Você precisa assistir ao filme Vá e Veja do cineasta Elem Klimov. Colocamos aqui dois incentivos para isso. Uma crítica e um podcast. Ambos incríveis!

Escute o Cine Cast sobre o filme!

O Cine Cast foi descontinuado, mas disponibilizaram um link para o Google Drive em sua página do Facebook com todos os podcasts já publicados. Acessem!

Texto de Luiz Santiago do site Plano Crítico O site é excelente, e o Luiz já participou conosco em um podcast. Confiram e prestigiem o trabalho deles.

O capítulo 6 do Apocalipse de João (ou Livro das Revelações), possui uma constante repetição de chamado ao apóstolo: “vem e vê“. Neste capítulo temos os ‘quatro cavaleiros do Apocalipse’ e entendemos que cada um deles anuncia a chegada de ondas de destruição e desgraças contra milhares de pessoas. Foi desse contexto bíblico que o diretor Elem Klimov e o roteirista Ales Adamovich tiraram o “Vá e Veja” para o título deste filme, já que o nome original entregue aos censores, “Matar Hitler“, havia sico rejeitado.

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Batendo papo na Masmorra # 12 – O que assistimos ultimamente…

Demorou!
Estamos de volta com mais um podcast.

E dessa vez recebemos uma Invasão Histórica aqui na Masmorra…
Neste bate papo informal Angélica Hellish recebe Gabriel Toopera editor e podcaster do Visão Histórica, Pablo Lopes agregado oficial do Histórica e também do Bar do Nerd e Hugo Soares do Filmes com Legenda, Pauta Livre News e Capas Customizadas e conversaram sobre filmes como: Náufrago, Operário, Tropa de Elite 2, Reine Sobre Mim, Matadores de Velhinhas, Gente Grande, Amor Além da Vida, O Som do Coração, O Homem Bicentenário, Vá e Veja, Um Ato de Liberdade, Irmandade da Guerra, Glória Feita de Sangue, Trilogia Cubo e séries como: A Casa das Sete Mulheres, The Pacific e Band Of Brothers.
E mais: A HQ Leões de Bagdá, Cinema Brasileiro, Ancine, comédia e comediantes, Adam Sandler, Camiseta Spoiler( eu quero! ), Hugo entrando no meio do podcast…
Aqui tudo é liberado.Esse espaço é zuado, e é legal por isso!
Sempre uma boa recomendação.
E você, o que tem assistido ultimamente?  Comenta aí.

Nosso email:contato.cinemasmorra@gmail.com
Twitter: @Masmorra_Cast


Músicas tocadas no podcast:

Crazy Train – Ozzy Osbourne
Hey Joe – Jimi Hendrix
The Wizard – Blind Guardian
Ashes Are Burning (P.-1 e P.-2) Reinassence
Feelin’ Funckin! – The Mood Mosaic
Hush – Jeff Scott Soto & Mike Varney
Aqualung – Jethro Tull
Imaginary Traveler – Omar Farouk Tekbilek
Neon Knights – Black Sabbath
Comin’ Home – Kiss
While My Guitar – Beatles
Barracuda – Heart
Child In Time – Deep Purple
Touch And Go – Emerson, Lake and Powell
Piece Of My Heart – Janis Joplin
Come Out And Play – The Offspring
Surfing With The Alien – Joe Satriani

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Se você é cinéfilo e nunca assistiu “Vá e Veja” (Idi i Smotri, URSS, 1985) Você precisa assistir!


 

Você pode ser um cinéfilo experiente e acreditar que já viu de tudo, dentro do gênero “filme de guerra”. Pois não viu. Pelo menos até encarar de frente a obra-prima russa “Vá e Veja” (Idi i Smotri, URSS, 1985).

Relato duro, seco e impassível do ataque nazista à União Soviética, em 1943, o longa-metragem transpõe para celulóide as terríveis memórias de infância do cineasta bielo-russo Elem Klimov, que sentiu na pele a violência da guerra. Graças a uma ousada tour-de-force de edição de som e operação de câmera, Klimov foi capaz de alcançar e manter, do início ao fim do espetáculo cinematográfico, um impressionante rigor formal, mesclado com altíssimo nível de emoção. Ele produziu, assim, um dos espetáculos mais brutais e desconcertantes já exibidos em uma tela de cinema. É um filme que atinge o espectador direto no estômago, com a força de um soco. Um filme que desorienta.


Antes de morrer, em 2003, Elem Klimov explicou que o objetivo de “Vá e Veja” não era contar uma história, mas mergulhar nas memórias de infância e tentar comunicar à platéia a assombrosa confusão de sentimentos – pânico, fúria, tristeza, medo, horror – que experimentou, enquanto a família tentava escapar da ofensiva alemã na Bielo-Rússia (país a oeste da Rússia), em 1941. O objetivo, ambicioso para qualquer criador, foi plenamente alcançado. De fato, Klimov não se preocupa em contar uma história. Pelo menos não da maneira clássica, com começo, meio e fim, em que o protagonista atravessa uma jornada de dificuldades e sai transformado. A câmera de Klimov, ao mesmo tempo brutal e elegante, rústica e sofisticada, apenas acompanha as experiências vividas pelo jovem camponês Florya (Alexei Kravchenko), em um par de dias, na fase mais crítica da invasão nazista à região.

Para reconstituir as lembranças da guerra com a maior fidelidade possível, Klimov não poupou esforços. Conseguiu verdadeiros uniformes militares nazistas, usou munição de verdade nas cenas de tiroteios e recusou a facilidade de filmar em estúdios, preferindo a imprevisibilidade das locações reais. Ele optou por filmar tudo em tomadas longas, que freqüentemente ultrapassam três ou quatro minutos, sem cortes. O extraordinário uso da steadycam (equipamento especial que dá estabilidade às imagens captadas por uma câmera fixa nos ombros de um operador), aliado à execução perfeita de intrincadas coreografias, com a movimentação simultânea de centenas de figurantes, deveria ser estudado em escolas de cinema, tamanha a perfeição. Enquanto a câmera passeia pelo meio de multidões de camponeses aterrorizados e soldados enlouquecidos, temos a sensação de estar bem no meio da guerra, vivenciando tudo aquilo.

Este envolvimento emocional é amplificado por uma engenhosa edição de som, que vai além do realismo puro e simples. Quando uma bomba explode ao lado de Florya, ele passa a ouvir um zumbido alto e insistente, que abafa quase completamente os sons naturais. As pessoas gritam bem ao lado dele, que não ouve. Steven Spielberg copiou esta técnica em na abertura de “O Resgate do Soldado Ryan”, mas não teve coragem de levá-la ao extremo, como faz Klimov. O diretor bielo-russo mantém o zumbido em primeiro plano por cerca de 20 minutos, em que o espectador compartilha da desorientação e do terror que o rapaz sente. Diálogos e sons ambientes podem ser ouvidos, mas muito ao longe, bem atrás de uma parede sólida de ruídos. O zumbido vai cedendo lentamente, como aconteceria na vida real. Além disso, o cineasta teve a grande sacada de mixar ao zumbido, de forma quase imperceptível, trechos distorcidos de melodias de Mozart. A música é praticamente inaudível, mas atinge com força o subconsciente e contribui para elevar a experiência sensorial da guerra a um nível de horror puramente emocional, como pouquíssimos filmes já ousaram fazer.

Ao conjunto dessas técnicas, todas maravilhosamente executadas, deve-se agregar ainda a atuação absolutamente sobrenatural do jovem ator Alexei Kravchenko, cuja expressão petrificada, de olhos esbugalhados, parece conter toda a dor do mundo. Em algumas cenas, ele foi hipnotizado para que o diretor conseguisse extrair dele reações de puro terror. Além disso, o elenco de anônimos, com rostos duros e vincados, expressões sofridas e o olhar permanente de quem está encarando a morte sem esperanças, também brilha intensamente. Os atores e figurantes desconhecidos emprestam dignidade e verdade a seqüências que parecem encapsular toda a insanidade e a violência da mais estúpida e genocida de todas as guerras registradas pela História humana.

– Vá e Veja ((Idi i Smotri, URSS, 1985) Trailer
Direção: Elem Klimov
Elenco: Alexei Kravchenko, Olga Mironova, Liubomiras Lauciavicius, Vladas Bagdonas
Duração: 142 minutos