[Mês do Horror] Calabouço da Liv #14 – “Sou uma donzela, estou indefesa, mas eu saio dessa.”

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O problema nunca foi a falta de presença feminina nos filmes de terror, mas sim a maneira como essa presença é representada. Antigamente era pior, com certeza, até mesmo pelo contexto histórico. Se as mulheres são oprimidas ainda hoje, imagina nos séculos passados. E como o cinema sempre foi um reflexo de sua sociedade atual não podia ser diferente: ou as personagens eram puritanas delicadas, precisando ser resgatadas pelo mocinho, ou elas eram sexualizadas e objetificadas ao extremo, normalmente colocadas como as vilãs ou párias.

Felizmente isso foi mudando de pouco a pouco, agora temos protagonistas muito mais complexas e diferentes, principalmente com a entrada de mais diretoras no gênero. É bem irônico algumas pessoas acharem que mulher não tem lugar no cinema de horror, sendo que uma das histórias mais famosas de horror foi escrita por uma mulher (sim, estou falando do Frankenstein de Mary Shelley).

Por essas e outras que hoje decidi fazer uma lista com algumas das melhores personagens femininas em filmes de terror/suspense/horror:

A Garota (Garota Sombria Caminha Pela Noite, A Girl Walks Home Alone At Night, 2014)

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Antes de tudo, preciso mencionar que nós discutimos bem esse filme (e outras personagens femininas incríveis) no lindo e cheiroso podcast Histórias de Vampiros, então clica aí e se divirta. Mas enfim, resumindo: o longa é sobre uma vampira justiceira (como eu gosto de chamar: a Batman iraniana), que anda pelas noites atacando homens misóginos e protegendo mulheres em perigo. A Garota (sim, nós não sabemos o nome dela) é interpretada belamente por Sheila Vand, que consegue passar muito sentimento com seus olhos expressivos. Essa inversão, onde a presa vira o predador, é maravilhosa. E a Garota não é apenas retratada como uma super-heroína, ela possui camadas que o filme explora muito bem, graças a diretora Ana Lily Amirpour.

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[Mês do Horror] Calabouço da Liv #13 – Clichês no Terror

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Na primeira parte do Calabouço especial Mês do Horror, eu falei sobre filmes com gêmeos do mal. Mas hoje eu decidi falar sobre um assunto mais divertido: aqueles clichês bem típicos de filmes de terror (em especial dos mais mainstream). Por favor, lembre-se que eu amo o cinema de horror e terror, e esse post não tem a intenção de menosprezar nada, só apontar para nossa diversão! E a verdade é que mesmo alguns desses clichês abaixo ainda me assustam dependendo de como são feitos! Então, vamos a eles:

O susto que não é susto

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Essa é uma moda até “recente” nos filmes de terror. Aquela cena tensa em que o personagem principal escuta algo ou vê alguma sombra, vai dar uma olhada no que é, e aí… Bang, é um gatinho! Ou é aquele amigo alívio cômico zoando com a sua cara. O pior é quando o falso susto é logo seguido do susto verdadeiro, sem dar tempo pra você respirar. Confesso que já fui pega desprevenida por esses, relaxei achando que só teria o susto fake, só que aí vem o bicho na minha cara cinco segundos depois! Tem também aquele susto não-susto em que nada acontece mesmo, por exemplo: o personagem abre a geladeira, aí toca aquela música sinistra, e você tem certeza que o fantasma vai aparecer quando ele fechar a porta de novo, mas não, nada aparece. Esses são mais frustrantes ainda!

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[Mês do Horror] Calabouço da Liv #12 – Terror Em Dose Dupla

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Como vocês sabem, Outubro é o Mês do Horror aqui no Masmorra! Além dos diversos (e excelentes) podcasts sendo lançados, eu também farei alguns textos com essa temática. E para começar com pé direito (ou esquerdo?) eu decidi falar de filmes de terror/suspense com gêmeos sinistros.

Antes de tudo, quero deixar claro que não acho que gêmeos na vida real sejam sinistros! Mas já que o cinema de terror gosta de explorar esse tema eu vou aproveitar e listar 5 filmes assustadores com gêmeos bizarros!

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Calabouço da Liv #11 – Precisamos falar sobre Michael Pitt

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No primeiro post da série “Precisamos falar sobre…” (que eu decidi virar uma série agora) eu falei sobre a maravilhosa Tilda Swinton, você pode conferir AQUI. Hoje eu decidi falar de outro ator alternativo, que apesar de ter feito alguns blockbusters, prefere se aventurar pelo cinema independente e cult. Assim como fiz no texto sobre a Tilda, falarei sobre sua carreira, citarei seus trabalhos e no final escolherei dois filmes para uma análise mais detalhada.

Michael Carmen Pitt nasceu em New Jersey, EUA. Agora com 36 anos, ele começou a carreira bem novinho. Foi sozinho para New York aos 16 anos, sem dinheiro, sem emprego e sem lugar para ficar. Depois de conseguir um trabalho como mensageiro de bicicleta, ele frequentou a Academia Americana de Artes Dramáticas, mas não ficou lá por muito tempo. Não desistiu de seguir a carreira, porém, e foi por estrear em uma peça pequena de teatro que um agente o descobriu e o sugeriu para tentar um lugar na série Dawson’s Creek, que fez muito sucesso nos anos 90 e 2000. Além de atuar, ele também canta e toca guitarra. Aliás, tem uma banda chamada Pagoda.

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Calabouço da Liv #10 – Vida real com plot twist?

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[NÃO CONTÉM SPOILERS]

Eu amo documentários, porque eu amo o fato da realidade ser tão absurda e fantástica a ponte de parecer uma ficção. E nas ficções, uma das coisas que mais agradam o público é o plot twist. Para quem não sabe, o plot twist é aquela reviravolta que muda o entendimento do filme no geral ou simplesmente gera uma surpresa importante. E quem disse que só ficção tem isso? Hoje eu vou falar aqui de dois documentários excelentes, que me deixaram realmente vidrada, e que têm reviravoltas bem interessantes. Não se preocupem, não falarei as reviravoltas e não darei spoilers, pois quero que vocês os confiram!

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Calabouço da Liv #09 – Aquela que tarda, mas não falha

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As pessoas dizem que existe apenas uma certeza nessa vida: a morte. É verdade. Cedo ou tarde ela vai te encontrar. Mas ok, eu não estou aqui pra desanimar ninguém. A verdade é que podemos olhar a morte de uma forma positiva também, afinal, nós sabemos sabe que ela está por aí, então temos que fazer o máximo que pudermos com o tempo que temos, não é mesmo?

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Calabouço da Liv #08 – O que é que a Nova Zelândia tem?

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A maioria das pessoas conhece a Nova Zelândia por ser o cenário das trilogias da Terra Média, com suas montanhas esplendorosas e os infinitos campos verdes. Realmente, o país já foi local de diversos filmes e séries devido a sua beleza natural. Xena – A Princesa Guerreira, Avatar, O Último Samurai e Spartacus são apenas algumas das obras que foram gravadas por lá. Peter Jackson e Jane Campion são dois diretores neozelandeses muito famosos internacionalmente, ambos já ganharam Oscars, e gostam muito de explorar as paisagens locais em seus filmes. Se eu fosse uma diretora lá também exploraria, afinal, o país é lindíssimo mesmo, e a sua aura etérea é intemporal.

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Calabouço da Liv #07 – A Licantropia e o Feminino

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Mitos e lendas são extremamente importantes, não só para refletirem uma época e uma cultura, mas para servirem de metáfora. Os mitos de lobisomens estão entre os mais comuns, contados pelo mundo inteiro, seja no interior de Minas ou numa cidadezinha da Polônia. Algumas pessoas realmente acreditam terem visto o bicho perambulando nas matas ao redor de sua casa, e quem sou eu para desrespeitar ou descreditar tais crenças.

O mito do lobisomem já foi utilizado de mil jeitos diferentes no cinema, na maioria das vezes de forma literal: uma pessoa desafortunada que acaba sendo mordida e sai matando todo mundo que cruzar seu caminho. É a maneira mais simples e talvez a que atraia mais público, afinal, quem não gosta de um gore supernatural? Como exemplos famosos temos Um Lobisomem Americano em Londres (An American Werewolf in London, 1981), Cães de Caça (Dog Soldiers, 2002), Grito de Horror (The Howling, 1981) e O Lobisomem (The Wolfman, 2010). Porém, o papo aqui é outro, então vou deixar esses filmes de lado.

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Calabouço da Liv #06 – Mais do que piratas

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Nós estamos vivendo um momento muito bonito em relação às séries de TV (ou por streaming). Produções grandiosas, com efeitos dignos de blockbusters, atores de cinema famosos e roteiros bem criativos. É tanta série nova que fica difícil acompanhar, e por isso algumas acabam ficando escondidas e esquecidas pela maioria do público. Hoje eu escolhi falar de uma dessas criações maravilhosas, uma das minhas séries favoritas de todos os tempos, que, infelizmente, é negligenciada tanto pelo público quanto pelas premiações: Black Sails.

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Calabouço da Liv #05 – Quem nunca teve Um Dia de Cão?

 

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Filmes baseados em ‘fatos reais’ são bem frequentes no cinema. Afinal, a vida é bem maluca sem precisar de ajuda, e certos acontecimentos cotidianos parecem já terem saído da mente de algum roteirista criativo. O filme que escolhi para falar hoje é uma dessas histórias bizarras que tinham de virar filmes pelo simples fator absurdo que elas têm.

Em agosto de 1972, John Wojtowicz e Sal Naturale assaltaram o Chase Manhattan Bank, e o que tinha tudo para ser só mais um ato criminoso foi na verdade um acontecimento pra lá de incomum. Tão incomum que a revista Life escreveu um artigo sobre o caso intitulado “The Boys in the Bank” (Os Garotos no Banco), e é a partir deste artigo que o filme Um Dia de Cão (Dog Day Afternoon, 1975) foi feito.

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Calabouço da Liv #04 – Gritos no Espaço

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“No espaço, ninguém pode ouvir você gritar.” 

Quem não conhece essa famosa (e apavorante) frase que serviu na divulgação de Alien – O Oitavo Passageiro (Alien, 1979), dirigido por Ridley Scott, e que inspirou tantos outros cineastas a trabalharem com o gênero de terror/suspense espacial? É sobre isso que falarei hoje. Afinal, há algo mais assustador do que estar confinado em um espaço limitado no meio de um ambiente estranho e saber que existe algo com você que não deveria estar ali? E quando o confinamento é demais para a cabeça dos tripulantes? E se algo na missão não ocorrer como planejado? E o que será que é aquele sinal pedindo ajuda? Estes são apenas alguns dos temas que estão nos filmes que comentarei hoje.

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Calabouço da Liv #03 – Precisamos falar sobre Tilda Swinton

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Katherine Mathilda Swinton, nascida em Londres, mas criada em uma cidadezinha na Escócia (onde ainda vive) é uma atriz Oscarizada super talentosa, conhecida pela sua androginia brilhante, tanto que já atuou como homem e mulher. Além de atuar, ela também é reconhecida por ser ativista em diversas causas. Em 2013, arriscou ser presa ao levantar a bandeira LGBT+ na frente do Kremlin, na Rússia, onde a “propaganda gay” é proibida. Além disso, passou dois anos na África fazendo trabalho voluntário em uma escola local. Também promoveu seu próprio festival de filmes independentes na Escócia, onde mostrou diversos longas dos mais variados países ao redor do mundo.

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Calabouço da Liv #02 – As belezas e horrores do Found Footage

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Afinal, o que seria o found footage? A maioria das pessoas já ouviu esse termo antes e eu arrisco dizer que já assistiu filmes nesse estilo também. O termo found footage, em uma tradução literal, quer dizer “filmagem encontrada”, ou seja, seria aquele vídeo filmado amadoramente (na maior parte das vezes, pelo menos) que foi achado em algum lugar depois de algo – geralmente ruim – ter acontecido. Essa técnica é usada, principalmente, em filmes de terror e suspense, pois ela te passa um ar de claustrofobia e te coloca no ponto de vista dos personagens, o que te faz sentir uma conexão bem maior com eles, além de muito medo (ok, ás vezes não).

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Calabouço da Liv #01 – Dicas Independentes: Capitão Fantástico e O Universo no Olhar

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[Não contém spoilers]

Alguns filmes são lançados de forma tão tímida que se você não for atento acaba perdendo. É o caso da maioria dos filmes de baixo orçamento, os independentes. Mas vocês já sabem disso. O que eu quero fazer aqui de tempos em tempos é indicar alguns filmes que passam despercebidos pelo grande público, mas que apesar de serem pequenos em produção são grandes em significado e fazem bons sucessos em festivais. Nesse primeiro post vou começar por dois filmes, de certa forma, recentes: Capitão Fantástico e O Universo no Olhar. Os dois longas me emocionaram bastante por razões diferentes, mas ambos focam na complexidade das relações humanas.

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