou na televisão francesa e na BBC em 1989.

O Mahabharata narra a guerra entre duas famílias de semideuses, os Kaurava e os Pandava, pelo controle de um reino ancestral. É também um relato minucioso de todos os pequenos e grandes eventos que, ao longo de séculos, culminaram nessa guerra. São dezenas de mitos da mais variada espécie, que vão se entrelaçando aos poucos para mostrar de onde surgiram as duas famílias, na verdade dois ramos de uma mesma família, e como eles se tornaram rivais.
O rei no momento é o cego Dhritarashtra, patriarca dos Kaurava. Seu irmão, Pandu, morreu vítima de uma maldição terrível, que não o permitia tocar, quanto mais agarrar, como ele tentou, as mulheres.
A linhagem de Pandu, os Pandava, ficou sob o cuidado de Dhritarashtra e sua prole, mas desde o início os primos todos não se deram bem. Porém, mesmo relegados pelo tio a uma região infecta do reino, os Pandava prosperaram, o que despertou inveja e outros sentimentos mesquinhos nos primos monarcas. Sabendo que Yudhishthira, líder dos Pandava, é apaixonado pelos dados, e que ele joga mal, os Kaurava armam uma partida. Rodada após rodada, Yudhishthira perde suas jóias, seus castelos, os exércitos, as jóias e os castelos dos irmãos.
Ele então perde o reino, a si mesmo e a esposa, Draupadi.

Mas há um problema, e, portanto, uma breve lenda para explicá-lo. Quem ganhou Draupadi numa competição foi Arjuna, irmão mais novo de Yudhishthira. Ele teria o direito de casamento, se não tivesse chegado em casa e dito: “Olha só o que eu trouxe, mãe!”. Isso porque a mãe, antes de olhar o que se tratava, respondeu: “Seja o que for, divida com seus irmãos”. E ela nunca pode voltar atrás no que fala, o que é uma espécie de costume dos semideuses hindus mais ortodoxos. Então Draupadi se torna esposa dos cinco Pandava, e não só de Yudhishthira. E além do mais, ela foi apostada depois de ele ter perdido a si mesmo no jogo de dados, o que suscita todo o tipo de questão quanto à legitimidade da aposta. Novos arranjos são discutidos e os Pandava acabam no exílio. Eles devem permanecer 13 anos na floresta, o último deles sem serem encontrados pelos Kaurava de maneira alguma, sob pena de morte. Depois do período, eles poderiam voltar à capital reclamar o trono.

A batalha:
Os irmãos Pandava não acreditam nas promessas de Dhritarashtra, e passam os próximos 13 anos conquistando aliados e se preparando para a guerra. A batalha entre as famílias é o ponto central da narrativa, e ocupa as duas horas finais da fita.
De um lado, os Kaurava contam com Bishma e Drona.
O primeiro é tio de Dhritarashtra, um guerreiro mitológico que recebeu dos deuses o direito de escolher a hora de sua morte. As duas famílias cresceram na companhia de Bishma, que bem preferia lutar ao lado dos Pandava, mas uma combinação de maldições e promessas faz com que ele seja obrigado a liderar os Kaurava no campo de batalha. Drona é outro grande guerreiro, na verdade quem treinou todos os primos para guerra, e ele é leal ao rei.

Do lado dos Pandava está Krishna, a encarnação do deus Vishnu na Terra. Krishna é uma espécie de conselheiro das duas famílias, mas antes da batalha ele oferece a Arjuna uma escolha. Arjuna e os Pandava podem contar com todos os exércitos de Krishna, que não são poucos, mas para isso teriam de abdicar de seus conselhos para os Kaurava. Ou, se preferissem, poderiam ter os conselhos de Krishna, mas o exército ficaria com os rivais. Arjuna escolhe a companhia de Krishna, e os dois sentam-se no campo de batalha, pouco antes de o conflito começar.
Essa conversa entre Arjuna e Krishna constitui o Bagavhat-Gita, livro sagrado do hinduísmo. Krishna então conduz a carruagem de Arjuna para as fileiras inimigas, e a guerra começa. Nos dezoito dias seguintes, enquanto milhões de soldados se digladiam, as tramas paralelas vão se fechando e os personagens acertam as contas e cumprem as dezenas de vinganças e maldições que trocaram nas décadas anteriores.

Para Peter Brook, o Mahabharata é uma história universal, que fala a todas as culturas, e por isso, assim como na peça, o elenco é internacional são italianos, franceses, ingleses, egípcios, senegaleses, etc. Embora não seja exatamente uma versão filmada da peça, a fita empresta do teatro o andamento, os cenários simples e a ênfase colocada toda nos atores e no texto. O filme traz para o ocidente uma amostra bem traduzida e bem contada do que são essas grandes narrativas de fora da nossa tradição literária, sobre as quais mal ouvimos falar. E, se às vezes você se sente um indiano assistindo a Os dez mandamentos, tentando entender quem é quem e o que está acontecendo, no geral a história não é totalmente distante da cultura ocidental, e tem a peculiaridade de contar ainda com inúmeras passagens cômicas, o que não parece ser a especialidade da Bíblia.
Fonte: Omelete por André Conti
TRAILER

ELENCO:
Robert Langton Lloyd,
Erika Alexander,
Maurice Bénichou,
Amba Bihler,
Lou Bihler,
Urs Bihler,
Ryszard Cieslak,
Georges Corraface.
FICHA TÉCNICA
Diretor: Peter Brook
Produção: Michel Propper
Duração: 171 min.
Ano: 1989
País: Reino Unido/ França
Gênero: Drama

Batendo Papo na Masmorra #19 – Carruagem fantasma , Vampiro asiático e guilhotina!


Estamos de volta!
Promessa cumprida.
Na ausência do Masmorra Cast, entra em ação o Batendo Papo na Masmorra, editado por Daniel Volponi e com muitas indicações de filmes/séries para vocês curtirem!
Nesse podcast, Angélica Hellish comentou sua experiência emocionante com o filme A Viúva de Saint Pierre com a bela Juliete Binoche, Celso Bessa do Site e Podcast A Vida Secreta nos surpreendeu com um filme de terror do cinema mudo de 1921 A Carruagem Fantasma e a saudosa série clássica Família Addams, Almighty do Profissional de Bermuda / Bermuda Cast largou a lenha sobre o filme nacional Os Famosos E os Duendes da Morte de Esmir Filho e recomendou com ênfase a produção de 2009 do Mestre Park Chan Wook o Sede de Sangue, nosso brother Edu Cosso veio com novidades da Tailândia, falando de Os meninos Superpoderosos ( é isso mesmo ) Live Action de ação e humor, Hugo Soares do Pauta Livre News falou do prazer em assistir a animação Megamente e quão sacal foi ver Enrolados da Disney.Nosso editor Daniel Volponi comentou suas impressões assistindo o último filme de Sofia Coppola o Somewhere que no Brasil saiu com o nome “Um Lugar Qualquer”.
Comentado na leitura de emails: The Amazing History Of Superman e Hollywoodland filme que conta história fictícia em cima de um caso real acontecido nos bastidores da televisão nos anos 50.O suicídio de George Reeves, ator da série clássica As Aventuras do Superman.
Projeto Masters Of Horror
Podcast sobre os filmes com David Bowie e promoção do Oscar 2011
Loja virtual da taverna do Ogro Encantado
Nosso email: contato.cinemasmorra@gmail.com
Skype: masmorracast


Musicas Utilizadas

Twisted – Annie Ross
Atom’s Tomb – Electrelane
Chess Room – Nathaniel Mechaly
Diamond – Klint
Eddie Story – Nathaniel Mechaly
Dreadlock Holiday – 10cc
Opéra – Emmanuel Santarromana
Bad to the bone – George Thorogood
A Little Less Conversation – Elvis Vs. JXL
Stars and Tights – Hans Zimmer
I’ll Try Anything Once – The Strokes
Love like a sunset – Phoenix
Spooky – Dusty Springfield
Holdin’ on Together – Phoenix
Paris, Tokyo – Lupe Fiasco

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