Batendo papo na Masmorra # 01 – O que assistimos ultimamente…

Pra você que gostaria de saber o que assistimos fora dos temas apresentados no Masmorra Cast, gravamos um podcast sobre o temos assistido recentemente.
Falamos também sobre nossas impressões sobre cinema na atualidade,remakes, Cinema Extremo, numa conversa que cita filmes como Il Divo, Minha Mulher é Mafiosa, Conflitos Internos, Le Conseguenze Dell’Amore, REC, Centopéia Humana, American Esplendor e muito mais!
Esse episódio contou com a presença de Alexandre Landucci do Blog Fotograma Digital, Barão do Farrazine e do Red Baron Blues Blog, e Eduardo Cosso do Destino Poltrona. Comente!  Diga pra gente se devemos continuar esse projeto filhote do Masmorra Cast!

PROMOÇÃO MASMORRA CAST E TAVERNA DO OGRO ENCANTADO


Nosso Blog e Podcast completam seu primeiro aninho!

Mande pra gente,um audio(no máximo 3 minutos)falando sobre suas impressões sobre o Blog Masmorra Erótica e o nosso podcast.Você já assistiu um filme que foi indicação nossa?O nosso podcast é importante na podosfera?
Seja criativo!Todas as mensagem enviadas serão colocadas em um podcast comemorativo,e comentadas pela nossa equipe.
Crie sua mensagem no seu computador ou nos adicione no G-Talk contato.cinemasmorra@gmail.com e deixe seu recado após o sinal.
O Prêmio será um boneco Simpsons Mini Figure-Toy Art oferecido pela Taverna do Ogro Encantado
clique no banner e conheça os produtos da loja!

PARA FAZER DOWNLOAD, CLIQUE AQUI E SELECIONE SALVAR LINK COMO
NOVO FEEDhttp://www.podcastgarden.com/podcast/podcast-rss.php?id=7567 Assine  e conheça todos os nossos podcasts

Masmorra no Twitter e no Facebook 

Anúncios

A HQ proibida

Já tinha um tempo que eu não lia uma hq, e nada melhor que recomeçar por uma um tanto quanto “polêmica”.

É Shoot, por Warren Ellis e Phil Jimenez, que sairia em Hellblazer #141, mas foi proibida por retratar assassinatos em escolas, como Columbine.

Não darei spoilers, mas posso adiantar que se você espera cenas fortes, pode tirar o ‘cavalinho da chuva’, o que ela tem de chocante são os diálogos e a conclusão que o leitor tem ao ler o último quadro, não me lembro de ter lido uma HQ que conversasse diretamente com o leitor, da forma como essa faz. 

Era impossível não recordar de cenas de “Bowling for Columbine”, de Michael Moore, onde ele faz uma abordagem muito semelhante a da HQ!


Ou mesmo “Elephant”, de Gus Van Sant, que mostra além dos fatos, o cotidiano de alguns dos alunos, que por fim acabaram como vítimas naquele dia, e onde mais uma vez a violência é psicológica.

Lembrei ainda da música ae abaixo, que fala de acontecimentos semelhantes, não com as mesmas consequências, mas com as mesmas causas.

 

Jeremy – Pearl Jam

 

Seráphine de Senlis: a artista que não conhecemos

SERAPHINE

O longa-metratem “Séraphine”, de Martin Provost, foi o grande vencedor da 34ª edição do prêmio César (o Oscar francês, por assim dizer). O longa levou para casa os prêmios de Melhor Atriz para Yolande Moreau, Melhor Roteiro Original, Melhor Fotografia, Melhor Cenografia, Melhor Figurino e Melhor Trilha Sonora.
O filme narra a extraordinária vida da francesa Séraphine de Senlis. Nascida em 1864, foi pastora e dona de casa antes de se transformar em pintora naïf (para quem não sabe, são aqueles pintores autodidatas.) e submergir na loucura. Viveu contra todas as expectativas tristes de sua vida e ascendeu por meio da originalidade e beleza de sua arte.
Daí a importância da personagem de Wilhelm Uhde (1874-1947) na afirmação pública de Séraphine e, antes disso, na simples criação de condições práticas para ela praticar e desenvolver a sua vocação. O personagem de Uhde é interessantíssimo porque, afinal, foi ele quem impulsou talentos como Picasso, Henri Rousseau, Braque e Douanier Rosseau, entre outros. Coleccionador, galerista e crítico de arte alemão, Uhde soube ver Séraphine para além das rotinas do quotidiano, reconhecendo nos seus quadros a energia de uma linguagem própria. E é uma pequena maravilha o modo como o filme de Martin Provost encena a relação entre a pintora e o seu mentor (Ulrich Tukur): ela frágil, ele conseguindo sentir a vibração das formas para além das aparências sociais. Por óbvio não sabemos como era a relação dos dois, se foi algo apenas financeiro ou se realmente houve alguma amizade entre os dois.
Séraphine não é apenas uma produção sobre uma artista do início do século passado. Ele próprio, o filme, é uma peça de arte ao explorar nos detalhes a vida de sua personagem principal, bem como o processo criativo e a visão de mundo que a artista possuía. O filme dedica o tempo necessário e abriga qualidades como a contemplação e a narrativa que busca a pulsação do artista ao qual a produção é dedicada. Uma bela peça de cinema que, além da arte, trata do contexto europeu que antecedeu e sucedeu a 1ª Guerra Mundial. Além disso, Séraphine trata sobre religiosidade, fé e compreensões divergentes sobre o belo e a loucura.
Yolande, um show de atuação, convence como se fosse a própria artista, criada sob os valores da fé e do trabalho duro como os únicos caminhos dignos de uma pessoa vencer na vida, o pensar é descartado para pessoas como ela. Yolande assume o papel de Séraphine como o de uma mulher frágil e ao mesmo tempo batalhadora,  manipulável e que sucumbe com certa facilidade a uma idéia grandiloquente de salvação por meio da fama.
Seraphine-UK-Poster-512x384
O roteiro é muito bem articulado, com vários silêncios e alguns diálogos relevantes. Poucas são as palavras proferidas por Seráphine. Nós passamos a conhecê-la por seus atos de contemplação à natureza, por seus olhares quase que infantis, isso que torna o longa um dos melhores do gênero. Meio óbvio comentar isso, mas ganha um destaque todo especial a direção de fotografia de Laurent Brunet. Não apenas as paisagens e a arquitetura local são detacadas pelas lentes de Brunet e Provost. A direção de fotografia acaba sendo fundamental para valorizar os momentos intimistas da produção, que revelam o processo criativo de Séraphine e a sua devoção. Um lindo trabalho, belo e poético ao mesmo tempo.
Seráphine Louis
Outro assunto que aparece em Séraphine, ainda que de forma bastante secundária, era o do preconceito contra homossexuais naquela época. Uhde se muda para o interior da França, no início do filme, certamente para fugir de perseguições. E mesmo depois da guerra, quando o armistício deveria afetar várias esferas da sociedade, ele continuava escondendo seus romances – na segunda fase do filme, inclusive, aparece sua relação com o artista Helmut Kolle (Nico Rogner).
Como bem resumiu o diretor e roteirista Martin Provost, esta é a história de uma mulher essencialmente livre. Nadando contra todas as correntes e todas as perspectivas, Séraphine manteve o seu talento e o seu dom. Não desistiu nunca de seguir o caminho que acreditava certo. Além de contar a história de uma mulher incrível e extraordinária em sua simplicidade, Séraphine revela ao espectador os bastidores do trabalho de uma artista visceral. Além disso, conta uma relação curiosa de dois “marginalizados”, como definiu Provost, que foi o caso de Séraphine e do marchandt alemão Wilhelm Uhde. Resumindo, eis aqui um filme poético e belíssimo sobre arte, força criativa, amor pela Natureza, religiosidade, sobre o conturbado período entre as duas grandes guerras mundiais e sobre pessoas que, mesmo marginalizadas/perseguidas, souberam ser fiéis a si mesmas.

Acessem também:

Escute o Masmorracast #26 – Quadro a quadro: O cinema apresenta as artes


Youtube:

Cabra Cega

 

Em ano eleitoral, vale apena assistir Cabra-Cega, para conhecer ou relembrar uma parte negra da historia brasileira.
Logo acima do nome do titulo vemos exposto na capa do filme uma frase de impacto: na ditadura, abrir os olhos era mais que uma brincadeira. Cabra-Cega aplica esse termo durante uma hora e meia.
O pano de fundo da historia é os anos 70, durante “Os Anos de Chumbo”, uma das épocas amargas da ditadura militar brasileira.
Na trama, Thiago (Leonardo Medeiros), é um militante, obrigado a ficar confinando dentro do apartamento de um simpatizante da causa, Pedro (Michel Bercovitch), devido um acidente ocorrido num confronto contra a polícia.
Durante seu exilo, Thiago permanece aos cuidados de Rosa (Débora Duboc), militante responsável por sua recuperação. Ambos mantidos financeiramente por Matheus (Jonas Bloch), um dirigente da organização, que trabalha do lado de fora para retornar a luta armada.
A privação da liberdade é o tema central da narrativa, torna-se o espelho do protagonista, uma contradição exposta em seu pensamento revolucionário. A luta pela liberdade, sem ter a liberdade.
Isolado no apartamento e impendido de sair a qualquer custo, ele vive sua própria luta armada mentalmente, exposta, por meio dos seus desvios e tormentos ocasionados pelo barulho externo e interno, o toque do telefone e da campainha atingem o subconsciente, criando lembranças do passado.
No presente o seu drama aumenta a cada instante, sem noticias de fora, sobra espaço para voltar a sentir sensações abandonadas pelo tempo. Como se apaixonar, fazer amigos e sentir o vento.
Por meio dos noticiários da televisão constata que o fim está próximo.
O diretor Toni Ventura e o roteirista Di Moretti, abordam outro lado da ditadura militar, ambos trazem a tona um problema recorrente aos militantes da época, a privação da liberdade
Vale destacara a trilha sonora, reunindo variados sucessos da época, todas interpretadas pela cantora Fernanda Porto, com a participação de Chico Buarque em uma das faixas.
Cabra cega é uma produção nacional de baixo-orçamento, com um bom elenco, que vale apena ser visto.
Ficha Técnica:
Título Original: Cabra Cega
Gênero: Drama
Duração: 01 hrs 47 min
Estúdio: Olhar Imaginário
Direção: Toni Ventura
Roteiro: Di Moretti, baseado em argumento de Fernando Bonassi, Roberto Moreira e Victor Navas
Produção: Toni Ventura
Musica: Fernanda Porto
Fotografia: Adrian Cooper
Direção de Arte: Chico Andrade

Rondellus – Sabbatum (a medieval tribute to Black Sabbath)-2002

O que aconteceria se o Black Sabbath tivesse surgido…no século XIV?

O Rondellus é um grupo da Estônia, montado em 1993 por Maria e Robert Staak, especializado em recriar as sonoridades medievais e renascentistas,
utilizando reconstituições de instrumentos da época.
A idéia do projeto Sabbatum surgiu da união do grupo com o produtor Mihkel Raud, que queria dar a idéia de que aquelas músicas sempre existiram,
e só foram ”descobertas” hoje, graças à Tony Iommi e a galera dele…

Well, essa disposição, aliada ao talento incontestável dos músicos, gerou um trabalho fascinante, repleto de significados, em sua simplicidade…
..Vale lembrar que os temas não são necessariamente carregados de ”peso” sonoro,
como o entendemos hoje. Antes ouvimos intensidade…
A sonoridade retratada aqui é anterior à época dos grandes compositores conhecidos,
que estabeleceram os padrões do que viria a se chamar música ”erudita” ou ”clássica”;
retrata antes o tipo de composição minimalista que era popular nas cortes européias da época,
altamente influenciada tanto pelos cantigas celtas pagãs qüanto pelos cânticos litúrgicos do cristianismo.
As músicas são cantados em latim, conforme o eram naquele tempo…

Minimalista, mais ou menos como o próprio Sabbath o foi, na nossa época…
O apelo ancestral de certas canções do Sabbath,
como Planet Caravan(Planetarum Vagatio) ou Solitude(Solitudo),
é inegável já na primeira audição…
e elas estão aqui, representadas como poderiam ter sido antes…
como elas sempre seriam… Há ainda Magus (The Wizard,na minha opinão a melhor),
Rotae Confusionis(Wheels Of Confusion), ou seja, aquelas músicas que já pareciam mesmo ter brotado na época dos bardos trovadores…
O grupo Rondellus, segundo sua Web Page, conta com qüatro álbuns, sendo Sabbatum, de 2002, o mais recente. Eis a página deles: Clique aqui
…e a página específica dedicada ao Sabbatum, com informações sobre os demais músicos, detalhes dos instrumentos utilizados, uma entrevista com Mihkel Raud, samples, galeria de fotos…olha lá: Clique aqui

“Dilatentur Spatia Caritatis ( Dilatem o espaço da Caridade ).” – Pio XI.

Colaborador : J. Marcos B.

Boogie,o Seboso


Los hermanos argentinos já mostraram ao mundo que sabem fazer filmes, colecionando prêmios em diversos festivais e ganhando por duas vezes o Oscar de melhor filme estrangeiro, em 1986 e 2010.
A Argentina também é um pólo da arte sequencial, produtora de pérolas como El Eternauta, Alvar Mayor, Ernie Pike, El Loco Chávez e, claro, Mafalda.

Então, já estava mais do que na hora de juntar cinema e quadrinhos e voltar a reinvestir em animações. O desenhista e escritor Roberto Fontanarrosa (falecido em 2007), conhecido pelo apelido de El Negro, foi um dos que mais prestou serviço para o cinema de animação argentino.

Ele inspirou curtas-metragens de animação, como La Planicie de Yothosawa (1991), desenhou e pintou a óleo o média-metragem animado da adaptação do tradicional poema Martín Fierro, de José Hernández, e em 2009 teve um personagem seu, Boogie, el aceitoso, criado em 1972, como destaque de uma animação homônima (apesar de existir um fragmento de um curta animado, no You Tube, anterior a essa produção).

O diretor e roteirista Gustavo Cova, que já havia tido experiência com a curta série animada para a TV City Hunters (2006), baseada em desenhos de Milo Manara, aceitou o desafio de dirigir a adaptação de Boogie, el aceitoso, contando com o trabalho magnífico do roteirista Marcelo Paez-Cubells.

A trama da animação gira em torno do personagem-título, que está voltando para sua cidade após ter lutado alguns anos no Vietnã, no Camboja, no Golfo e no Iraque. E Boogie já chega botando as mangas de fora e atirando pra tudo quanto é lado, mostrando que está na área. O que leva Sonny Calabria, o chefe da máfia local, a contratá-lo para dar cabo de uma testemunha que pode acabar com o seu império. No entanto, o preço pedido por Boogie para executar o serviço é muito alto e assim um novo assassino de aluguel é chamado: Jim Blackburn.
Ao saber que foi trocado por um assassino com técnicas mais modernas, Boogie rapta a testemunha e trava vários confrontos com Blackburn para provar que os métodos da velha guarda ainda não estão tão ultrapassados.

Gustavo Cova e Marcelo Paez-Cubells rechearam a animação, que mistura 2D com cenários 3D, com diversas citações cinematográficas, entre elas: O Poderoso Chefão, Apocalipse Now, Agarra-me se puderes e Sin City, lembrando também a carnificina de Tarantino em Cães de Aluguel e Pulp Fiction, e de Martin Scorsese em Taxi Driver e Os Infiltrados.

Ao longo do ano de 2009, Boogie, El Aceitoso, foi exibido nos festivais da Croácia, do Rio de Janeiro e de Annecy, com ótima receptividade.
No Brasil, o personagem é pouco conhecido e teve apenas um título publicado pela L&PM, na década de 1980, chamado Boogie, o Seboso. Mas, mesmo quem nunca ouviu falar em Boogie, vai gostar dessa animação de humor negro com uma dose exagerada de violência, e das tiradas sarcásticas do matador loiro: “Pertenço à comunidade racista mais numerosa… a que detesta os pobres” ou “A principal causa da violência é que algumas pessoas querem tirar comida de outras”.

Ficha Técnica:
Título Original: Boogie, el aceitoso
Direção: Gustavo Cova
País: Argentina e México
Gênero: Animação
Ano: 2009
Duração: 85 minutos
Trailer
Download – Filme com Legenda

Máscara da Ilusão


 

MirrorMask, de Dave McKean, Reino Unido/EUA,2005 – DVD
Parceiro há décadas do escritor Neil Gaiman, o artista plástico britânico Dave McKean ilustrou vários de seus trabalhos, tornando-se conhecido principalmente pelas exuberantes capas que criou para Sandman, uma das mais bem sucedidas e premiadas graphic novels de todos os tempos. Máscara da Ilusão retoma essa fecunda parceria, na primeira incursão de McKean pelo longa-metragem, baseado em roteiro inédito de Gaiman.
Aqueles que acompanham o trabalho de Neil Gaiman – seja através de suas graphic novels (Sandman, Os Livros da Magia, Orquídea Negra) ou de seus romances (Belas Maldições, Deuses Americanos) – estão acostumados com sua imaginação extraordinária, capaz de criar mundos inteiros com um detalhismo e coerência impressionantes. Responsável pela tradução visual desse universo onírico, McKean é dono de um estilo inconfundível, numa mescla de desenho, fotografia, bonecos e manipulações digitais de imagem.

Assim como Coraline, obra infanto-juvenil de Neil Gaiman (não por acaso ilustrada por McKean), acompanhamos em Máscara da Ilusão o processo de amadurecimento de uma criança, tentando entender o mundo em que vive através da fantasia. Nesse sentido, o filme guarda semelhanças com o clássico A História Sem Fim, de Wolfgang Petersen, mas aqui o estilo de McKean se impõe, com um visual que impressiona desde o primeiro instante, indo do expressionismo à pintura de Hieronymus Bosch, passando pelo cinema de Michel Gondry.
Helena (interpretada pela estreante Stephanie Leonidas), trabalha no circo de seus pais. Apesar de seu cotidiano ser o sonho da maioria das crianças, ela gostaria de uma vida “normal” e estável e briga constantemente com sua mãe por isso. Após uma dessas discussões, sua mãe é internada com uma doença desconhecida. Arrependida e com peso na consciência, Helena adormece e se vê em um mundo de fantasias, um reino repleto de criaturas estranhas e pessoas mascaradas que está prestes a entrar em colapso, e cabe a ela restaurar esse equilíbrio perdido.

Se a alegoria do amadurecimento de Helena impressiona por seu retrato carinhoso e matizado (diferentemente da infância edulcorada da maioria dos filmes que focam nesse universo), infelizmente o visual hiperbólico de McKean, apesar de funcionar muito bem nos quadrinhos, aqui dá um ar excessivamente artificial ao filme, que impregna da interpretação à movimentação dos atores em cena, não permitindo que o espectador embarque inteiramente nessa fantasia. O enredo também dificulta esse envolvimento, uma vez que parece evoluir de maneira arbitrária, deixando ao acaso – e não às ações de Helena – a responsabilidade pelo seu desenvolvimento.
Máscara da Ilusão se apresenta, ao final, como uma bela fábula sobre a infância e a passagem para a vida adulta, mas que carece de vida e empatia junto ao espectador. Apesar do belo visual, um filme muito aquém dos que já nos proporcionou a parceria Gaiman-McKean.

American Splendor – O verdadeiro sonho americano


Ele, de fato não é um super herói, como se pode constatar logo nas primeiras cenas do filme, na verdade ele está mais para um anti-herói. Harvey Pekar.


Ele passou a vida como funcinário do arquivo de um hospital, em Cleveland. E passou a constatar um fato inegável. Sua vida era uma fracasso! Seus amigos eram um fracasso e não tinha nada a ser feito.
E nesse tom muito mal humorado, Harvey Pekar segue sua vida, e acaba conhecendo Robert Crumb, um grande quadrinista Underground, é quando ele tem a idéia de transformar suas desventuras em histórias em quadrinhos. 

Nelas ele descontrói o mito do American Way Life, na frase onde ele afirma, “eu sou o sonho americano”, sim ele é o fracasso!O filme conta ainda com uma mistura muito interessante e significativa, pois mistura elementos como balões e sarjetas, muitas vezes desenhos tomam o lugar dos personagens.


Em outras, cenas inteiras do cotidiano são transpostas para os quadrinhos, mostrando como se dava o processo criativo do escritor.

Muitas vezes são usadas imagens do próprio Harvey Pekar e sua família e amigos, ao invés do Ator Paul Giamati, outras vezes nos vemos no meio do set de gravação, e a gravação do filme é encerrada mas outra câmera continua gravando a conversa de Harvey sobre o fato que acabamos de ver, enquanto Paul Giamati ao fundo apenas observa a conversa.


Fecho o texto com um trecho da Canção American Splendor

Onde está meu esplendor americano?
Em um mundo que está nublado e Cinza,
Onde a vida fica passando por mim?

Não sou nenhum herói, sou apenas um cara,
que nasceu para viver, sofrer e morrer!

Eu pensei que a vida era uma longa luta,
Parece que eu estava certo!

A vida clandestina em 4 meses, 3 semanas e 2 dias


Filme com poucos recursos financeiros (por volta de US$ 600 mil) e que ainda aborda um árido tema, o aborto clandestino. Não é a fórmula do sucesso hollywoodiano, não é mesmo? Estamos falando de 4 meses, 3 semanas e 2 dias (2007), roteiro e direção de Cristian Mugiu, ganhador da Palma de Ouro em Cannes e indicado ao Globo de Ouro na categoria de melhor filme estrangeiro.

Lembro-me muito bem de quando vi esse filme em um Festival Internacional de Cinema em Brasília. Não consigo esquecer tudo que senti, a apreensão, a tensão de ser pega, o perigo de estar na clandestinidade e a vontade de ver tudo aquilo resolvido, mesmo sabendo que as cicatrizes ficariam ali a reclamar durante muito tempo. Obra cinematográfica surpreendente e concreta demais.


Otília e Gabita – humanas, demasiado humanas


SINOPSE: Duas moças na faixa dos 20 anos dividem um quarto numa república de estudantes em Bucareste. Como todo estudante, elas não têm grana. A ação se passa em 1987, nos últimos anos da ditadura comunista de Nicolau Ceaucescu, quando produtos ocidentais como cigarros e chicletes só podiam ser encontrados no atuante e caríssimo mercado negro. A história é narrada quase em tempo real. Uma das meninas está grávida e deseja se submeter a um aborto ilegal, que só pode ser realizado num hotel vagabundo e por um médico asqueroso, que não hesita em tirar proveito da condição de desespero das mulheres.



Sr. Bebê, Otília e Gabita

Cristian Mungiu escreveu o roteiro do filme em apenas um mês, baseado em uma história verídica que ouviu enquanto era estudante. O autoritarismo do regime militar do ditador Ceaucescu permeia toda a narrativa. A trama enfatiza a história de duas amigas, Gabita (Laura Vasiliu) e sua amiga Otilia (Anamaria Marinca – atuação impecável), que percorrem uma via crúcis dolorosa e amarga para fazer um aborto no mercado negro. Mungiu preferiu passar a largo de discussões acaloradas (e panfletárias) acerca de posições políticas e acerta em cheio: não há arestas, o que resta são imagens que revelam o interior mais puro dos personagens, seus medos, fraquezas e hesitações. As reflexões não são lineares e unívocas, o aborto clandestino é a ponta das discussões sobre moralismos e soluções fáceis para “eliminar” o sintoma social. Aparenta, em si, ser mais uma obra que crava suas garras na hipocrisia e naquilo que há de mais frágil e deteriorado nas relações humanas, tal qual o regime político ruído da época.

A atuante Otília e a impotente Gabita

Na maior parte do tempo, Gabita permanece encerrada num quarto de hotel enquanto Otilia percorre uma rota de sobrevivência que passa pelo mercado negro de bens de consumo, a corrupção de funcionários, empréstimos e relações degradantes com os detentores de qualquer tipo de “moeda”, nem que seja seu corpo.

O filme empenha completamente sua linguagem na fixação desse ambiente e das sensações de Otilia. A primeira cena se abre sobre a imagem de um aquário com dois peixinhos em pequeno volume de água. É a metáfora perfeita para o confinamento que afeta a todos, na ausência quase total de privacidade. Os espaços são pouco aconchegantes. O sufocamento pelo coletivo se expressa à perfeição na cena do jantar com a família do namorado, quando a própria lente da câmera sugere não ter espaço suficiente para enquadrar todos em um mesmo plano.  A câmera permanece imóvel, centrada na estudante absolutamente deslocada.


A experiência da clandestinidade

Construído em planos longos e silenciosos – o que aumenta a tensão e a claustrofobia da vida clandestina buscada pelas duas amigas – e com uma fotografia escura e de poucas cores, todas sem vida, nesse universo pesado, árido e triste, o que transparece qual é a realidade representada pelo diretor. Por mais dolorido que seja, o que Cristian Mungiu expõe é uma situação palpável, lastimavelmente verdadeira, as personagens são distantes (mesmo sendo amigas íntimas); e até mesmo a câmera é distante e pouco receptiva.
Não temos acesso a informações completas, conhecemos tão-somente fatos e personagens, isso em um ritmo descompromissado, por meio de diálogos e ações aparentemente gratuitos. Da mesma forma, eventos como um estupro são sempre absolutamente dominados – sem vê-los, em qualquer aspecto que seja, nos basta saber que existam. Temos acesso apenas àquilo que é julgado necessário.
O terror da clandestinidade
Longe de abordar posicionamentos, aqui, o aborto é um crime e existem modos ilegais de praticá-lo – o importante é o “como”. Mais do que descobrir o que buscam as amigas Gabita e Otilia, quando se encontram juntos as duas e o responsável pelo aborto, sr. Bebê (Vlad Ivanov), acompanhamos um longo relato de toda a situação e do procedimento. Em diálogos tensos, graves, o que se instaura são as posições – de um lado, as amigas inseguras e desesperadas; do outro, um homem que se impõe e demonstra constantemente seu poder. Implacável, aquele a quem se recorreu para fazer o aborto, embora praticamente sem se exaltar fisicamente, por sua posição, exercerá grande poder psicológico. A Gabita, grávida e sem alternativa e a Otilia resta ceder.

Nessa realidade, nós, junto às personagens, afundamos pouco a pouco, sem grandes esperanças.
Diálogos gratuitos geniais!
Após o acontecido, o aborto consumado, também não há paz, apenas ruas escuras e intimidantes. A realidade persiste sólida e cinza, tão concreta que nos corta. Mais que isso, no momento em que Otília vomita na rua (após discutir com seu namorado o que faria caso estivesse na posição da amiga) o que temos é um triste vislumbre de um grande ciclo. De um mesmo evento que se repete infeliz e inexoravelmente para jovens diferentes, imersas, sem fuga.
O despojamento técnico ajuda a desnudar por completo a essência do filme: uma história pequena, humana, narrada com grau razoável de distanciamento emocional, com muito respeito à dor e aos sentimentos das personagens.

Vale a pena! Todos devem sentir esse filme!


FICHA TÉCNICA

4 MESES, 3 SEMANAS E 2 DIAS (4 LUNI, 3 SAPTAMANI SI 2 ZILE) Romênia, 2007
Direção e roteiro:
CHRISTIAN MUNGIU Fotografia: OLEG MUTU Edição: DANA BUNESCU Desenho de produção: MIHAELA POENARU Elenco: ANAMARIA MARINCA, LAURA VASILIU, VLAD IVANOV, ALEXANDRU POTOCEAN Duração: 113 minutos Site oficial francês: clique aqui


ACESSEM TAMBÉM:


Masmorracast # 27 – Neil Jordan: Sucessos e Bombas!



NEIL JORDAN

Neste Podcast Angélica Hellish, Marcos Noriega, Polliana (Trindade Ovulante), Shana Shanshada (CineShanshada e Ay gente) e Barão (Red Baron Blues Blog) tentaram desvendar os segredos da mente bipolar de Neil Jordan. Afinal, não é todo dia que encontramos alguém que vê o mundo em extremos: ora há obras cinematográficas inigualáveis, ora filmes que nem mereciam ser citados. Não perca também o porquê de Stephen Rea estar em todos (ou quase todos) os filmes de Neil Jordan. Escutem e saboreiem a diversidade desse diretor.

MasmorraCast no Meu Podcast
Comunidade do MasmorraCast no Orkut
E-mail: contato.cinemasmorra@gmail.com

Filmes citados neste podcast (clique nos títulos para assistir os/as trailler/cenas)

PARA FAZER DOWNLOAD, CLIQUE AQUI E SELECIONE SALVAR LINK COMO
NOVO FEEDhttp://www.podcastgarden.com/podcast/podcast-rss.php?id=7567 Assine  e conheça todos os nossos podcasts

Masmorra no Twitter e no Facebook 

The Proposition – Soundtrack

Olá, como novo colaborador do Masmorra, fui fazer a lição de casa pra não repetir assunto. 

Foi quando descobri o filme “The Proposition” ( que assistirei na íntegra nesse fim de semana), e movido por esse trecho da postagem: “A música de Nick Cave e Warren Ellis passeia-se por “The Proposition” como um fantasma – em especial o tema “The Rider” – impregnando este filme de uma força que restitui ao Western o seu antigo misticismo.” Eu, como apreciador e degustador de músicas que sou logo tratei de arranjar o CD

A trilha sonora do filme, é fantastica um show à parte.

Nick Cave, australiano, se aliou a seu compatriota Warren Ellis e deram origem a belas composições e arranjos bem articulados. 

Na faixa “The Rider#1”, um zumbido eletrônico enche o ar, Cave pronuncia e sussurra letras que liga o imaginário do sonho aborígene com arquétipos ocidentais:

– Quando? Disse a lua as estrelas no céu;
– Logo, disse o vento, que o seguia para casa;
– Quem? Disse a nuvem, que começou a chorar;
– Me disse o piloto tão seco como um osso;
– Como? Disse que o sol derreteu a terra;
– Por quê? Disse que o rio que se recusou a executar;
– Onde? Disse o trovão sem som;
– Aqui, disse o piloto e pegou sua arma

O Pequeno Nicolau (filmes bons merecem ser vistos)

 

A nostalgia sintetiza “O Pequeno Nicolau”. O segundo filme de Laurent Tirard como diretor é baseado na obra infanto-juvenil “Le Petit Nicolas” criada em 1959, pelo escritor René Goscinny (co-autor de Asterix) e ilustrado por Jean-Jacques Sempé

Se Tirard havia ganhando destaque na indústria cinematográfica francesa por misturar o lado cômico com o romantismo, nesse lançamento, o diretor vai além e embarca numa produção infantil, criando o seu próprio universo.
Apesar, de a projeção ter sido encomendada, o diretor consegue ser fantástico na direção do elenco infantil. Fator principal para a qualidade apresentada.
Na historia, entramos numa França antiga, especificamente dos anos 50. Nos primeiros minutos, por intermédio do protagonista, conhecemos o seu mundo e todos os personagens inseridos nele, todos citados de uma maneira que enfatize a sua característica.
Nicolau (Maxime Godart) é o responsável pela narração. Trata-se de um garoto que é filho único e segue numa vida confortável em segurança nas barras dos pais. Entretanto, um evento está prestas a ameaçar a tranqüilidade ate então, por influência de um amigo que acabara de ganhar um irmão, Nicolau começa acreditar que sua mãe esteja grávida e, isto signifique que será abandonado pelos pais. No intuito de resolver o problema, cria uma liga junto com os amigos.
Paralelo ao fio condutor, existem outras situações com os demais personagens, que determinam o ritmo do longa. Além de gerar os momentos mais engraçados da projeção.
No termino da seção, a nostalgia transparecê da tela para o público. Para quem cresceu doutrinado pelas produções infantis: A Guerra dos Botões, de Yves Robert (1962) e The Gonnies, de Richard Donner (1985), voltaram a ser crianças, nem que isso dure apenas uma hora e meia.

Após o termino, vim pensando cá com meus botões que essa produção teria apelo (abertura) suficiente para arrecadar bilheteria com o grande público, no entanto, passara despercebido para maioria. O que, para mim, particularmente é uma crueldade com a obra em questão. Como admirador de cinema e futuro realizador do mesmo, acho que o grande barato de se fazer cinema é conseguir atingir o maior público possível.

Não, compartilho com a idéia de que a obra deva escolher o seu público, deveria ocorrer o contrario, cinema pode sim alcançar um grau especifico de arte, podendo também gerar entretenimento e fornecendo um papel de educador. Qualidade exposta não só na produção comentada, como nos mais diversos filmes europeus que costumam durar semanas em cartaz.

Recentemente, assisti “O Profeta” de Jacques Audiard (2009), outra produção francesa, voltada para o público adulto, pois bem, no final da película, constatei que poderia facilmente ser consumido por outro público, além daqueles de um nicho especifico. Em duas horas e meia temos numa mesma historia, todos os artifícios usados para ser fazer uma historia de ação norte-americana, com muito mais conteúdo do que propriamente ação, porém as cenas de ações filmadas não devem nada a um blockbuster.

Todo esse Bla! Bla! pra concretizar que a produção “O pequeno Nicolau” traria sangue novo nesse mercado tão previsível, como o atual. Faria os pais re-descobrirem a inocência perdida no meio de tanto consumo e serviria de constatação para os filhos, de como é bom ser criança.

Prova de que toda criança deveria assistir o filme é o sucesso demonstrado pelo público infantil na exibição ocorrida na favela do Vidigal, no Rio de Janeiro, pelo Festival Varilux do Cinema Francês, que contou com a presença do próprio diretor.
· título original:Le Petit Nicolas
· gênero:Comédia
· duração:01 hs 31 min
· ano de lançamento:2009
· direção: Laurent Tirard
· roteiro:Alain Chabat, Laurent Tirard e Grégoire Vigneron, baseado em quadrinhos de René Goscinny e Sem

Shortbus e a imaginação pornográfica


Quem assiste à introdução de “Shortbus” (2006) tem a impressão de estar vendo um filme pornô. E não está de todo errado. Por inúmeros motivos, o longa poderia figurar fácil na sessão pornográfica de qualquer vídeo-locadora. Exceto pelo fato de que, ao escrever e dirigir o filme, John Cameron Mitchell foi um pouco mais longe do que seus possíveis companheiros de estante teriam ido. “Shortbus” é um exemplo brilhante do que Susan Sontag chamou de “imaginação pornográfica”. Mais do que isso, o filme usa do imaginário pornográfico para penetrar (e o trocadilho aqui é de especial importância) em terrenos só acessíveis através de outras vias estéticas: o amor romântico, a cultura ocidental, vida urbana e até política.

Através de uma maquete animada de Nova Iorque (desenvolvida por John Bair de uma forma bastante interessante) vamos conhecendo os nós da grande rede na qual o filme envolve o público. Sofia (Sook-Yin Lee), por exemplo, é uma terapeuta sexual, mas prefere ser chamada de “terapeuta de casais”. A informação parece importante porque, em seguida, se descobre que apesar da intensa vida sexual com o marido, a moça nunca teve um orgasmo. Entre seus pacientes estão James (Paul Dawson) e Jamie (PJ DeBoy), dois rapazes que, ao verem a relação em crise, pensam na possibilidade de abrí-la através da entrada de uma terceira pessoa. Enquanto isso, Severin (Lindsay Beamish) atende um de seus clientes com requintes de crueldade. Ela é uma dominatrix.

O que todos eles tem em comum? É o que o filme tenta responder, carregando o espectador através de um labirinto orgiástico que converge para uma casa noturna alternativa: o “Shortbus” (“ônibus pequeno”, em tradução literal). É lá que, cedo ou tarde, todos os personagens se encontram. Não apenas uns com os outros, mas cada um com seus próprios medos, desejos, problemas.

É importante lembrar que o filme foi feito de forma inovadora já desde o roteiro. Mitchell decidiu, em primeiro lugar, não utilizar atores conhecidos, já que pretendia desde o começo rodar cenas de sexo ousadas (o primeiro nome do filme era “The sex film project”).
Mais do que isso, o diretor optou por escrever o roteiro usando diálogos espontâneos, através das prórprias experiências dos atores. Cada um deles foi escalado pelo próprio Mitchell em uma festa promovida mensalmente por ele em Nova Iorque. O nome do evento era justamente “Shortbus”.
É interessante notar, portanto, que o casal James e Jamie são namorados também na vida real. Ou que a atriz que interpreta a terapeuta Sofia, apresenta um programa de entrevistas na TV canadense. E é por isso mesmo que as experiências pessoais dos atores acabam servindo para compor cada um dos seus personagens. Mitchell não trabalhou com roteiros prontos, mas com diálogos improvisados, mantendo apenas “situações-guia” que deveriam ser obedecidas. E assim surgiu “Shortbus”

Voltemos então a Susan Sontag. Em seu conhecido ensaio “A imaginação pornográfica” (publicado no livro “A vontade radical”),a autora lembra que, mais do que ultrajar o seu público, a pornografia deve oferecer a ele a consciência do ultraje pelo qual o próprio artista tem de passar para realizar a obra de arte. Ao supor portanto, uma estética que valoriza o risco espiritual (leia-se “mental”, “moral” ou mesmo “social”) como sacrifício necessário para se alcançar o artístico , desmancha-se a fronteira entre a “fantasia” e a “realidade”. É algo que beira o surrealismo (não por acaso, Breton era leitor assíduo de Sade). E, sob esse ponto de vista, parece claro o motivo pelo qual “Shortbus” é um banquete não apenas para o intelecto, mas também para os sentidos. O delírio (visual, orgástico, lógico ou até mesmo patológico) é parte importante do filme.

“Shortbus” agrada, em primeiro lugar os olhos. As cores são sempre cítricas, bonitas, chocantes. Cuidadosamente compostas, parecem querer lembrar que cada plano faz parte da grande maquete animada que mantém coeso o fio narrativo.

Para os ouvidos, o longa traz uma trilha sonora composta pelo grupo musical “Yo la tengo” que mistura jazz, pop, rock… e o resultado é qualquer coisa parecida com as trilhas dos musicais da década de 60, ou mesmo de Old Hollywood., uma “confusão musical” que continua tamborilando na cabeça mesmo depois dos créditos finais.

E os sentidos táteis? Como afetar o olfato, o tato, o paladar de um espectador? É esta a importância da pornografia em “Shortbus”. Através de orgasmos explícitos, de primeiros planos de órgãos genitais e outras façanhas tão comuns no cinema pornô, Mitchell tenta fazer com que a narrativa tenha uma relação íntima, sexual, com seu público. Embora não seja seu fim (e sim seu meio), “Shortbus” excita – ainda que o “tesão” aqui seja bem diferente. E concorda com Sontag, quando diz que a pornografia deve excitar. Se não pela lembrança do sexo em si, excita pela lembrança de outros filmes “de sacanagem”, outros contos. É a “imaginação pornográfica”, isto é, o conjunto de arquétipos, tipos, trejeitos, que tornam algo, convencionalmente, pornô. “Shortbus” faz do pornografico uma linguagem para dizer mais do que “goze”. É uma tentativa de ser uma grande metáfora do gozo.

Até na decupagem, “Shortbus” é pornográfico. No pornô, vemos o humano sendo fragmentado, “despedaçado” e servido ao espectador como um banquete. Os planos se revezam entre vaginas, paus duros, peitos e bocas, não economizando close-ups. Aqui, a coisa não será muito diferente.
A narrativa é estilhaçada em inúmeras sequências que vão se sucedendo não apenas no tempo, mas também no espaço, através da grande maquete animada. Demora até que tenhamos uma idéia mais ‘holística”, mais completa, da trama. Assim como um plano geral de uma transa num filme pornô pareceria estranho, “Shortbus” evita a linearidade espacial na montagem, sempre alternada entre pelo menos três eixos narrativos, não necessariamente encadeados entre si.
A decupagem, de alguma forma, segue esse padrão, nunca revelando grandes planos das cenas ou dos atores, dando sempre preferência a enquadramentos que velem algumas partes enquanto outras, inusitadas, são reveladas. O voyuerismo também é explorado quando algumas cenas transcorrem do ponto de vista de outros personagens (ou de suas câmeras).

No fim de tudo, o que “Shortbus” traz de novo? Com certeza não é o primeiro filme pornográfico (no sentido de Sontag) que se mostra esteticamente atrativo. “O Império Dos Sentidos” (Nagisa Oshima, 1976), “Nove canções” (Michael Winterbottom, 2004) e mesmo o brasileiro “Amarelo Manga” (Cláudio Assis, 2003) são filmes – apenas para citar alguns exemplos – que apresentam algumas semelhanças com “Shortbus” principalmente por causa da estética pornográfica.
O que Mitchell acrescenta nessa lista é a leveza. Nunca antes o pornográfico parece ter sido usado de forma tão leve, quase como numa comédia romântica.
Talvez por isso o filme consiga levar o público, meio dopado pelo delírio e pelo absurdo, para lugares onde ele não iria “sozinho”.
Do meio da orgia, brotam questões que rondam as identidades de gênero, o amor (lato sensu), a privacidade e até o 11 de setembro. Esse é o maior mérito de “Shortbus”: o filme goza da rara habilidade de “fazer pensar” (em todos os sentidos).
Texto de Dimas Tadeu do Blog Out & About


SHORTBUS / trailer
Gênero:
Drama,Romance
Tempo:
101 minutos
Ano: 2006
Direção: John Cameron Mitchell
Roteiro: Frank G. DeMarco/John Cameron Mitchell/Kurt and Bart

Vencedor da Promoção Taverna do Ogro Encantado e Masmorra Cast:

Pedimos e conseguimos!
O Bruno de Americanas- SP produziu uma interessante versão da obra de Edward Hopper(1882-1967),conhecido como o “Artista da Solidão”
Um quadro em particular nos chama a atenção: “Solitária”


Retrata a rotina de uma moça que trabalha num cinema como lanterninha (ainda existe lanterninha nas salas de cinema?).
Apesar de trabalhar com o público e ver a “vida” passar por seus olhos todos os dias na grande tela ela está só.
Tristemente só. Parece que está a esperar que alguma alma piedosa a retire da sua rotina e da sua solidão. Seus olhos presos ao chão são de comover a qualquer pessoa que a mire com carinho.
Mas quem irá salvá-la da mesmice da rotina? Ela medita… Ela procura… Mas segue só na vida.
Invisível a todos à sua volta. Enquanto isto, todos no cinema, estão interessados nos destinos dos personagens imaginários.
Nos dias de hoje, se vivo fosse, poderia pintar uma pessoa solitária frente ao seu computador nos sites de relacionamento criando amigos virtuais e os pais na sala de estar, em silêncio, absorvendo a vida alheia.
Edward Hopper e sua temática muito atual. A solidão nas grandes cidades e o distanciamento que a internet e a televisão nos impõem. Amigos e vidas virtuais. Solitários, como a moça no cinema.

Pois é.O Bruno entendeu o espírito da brincadeira e criou essa interessante imagem que usaremos para representar o nosso blog e ganhou o action-figure do Homem de Ferro 2, cortesia da Taverna do Ogro Encantado


Muito obrigada pelo esforço de todos,e seguiremos aqui com promoções aos usuários que frequentam o blog, que além de conhecerem um pouco mais sobre cinema,podem concorrer nas promoções que criaremos futuramente!
Um abraço!
Equipe Masmorra Cast

Masmorracast # 26 – Quadro a Quadro – O Cinema apresenta as Artes

Neste Podcast, Angélica Hellish, Marcos Noriega, Polliana (do Blog Trindade Ovulante), Rod Reis (do Mundo Rod podcast e podcast Papo de Artista) e sua adorável esposa, Priscila Perez, conversaram sobre a diversidade das relações entre o cinema e as artes, bem como a representação cinematográfica dos(as) artistas, de seus olhares tão peculiares quanto à realidade e seus conflitos. Claro que não há como citar todos os filmes sobre artistas, por isso, não percam a segunda parte dessa conversa no Papo de Artista em breve!

* Post atualizado! Clique aqui pra ouvir a continuação do podcast no Papo de Artista!


Filmes citados neste podcast (clique nos títulos para assistir os/as trailler/cenas)

O mistério de Picasso (1956)

 

 

PARA FAZER DOWNLOAD, CLIQUE AQUI E SELECIONE SALVAR LINK COMO
NOVO FEEDhttp://www.podcastgarden.com/podcast/podcast-rss.php?id=7567 Assine  e conheça todos os nossos podcasts

Masmorra no Twitter e no Facebook