Cantores atuando na Sétima Arte

Sim caríssimos!

Há muito o The Dark One Podtrash devia um texto pra coluna “Latrina” do Cinemasmorra! Finalmente, ei-lo!

Trata-se de reflexões retiradas de uma típica e proveitosa conversa de bar, e os bebuns de plantão certamente concordarão que se discute absolutamente sobre tudo nas fundamentais mesas de boteco, seja o infeliz autoritarismo segregacionista dos shopping centers contra a garotada mais pobre, aos filmes do Woody Allen, cada vez mais parecidos a cada ano que passa. Como não poderia deixar de ser, o assunto desse texto é tão ou mais  importante: simbora debater sobre alguns cantores de sucesso que resolveram atuar no cinema!

E não estamos falando de musicais simplesmente, embora alguns dos filmes que serão citados possam conter números de canto e dança – não, não falarei do inacreditável “Cinderela Baiana”, estrelado por Carla Perez, uma vez que ela não seria necessariamente classificada como uma cantora, mas como uma bunda, nem tampouco da Paris Hilton, porque apesar dela ter participado daquele remake horrendo do clássico do terror estrelado por Vincent Price (“A Casa de Cera”), é sacanagem considerar canto aquela sobrecarga malfeita de autotunes! Para os de coração forte e masoquistas de plantão, link abaixo pro filme da Carlinha, dona do  discurso mais bisonho da história do cinema nacional!!

Se os caríssimos ainda não infartaram, segue uma pequena lista de cantores ruins/atores piores ainda!

– Xuxa Meneguel: como atuação trash mais abominável, é difícil escolher entre tanta coisa horrível, mas fiquemos com “Super Xuxa Contra o Baixo Astral”.

– Debbie Gibson: a ninfetinha do sucesso das rádios “Electric Youth”  aparece brigando com uma tal de Tyfanny em “Megapython vs. Gatoroid” do infame estúdio Asylum. Ela também deu o ar da graça em “Megashark versus Giant Octopus”.

– Vanilla Ice: o projeto de rapper cometeu “Cool as Ice” lá pelos anos 90, e não tenho mais nada a declarar sobre o assunto.

Mas e quando o talento musical é reconhecido mundialmente? O nível da atuação aumenta? Bem, nem sempre… Seja azarando garotas no Havaí ao som de chacoalhar o esqueleto ou virando uma nave espacial Transformer horrorosa que metralha sequestradores de criancinhas, Elvis Presley (que estrelou umas trinta produções idênticas em apenas doze anos!), ex-sogro póstumo do Michael Jackson, e o próprio, por exemplo, faziam filmes entupidos de músicas conhecidas para alavancar suas imagens já ultrafamosas para todo o mundo.

E o que dizer de Dolly Parton, senhora da música caipira dos States? Recentemente, irreconhecível debaixo de tanta plástica, ela teve peito (?!) de cometer com a Queen Latifah o tenebroso “Canção do Coração”, mas o seu real pecado reside nos anos oitenta, pois foi responsável  por um dos duetos mais atrozes da história do cinema: ela canta junto com o Stallone em “Rhinestone: Um Brilho Na Noite”!! Cuidado ao clicar, porque isso pode provocar a abertura dos Sete Selos dos portais do Inferno!

O horror… o horror… Nesse clima apocalíptico, será que existe arrebatamento para os cantores/atores? Claro que sim! Para tanto, cito rapidinho algumas menções honrosas dignas de aplauso: Cher (“Feitiço da Lua”), Roger Daltrey (“Tommy”, “Lisztomania”), Joan Jett (“Luz da Fama”), Ringo Starr (“Um Beatle no Paraíso”), Björk (“Dançando no Escuro”), Tom Waits (“”Down By Law”). E, pra não perder o costume, algumas menções honrosas trash imperdíveis de divertidas: Meatloaf (“Rocky Horror Picture Show”), os roqueiros japoneses do Guitar Wolf estraçalhando zumbis no malucaço “Wild Zero” (trailer logo abaixo) e Sting (“Duna”!).

Mas o real objetivo desse texto é falar de três fenomenais músicos, únicos na música… e no cinema! Sem a atuação genial deles, os filmes a seguir não seriam a mesma coisa! Quem são? Ora, estamos falando de Art Garfunkel, Mick Jagger e David Bowie!! E o engraçado é que todos os três tiveram suas melhores interpretações, na minha opinião, sendo dirigidos pelo diretor Nicolas Roeg (do genial “Inverno de Sangue em Veneza”). Por quê? O próprio diretor costuma dizer que “as estrelas do rock tem uma habilidade maior em iluminar a tela do que atores normais”, e como isso é verdade no caso dos três!

No caso de Mick Jagger, a sua performance inesquecível é… em “Performance”! Um filme loucaço, lisérgico e psicodélico, do final dos anos 60, que mistura gângsteres e roqueiros trancados num apê onde tudo vai rolar! A edição frenética do começo do filme, a violência dos bandidos, os exageros e excessos das drogas, do sexo e do roquenrrou, tudo o que os caríssimos podem imaginar se encontra aqui em “Performance”, filme que captou com perfeição aquela década insana. E a presença megalômana tão estelar quanto andrógina do ícone Mick Jagger é essencial para o clima decadente e surreal desse que eu considero o “Persona” do Ingmar Bergman, só que com drogas, cogumelos, lésbicas e rock! Confiram o trailer:

E o que dizer de Art Garfunkel? Músico talentosíssimo vítima recorrente da depressão (“Hello darkness my old friend”), emprestou essas características à insólita história de obsessão, sexo, amor e morte de “Bad Timing”. Nessa obra esquecida, mas tão tensa e carregada quanto excelente, Garfunkel, acadêmico psiquiatra ciumento e paranóico, se apaixona por uma belíssima estudante maluquete, e acompanhamos todo o romance furioso de forma não linear, entrecortando momentos sensuais com investigação criminal sobre a suposta tentativa de suicídio da garota. E caríssimos, tem até sexo selvagem intercalado por uma traqueostomia! Mais uma coisa: meses antes do lançamento do filme, a namorada da vida real do Garfunkel se suicidou no apartamento deles, e ele ficou vários anos fora do meio artístico. Sinistro… O trailer segue logo abaixo:

Por fim, David Bowie, o camaleão, um par de anos depois de ter criado e interpretado magistralmente nos palcos a sua icônica persona glam-rock do E.T. Ziggy Stardust, em “Starman”, dá vida num longa a Thomas Jerome Newton, o incrível alienígena que se mistura à cultura norte-americana no épico “O Homem Que Caiu na Terra”. A trajetória não linear do personagem cadavérico, misterioso, ruivo e andrógino de Bowie, que veio à Terra atrás de água pra resolver o problema da seca do sertão de seu planeta natal, é avassalada por sexo, abuso de drogas e a busca desenfreada pelo sucesso financeiro, numa parábola perfeita ao modo de vida dos States. A aura de ser do outro mundo do carismático David Bowie é fundamental nas longas cenas transgressoras de sexo com a terráquea Marilú; o filme não se prende a convenções narrativas e é uma jornada visceral de sensações e emoções e tudo é mais bizarro ainda pela presença espectral de um dos melhores atores/músicos da história do cinema. Assistam o trailer abaixo, imperdível:

E como nem tudo são flores, é preciso ser justo: nem sempre esses três grandes músicos/atores mereceram o título! Mick Jagger pagou mico como o assassino mercenário do mal de jaqueta de couro e capacete de “Freejack”, em que o piloto de corrida Emilio Stevez vai parar no distante e violento futuro de 2009, cujo corpo deve servir de hospedeiro a um magnata corrupto, o filme parece um cruzamento incestuoso e vagabundo de “Blade Runner” com “Vingador do Futuro”! Art Garfunkel não se sai melhor, pois apesar de só fazer uma ponta em outra história de amor e obsessão que leva à ruína dos personagens, como em “Bad Timing”, é aquela velha história do Titanic: se o barco afunda, afunda todo mundo! O filme? “Encaixotando Helena”, bomba divertidíssima dirigida pela filha do David Lynch, sobre o sujeito que tranca a amada e vai amputando os membros dela pra que ela não fuja fede totalmente aos anos noventa ! E pra encerrar com chave de ouro de pagação de micossauro, David Bowie reina mais uma vez! Ele é nada mais nada menos que o Rei dos Goblins Jareth, sequestrador de bebês de “Labirinto, a Magia do Tempo”! Como esquecer um dos personagens mais bizarros do cinema infantil? Mister Bowie nada mais é que um molestador pedófilo de jovenzinhas de quatorze anos vestindo blusa bufante, bota da Xuxa, calça de bailarino que deiza o Ziggy Stardust à mostra e uma das perucas da Tina Turner!

Horror eterno e até a próxima, caríssimos!

 

Um abraço, Exumador.

Horror e Medo com o fim do Mundo?

Como é sabido por todos, existem rumores que o mundo explodirá ao término deste ano. Ao menos é o que os Maias escreveram numas pedras por aí e uma galera esquisitona comprou e está revendendo para a humanidade. E muitos trouxas – no sentido Harry Potter de ser – acreditaram e estão esperando que o Reagan e Gorbachev reencarnem num duelo mortal com invasões de plantas carnívoras, regado com terremotos e algumas bombinhas nucleares.

E como a The Dark One Productions adota o improvável ridículo como filosofia de entretenimento – afinal falamos de filmes trash, melhor nós os executamos –  resolvemos compilar para vocês os 5 filmes mais bizarros sobre o fim do Mundo. Então botem para tocar o vídeo do REM e leiam a lista:
Continuar lendo

Latrina Trash #01

Olá leitores, bem vindos a esse canto escuro da masmorra, o lugar perfeito para o cinema de qualidade onde o sangue falso jorra e os erros de continuidade, os defeitos especiais e a canastrice dos atores abundam! A galera dona das chaves cedeu gentilmente este espaço pros seres insanos de The Dark One Podtrash. Sim! Vamos falar sobre os filmes trash. que tanto amamos odiar! É com orgulho que aceitamos este convite do Cinemasmorra para falar sobre o cinema podreira.

Mas “Cinema Trash” é um conceito muito amplo. Nem mesmo a equipe do Podtrash chegou a um consenso – e talvez seja essa a magia do negócio todo. A seguir vamos falar sobre algumas idéias e definições sobre esses filmes tão deliciosamente toscos.

Continuar lendo

A contracultura do cinema nos Midnight Movies


O termo “midnight movie”, nos anos 50, se referia aos filmes, de qualidade questionável e temática inadequada para os padrões sociais, que iam ao ar na televisão americana a partir da meia noite. Nos anos 70, esteve associado a filmes alternativos, que não entravam no circuito comercial dos cinemas americanos e eram exibidos na sessão da meia noite, mais notoriamente, em Nova York. Atualmente, o termo é usado principalmente para pré-estréias que ocorrem à meia noite.

Os três adjetivos mais apropriados para discutir a cultura dos midnight movies são trash, que simboliza o custo baixo da produção e má qualidade geral, de edição, atuação, roteiro, exploitation, que sinaliza a exploração exagerada de determinado fator visando a um sensacionalismo e camp, termo ligado à ironia e ao mau gosto, buscando o precário de forma intencional.

Uma série de eventos trágicos, como os assassinatos de John Kennedy e Martin Luther King, a falência do movimento hippie e a manutenção da guerra no Vietnã, nos anos 60, colaboraram para que surgisse um público disposto a consumir obras ácidas que incluíssem esses elementos nos anos 70.

Com essa atmosfera, aumentou o consumo de obras niilistas, cínicas, experimentais, transgressoras e sem censura. Esse público buscava algo completamente fora do sistema, que chocasse, divertisse e inovasse. O cinema foi uma das maiores válvulas de escape para aqueles que se sentiam impotentes diante da situação política e social do país. Assim, nasceu o midnight movie, gênero no qual os criadores podiam realizar algo autêntico, sem hesitar. No entanto, segundo John Waters – diretor de “Pink Flamingos” e uma das figuras mais admiradas na contracultura cinematográfica – a maior parte da sociedade ainda odiava esses filmes, já que iam contra seus valores.

Há divergências sobre qual teria sido o primeiro midnight movie. Certos registros apontam que cinemas itinerantes nos anos trinta já exibiam filmes dessa linha em sessões à meia noite. Em 1957 ocorreu uma série destas exibições para o filme “Curse Of Frankenstein”, de Terence Fisher, e, em 1968, para “Messages, Messages”, de Steven Arnold. E é possível apontar Warhol e Buñuel como diretores que abriram passagem para a existência desse tipo de circuito.

“El Topo”, do chileno Alejandro Jodorowsky, é aceito, em geral, como referência inicial de midnight movie, principalmente, pelo êxito comercial diante de uma proposta tão árida. A estréia, em 1970, sem nenhuma publicidade a respeito, conseguiu lotação máxima em todas as sessões da meia noite por nove meses seguidos. Um fenômeno atrelado ao “boca a boca” de um público latente de cinema alternativo. Quando John Lennon comprou o filme, em 1971, e o colocou em circuito, o filme não durou três dias, sendo um fracasso total de público. Sem o horário específico e seu caráter de evento, o filme parecia perder sua aura.

“Noite Dos Mortos Vivos”, de George Romero (1968) tornou-se o grande sucessor de “El Topo”. Inicialmente, o filme estreou em drive-ins, “grindhouses” e salas menores. As críticas, que, a princípio foram péssimas, aos poucos foram se tornando positivas, conforme o filme era digerido além de sua superfície grotesca. Em 1971, o filme, exibido à meia noite, alçava vôo para se tornar o maior êxito comercial em termos de custo-benefício da história, só superado em 1999, por “A Bruxa de Blair”, de Daniel Myrick e Eduardo Sánchez.

“Noite” se diferenciava pela sua capacidade política e social, o que era rarefeito nos filmes de terror da época. Romero salienta que, principalmente nos anos 50, o terror pregava o medo da ciência, sem um contexto moral ou político por trás. Neste filme, o debate está em torno do realismo nas intervenções do telejornal, da natureza dessa sociedade de zumbis, que revolucionaram o mundo, do significado da intervenção do exército e da cena final do assassinato do protagonista negro – no mesmo ano do assassinato de Luther King. J. Hoberman, um dos autores do livro “Midnight Movies”, descreve este período da história americana, como o mais violento desde a Guerra Civil, e Romero parece ter a mesma ótica.

Praticamente na mesma época, foi lançado “Ensina-me a viver”, de Hal Ashby, que teve bastante sucesso no circuito de arte brasileiro e chegou a ser adaptado para o teatro. Além da questão da liberação sexual, o filme contém pertinentes críticas ao militarismo através do tio de Harold, um saudosista veterano de guerra.

“The Harder They Come”, de Perry Henzell, conseguiu inovar ainda mais, já que foi o primeiro midnight movie de blaxploitation, apenas com atores negros, o primeiro filme jamaicano da história e o primeiro filme com trilha sonora de Reggae – que introduziu o gênero no exterior e o levou para o mainstream americano. O filme só deu certo nos Estados Unidos em sessões da meia noite e ficou, em cartaz, por seis anos, no Orson Welles Cinema, em Massachussets.

O maior sucesso comercial de um midnight movie foi o musical “The Rocky Horror Picture Show”, de Jim Sharman, de 1975, que, após as sessões da meia noite, conquistou até mesmo o público médio. Seu culto se tornou colossal e era comum que os fãs fossem vestidos como os personagens e cantassem durante o filme. O enredo, baseado numa peça homônima, conta a chegada de um casal ao castelo de um travesti gótico, no dia em que ele cria sua criatura, o ariano musculoso Rocky. O filme ficou no circuito da meia noite por mais de dez anos, sendo exibido diariamente. Até 2006, ainda podia ser visto, semanalmente, em 23 salas dos Estados Unidos.

“Eraserhead”, de 1977, primeiro longa de David Lynch, foi o único que não lotava as sessões. Por mais que o filme tivesse a mesma aura surreal, original e self-made, não é cômico, não tem uma trilha sonora agitada, não inspira coletividades festivas e, definitivamente, não é imediato. Ele é letárgico, solitário, introspectivo e hermético, como uma premissa do cinema autoral de Lynch.

O mercado das sessões da meia noite começou a se esgotar e muitos cinemas alternativos foram fechando. Em meio a essa crise, Liquid Sky, de Slava Tsukerman, de 1982, foi, talvez, o último midnight movie, em que alienígenas extraem das pessoas a substância que secretam durante o orgasmo ou o consumo de heroína. Outros filmes importantes da época, que abarcavam essa estética, já eram feitos por grandes estúdios e para o circuito normal, como “The Warriors”, de Walter Hill, “The Evil Dead”, de Sam Raimi, “Heavy Metal”, de Gerald Potterton, e “The Wall”, de Alan Parker.

A decadência do movimento ocorreu na medida em que o culto estagnou em torno de determinados filmes e os espectadores começaram a assimilar o estilo, já que podiam assistir os filmes estranhos em horários diferentes. Além da popularização do VHS, que permitia a sessão privativa do filme, e o crescimento da televisão a cabo.

A partir da segunda metade dos anos 80, o estilo midnight movie só aparecia em tom de homenagem, como no caso do Festival Internacional de Cinema de Toronto, que realiza a “Midnight Madness” desde 1988, ou o Festival do Rio, que criou também uma sessão chamada midnight movies, para filmes experimentais e inovadores de sua seleção. O Sesc Tijuca tem o cineclube Phobus, com seleção baseada em filmes do gênero.

Os midnight movies foram uma importante manifestação da contracultura setentista, que se tornou tão relevante e divertida que foi assimilada pelo público, alterando o curso do próprio cinema hollywoodiano ao se tornar uma parcela significativa de qualquer seleção comercial.

Muitas obras ainda permanecem com a estética superficial dos midnight movies. Mas o discurso crítico se atenuou, dando mais lugar para o humor, o que não deve ser visto como uma derrota. Pelo contrário, é o maior testemunho sobre a importância que os filmes da meia noite tiveram para alterar o curso da cultura pop.
Por Christian Costa do site da Faculdade Casper Líbero.

Masmorracast # 08 Filmes B…de Bom!

FILME TRASH = FILME LIXO?
Muita gente não entende o que é filme trash e, por isso, tem um preconceito enorme quando ouve alguém falar sobre eles. Acham que esse tipo de filme é um verdadeiro lixo, como apenas sugere a tradução literal da palavra “trash”. Vamos tentar compreender juntos o que “filme trash” quer dizer.

Primeiro, a definição de filme trash é bem discutível. Geralmente esse termo é associado a filmes de terror ou de suspense mal feitos. Na verdade, um filme trash é a estética apresentada pelo longa, pois este se utiliza de materiais e recursos de baixo custo. Pensando assim, qualquer estilo de filme pode seguir uma estética trash, seja ele de terror, suspense, aventura ou drama. Basicamente, é isso.
O primeiro filme dirigido por Peter Jackson, que ficou extremamente famoso e rico pela quase perfeita adaptação da história até então inadaptável para o cinema de “O Senhor dos Anéis”, foi um filme trash. “Trash – Náusea Total” começou a ser filmado em 1983, demorando quatro anos para ser concretizado. Era para ser um curta de 15 minutos, mas se estendeu até os 92, obviamente se tornando um longa metragem. A equipe técnica do filme era composta por Jackson e seus amigos, que trabalhavam no filme nos fins de semana. Muitos o consideram o “Cidadão Kane” dos trash films. Conta a história de uma cidadezinha de interior que foi escolhida por alienígenas para ser um campo de abate, de onde as carnes humanas provenientes abasteciam uma rede intergaláctica de fast food.

Não indo para muito longe, aqui no Brasil mesmo, temos um cineasta muito famoso no mundo todo por seus filmes trash. Estou falando de José Mojica Marins. Não sabe quem é? E seu eu lhe disser “Zé do Caixão”? Aí com certeza você já ouviu falar! Pois é… Para vocês terem uma ideia, seu último filme, “Encarnação do Demônio”, fez muito sucesso aqui e lá fora. Teve um orçamento estimado em um milhão de reais e, sinceramente, foi o mais bem produzido trash movie que já vi em toda a minha vida de cinéfilo.
Fonte : cinefilodeplantao.wordpress.com

Neste podcast B,conversamos um pouco sobre cinema B,e como diretores,e atores conceituados já trabalharam com poucos recursos, mas muita imaginação! BBBBBBBBBB Porra!
Participaram Angélica HellishMarcos NoriegaTiago Santana – Comunidade Cinema Hell no Orkut e Daniel Ruiz nosso amigo e colaborador.

Nosso email para contato: contato.cinemasmorra@gmail.com

PARA FAZER DOWNLOAD CLIQUE AQUI COM O BOTÃO DIREITO DO MOUSE E SELECIONE SALVAR LINK COMO

Masmorra no Twitter e no Facebook 

Cinema Experimental

Por André Lipe

Até hoje pouco discutido, raras vezes visto e minimamente compreendido, uma manifestação cinematográfica intitulada UNDERGROUND, que aconteceu nos Estados Unidos a partir do final da década de 1950, atravessou os conturbados anos de 1960 e viu sua decadência na década seguinte, revolucionou a produção, distribuição, exibição e crítica do cinema, com um esquema totalmente independente da grande indústria e com propostas estéticas experimentais muito diversificadas; na época não foi compreendido nem pelos intelectuais que realizavam as revoluções dos ‘cinemas novos’, que classificavam as obras provenientes deste movimento como tipicamente burguesas, já que geralmente não continham aquela afetação esquerdista e revolucionária tão presente em obras como as de Godard, Rocha, Gravas.

Porém, a revolução plástica e até mesmo de conceitos sobre o cinema propostas pelos cineastas pertencentes a este grupo, hoje com o acesso a essas obras propiciado pela rede de informação, assume um vulto significativo.
Em primeiro lugar, a diversificação de temas e formas deste movimento faz levantar a questão sobre o que homogeneizava o mesmo, e chegamos a conclusão de que, sem dúvida fora o esquema independente e marginal adotado por estes cineastas, que realizavam suas obras desde o caseiro 8mm até exibições com seis ou mais projetores, com temas que iam do homossexualismo até a mais radical anarquia, demolindo instituições e valores morais.

Vale destacar alguns cineastas, como Kenneth Anger, considerado o vovô do movimento ao lado da cineasta Maya Deren, pois começaram a realizar seus filmes ainda na década de 1940; Anger pode ser considerado como um dos precursores do vídeo-clip pois seus filmes, apesar de ter uma temática central mais definida pelo título, apresentavam um fluxo de imagens oníricas sobrepostas, personagens e cenografia pra lá de rococó transformando a experiência de assistir a suas obras um delírio psicodélico com um grau de interpretação altamente subjetivo (isto em obras como Inauguration of the Pleasure Dome (1954), Lúcifer Rising (1966) ou Invocation of my Demon Brother (1969) ; Anger também realizou, ainda na década de 40, Fireworks (1947), onde ele mesmo representa um adolescente espancado, estuprado e morto por um grupo de marinheiros, culminando com o pênis de um deles se transformando em fogo de artifício.

A experiência lisérgica, muito em voga na época com a utilização de LSD, cogumelos e peiote difundida quase como um sacramento nos meios contra-culturais, foi registrada em um realismo mágico através de obras experimentais como Peyote Queen (1965) de De Hirsch, o belíssimo Chumlum (1964) de um cineasta maldito e de poucas obras devido a sua morte precoce chamado Ron Rice, Normal Love (1963), do anárquico Jack Smith que havia feito o incômodo Flaming Creatures em 1962 onde retratava propositalmente de uma maneira tosca pessoas após uma orgia. O grande catalisador do movimento foi Jonas Mekas e sua revista Film Culture, que também fundou uma Cooperativa para a realização, distribuição e exibição destes filmes; Mekas realizou muitos ‘diários’, onde retratava de uma maneira experimental e muitas vezes caseira o cotidiano de personalidades como John Lennon, Allen Ginsberg.

As técnicas adotadas pelos cineastas eram muito amplas, como arranhar diretamente o negativo do filme, sobreposições de imagens, lentes de distorção, pintura direta sobre a película, colagens e muitas outras.
Tony Conrad radicalizou completamente com The Flicker (1965), seqüência de quadros brancos e negros que geravam um efeito estroboscópico que poderia ocasionar ataque epilético em pessoas com esta propensão; muitos anos depois, já em 2004, o cineasta Ken Jacobs, que também pertencia ao movimento na época, realizou Celestial Subway Lines, Salvaging Noise, utilizando a mesma técnica só que filmando texturas em preto e branco que variam vagarosamente sob o efeito estrobo, propiciando alucinações, já que depois de um determinado tempo ( o filme dura 68 minutos) nosso inconsciente começa a projetar imagens sobre o que vê e acreditamos de fato ter visto coisas além das texturas.

Há muitos nomes a serem citados e muitas obras a serem vistas e assimiladas, mas um cineasta que gostaria de lembrar pelo tanto que experimentou e por tornar sua própria vida motivo de um cinema não convencional é Stan Brakhage.
Além de realizador foi também um teórico: seu Metaphors on Vision, publicado em 1963 na Film Culture, é um manifesto que propõe uma reeducação do olhar e da percepção, ‘descoisificando’ objetos e cores, como se estivéssemos diante deles pela primeira vez e sem preconceitos: quantas variáveis de verde um bebê vê diante de um gramado? Em obras como Dog Star Man (1959-64), onde o filme é montado fotograma por fotograma, não buscando a ilusão do movimento, ele abdica até do som para que as imagens não nos remeta a nenhum pré-conceito, para que o som não a contextualize.
A luz captada pela lente da câmera queima o filme e quando o mesmo, em sua ruína, parte do projetor e sobre o branco da tela desfila suas sombras, essas se refletem ao expectador que aí encontra terreno fértil onde emergem memórias e percepções profundas, valores relativos a existência e a morte, numa legítima busca à Deus, livre de qualquer ideologia ou estética.
Devido a isto, segundo o cineasta, o cinema não deveria se apropriar da figuração visual, pois a mesma implicaria em uma narrativa e, consequentemente, uma moral. Sua proposta é redescobrir o mundo e a ti mesmo através do olhar, numa entrega contemplativa, não reflexiva, um ato mágico.
Em suas palavras: ‘Imagine o jardim como você quiser – o crescimento se dá fundamentalmente no subterrâneo’.