Batendo Papo na Masmorra # 57 Hereditário (Com spoilers)

Angélica Hellish e Marcos Noriega conversam sobre o filme Hereditário (Hereditary/2018) primeiro longa do diretor Ari Aster que nos traz uma história angustiante sobre o luto, insanidade e o horror dentro de um núcleo familiar.

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COLABORE COM O MASMORRA NO PADRIM

Encontrarás Dragões – Roland Joffé

Conflitos e a Igreja Católica se fazem presentes no núcleo da carreira do diretor inglês Roland Joffé, seja retratando os religiosos ora como aqueles que provêm a iluminação (A Missão), ora como agentes de uma sociedade onde os costumes são instrumentos de opressão (A Letra Escarlate). Em Encontrarás Dragões (There Be Dragons/EUA, Argentina, Espanha/2011) Joffé retorna ao clichê histórico para apresentar como uma situação beligerante – no caso, a Guerra Civil Espanhola – influencia e altera o curso da vida das pessoas, seja por meio do conflito armado em si, ou em decorrência dos sentimentos que afloram em tempos de violência extrema: ciúme, inveja, paixão…

Três núcleos envolvidos no conflito são apresentados, e que se encontram em constante interação. Acompanhamos Josemaria Escrivá (Charlie Cox), um padre que lidera uma pequena resistência católica frente à perseguição que é impetrada aos religiosos pela facção comunista durante a Guerra. Já Manolo Torres (Wes Bentley), amigo de infância de Josemaria, decide seguir pelo caminho do fascismo e se inflitra como espião no grupo de esquerda, este liderado de maneira romantizada por Oriol (Rodrigo Santoro).

Praticamente todos os personagens, e suas ações, são romantizados. Os ideais são bem definidos e não há regiões de cinza; mocinhos são mocinhos e bandidos são bandidos. Apesar da precisão histórica, as relações humanas idealizadas arrefecem a força dramática, talvez o único personagem que conhecemos profudamente, e de certa maneira entendemos, é Manolo. No entanto, o cuidado em retratar um fato tão obscuro e violento do século XX – como bem disse o ator Rodrigo Santoro durante a première do filme no Festival do Rio 2013 – torna Encontrarás Dragões uma importante obra quando se quer conhecer um pouco mais da história política da Península Ibérica. Todas as cenas de batalha são muito bem realizadas, e de fato é possível imergir virtualmente em uma situação de Guerra, seja pela tensão causada pelo estado de sítio, seja pela sensação de morte iminente quando dentro de uma trincheira.

A mensagem poderia ter sido passada de maneira mais eficiente, contudo. O sotaque espanhol forçado e caricato imprimido pelos atores de origem inglesa é risível, e Joffé se perde no dramalhão em boa parte do filme, especialmente devido à trilha sonora. Esta, bastante melosa, está presente em 95% do filme, não dá folga. Ou seja, a trilha nonstop, além de denotar uma tentativa forçada de levar o espectador ao drama, é completamente dispensável em muitas situações. Um erro.

Não há, portanto, um bom casamento entre os dramas pessoais e o horror da Guerra. Mas, Encontrarás Dragões não deixa de ser um ponto crítico na filmografia de Roland Joffé e recomedável não só para os fãs do diretor, mas também para aqueles que desejam conhecer um pouco mais de um conflito que até hoje tem ressonância na sociedade espanhola.

Dados do filme

Direção: Roland Joffé
Roteiro: Roland Joffé
Gênero: Biografia, drama, guerra
Lançamento: 12 de maio de 2011
Duração: 122 minutos
Distribuidora: ZON Lusomundo Audiovisuais

Links

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Link para IMDb
Link para Rotten Tomatoes
Link para IEDb

Drive

O diretor dinamarquês Nicolas Winding Refn é um dos nomes mais promissores do cinema mundial, com pouco menos de 10 filmes dirigidos por ele, todos com temáticas completamente diferentes um do outro. Com um talento único para visualizar cenas impactantes, o diretor consegue criar uma visão muito própria em seus projetos. Destaque para Bronson, filme que ajudou na carreira do ator Tom Hardy.

Drive é o novo trabalho do diretor, o filme conta com atores muito talentosos e alguns conhecidos. Ryan Gosling faz o protagonista do longa, o “dublê sem nome”, piloto de cenas de ação que à noite é piloto de fuga para assaltantes, ele tem suas regras pessoais e as deixa muito claras para os seus contratantes.

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Mientras Duermes

Há alguns anos tive a oportunidade de ver um filme espanhol de terror em uma sessão de meia-noite de sábado, sozinho na sala de cinema. Na época (e ainda hoje, um pouco) tinha certo apreço por esse tipo de experiência. Ora, conhecia Almodóvar, alguma coisa de Luis Buñuel (espanhol, apesar de naturalizado mexicano), mas não me lembrava de nenhuma grande menção ao cine de terror daquele país.

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Violência gratuita

Produção norte-americana de 2008. Direção e roteiro de Michael Haneke. Com Naomi Watts, Tim Roth, Brady Corbet, Devon Gearhart, Michael Pitt.

O filme é uma refilmagem praticamente quadro a quadro de uma produção austríaca, de 1997, também dirigida por Haneke. Não só as cenas foram refilmadas de modo idêntico, as falas também não sofreram modificação. Foram usados os mesmos objetos de cena do filme original. E o cenário construído, a casa de campo, tem as mesmas proporções da utilizada no original. E não se deve desprezar a importância de que a refilmagem tenha sido feita por Haneke. Certamente a essência do filme teria se perdido caso outro diretor mais “comercial” tivesse assumido a direção.

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Out of Africa

Recentemente, aproveitando o ensejo do site Cinemasmorra, com o projeto de podcasts sobre clássicos do cinema, resolvi tentar relembrar um filme que vi há muito tempo atrás e analisá-lo hoje, diante da pouca experiência que agora tenho com a idade, mas que no passado nada tinha. O filme é Out of Africa – Entre Dois Amores (1985). Decidi por essa obra porque me chamou a atenção o fato dela ter me emocionado tanto no passado.

Out of Africa, filme do Diretor Sydney Pollack, é baseado num trecho da vida da escritora dinamarquesa, a Baronesa Karen Blixen, também conhecida pelo seu pseudônimo de Isak Dinesen.  Grande parte do roteiro foi retirado do livro da própria Karen, “A Fazenda Africana”. O filme é uma obra encantadora, com grande atuação de Meryl Streep, interpretando a própria Karen; de Robert Redford, no papel de Denys Finch Hatton, amante de Karen; e Klaus Maria Brandauer, como o Barão Bror Blixen, seu marido.

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A festa de Babette

Produção dinamarquesa, de 1987, ganhadora do Oscar de melhor filme estrangeiro. Direção de Gabriel Axel. Roteiro de Gabriel Axel, baseado num conto (de mesmo nome) de Karen Blixen. Com: Stéphane Audran, Bodil Kjer, Birgitte Federspiel, Jarl Kulle, Jean-Philippe Lafont.

Karen Blixen escreveu seus livros sob o pseudônimo de Isak Dinensen, numa época em que não era de muito bom-tom uma mulher escritora em meio à sociedade chauvinista. Além deste, outra obra sua também serviu de inspiração para um filme: “Out of Africa”, de 1985, baseado no seu livro mais conhecido, “A fazenda africana” (“Den afrikanske Farm”).

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O Extremista

Fetiche, fantasias. Sinônimos? O fetiche das fantasias. Há heroísmo sem fantasia? Os heróis de quadrinhos estão entre os maiores fetiches do século XX.

Em sua estória, Peter Milligan trata principalmente de três personagens: o casal Judy e Jack Tanner e seu vizinho Tony Murphy… ah! claro, há um quanto elemento, Patrick que desempenha a contento seu papel mefistotélico atraindo os três para o êxtase e finalmente à ruína. Os três vão vestir o traje do Extremista, e o que é o Extremista? É Poder. Poder ser e fazer o que quase ninguém, em suas vidas suburbanas, pode. Poder excita e por isso ninguém resiste (muito) a idéia de ser Extremista.

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El secreto de sus ojos

Produção argentina, de 2009, ganhadora do Oscar de melhor filme estrangeiro. Direção de Juan José Campanella. Roteiro de  Juan José Campanella e Eduardo Sacheri, autor do livro em que se baseou o filme – “La pregunta de sus ojos”, publicado em 2005. Com: Soledad Villamil, Ricardo Darín, Pablo Rago, Guillermo Francella, Mariano Argento, José Luis Gioia, Javier Godino, Carla Quevedo.

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Persona

Produção sueca, de 1966. Roteiro e direção de Ingmar Bergman. Com: Bibi Andersson, Liv Ullmann, Margaretha Krook, Gunnar Björnstrand, Jörgen Lindström. Premiado pela National Society of Film Critics Awards nas categorias de Melhor Filme, Melhor Atriz (Bibi Andersson) e Melhor Diretor.

Bergman, premiado cineasta, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro por “A Fonte da Virgem”, “Através de Um Espelho” e “Fanny e Alexandre”, aborda praticamente em todos os seus filme temas ligados a questões existenciais, como a consciência do eu, a mortalidade, a solidão, o pecado, a culpa. E este, que é considerado um de seus melhores filmes, é um ótimo exemplo disso.

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Sonhos

O que pode nos revelar um sonho? Qual o seu significado? Seria uma extensão da mente numa realidade paralela? As respostas são poucas, tantas quantas são à respeito do cérebro humano. Eu pouco me lembro dos meus sonhos. Quando acordo, na maioria das vezes, eles escapam da minha memória inexplicavelmente, tal qual chegaram. Tenho certeza que daqui para o fim deste texto, mesmo você, não vai conseguir lembrar do sonho que teve hoje, ou vai?

Mas deixo as divagações de lado para, na verdade, falar sobre um filme belo e questionativo, ao qual aprecio muito, e ainda melhor, dirigido por um dos Diretores mais incríveis do cinema mundial: Akira Kurosawa.

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Em Busca de Redenção

Poucas vezes o nome nacional de um filme consegue verter exatamente o significado real do Original. E embora haja muita diferença entre Last Ride e Em Busca de Redenção, o filme trata exatamente do que pode ser a última chance que um pai tem de se redimir com o filho. Nesse Road movie, já começamos com o pé na estrada quando somos a presentados a Kev (Hugo Weaving) e Chook (Tom Russell), no entanto não demora muito até você perseber que existe algo de errado nessa família.

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Cópia Fiel

Produção francesa, de 2010. Direção e roteiro de Abbas Kiarostami. Com Juliette Binoche, William Shimell, Jean-Claude Carrière, Agathe Natanson, Gianna Giachetti, Adrian Moore, Angelo Barbagallo, Andrea Laurenzi. Cineasta consagrado e premiado – Palma de Ouro por “O gosto de cereja”(1997) e Leão de Ouro por “O vento nos levará” (1999) – Kiarostami consegue neste seu primeiro filme dirigido fora do Irã fazer uma homenagem ao cinema, mesmo que à primeira vista a obra cause certo estranhamento.

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Camino

O cinema é uma arte que pode ser utilizada de diversas maneiras. Uma delas é o ataque que alguns diretores fazem com maestria, através de suas obras, contra fortes entidades de nossa sociedade. Dentre as críticas, algumas se direcionam contra a Religião, mais precisamente, a Igreja Católica. E aí é preciso tamanho desprendimento e liberdade criativa para conseguir atingir, de forma precisa, a mente de quem assiste.

Camino (Um Caminho de Luz) – 2008, filme escrito e dirigido por Javier Fesser, que ganhou seis Goyas, principal prêmio do Cinema Espanhol, é uma dura crítica à Opus Dei. Fesser se inspirou na história de uma garotinha de Madrid, Alexia González Barros, que faleceu em Pamplona, vítima de Câncer, e que se encontra em processo de Beatificação no qual a Opus Dei manipula sua doença e tenta tratá-la como um sacrifício que devemos passar para provar o amor à Deus.

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